sábado, 12 de novembro de 2011

Arte da vida

Apago-te a dor
Num movimento de arte
Com um pincel delicado
No quadro que fazes parte

Cores vivas que cativam
Amores e dissabores que cultivam
Vidas jubilosas que sublimam
Sobre tudo isso eu pinto

Sem rumo e sem razão
Numa clara alusão
Ao quadro do teu destino


João Salvador – 01/11/2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Universo do querer


Tudo se perde no universo do querer
Num mundo vasto, de poder e não ter
Numa bastidão interminável,
Quiçá inalcançável … num sofrer!

Mas ainda assim,
Num querer sentido e desejado
Ainda que eternamente aguardado
Mas sempre esperançado
No ressurgir dum novo amanhã!


João Salvador – 30/10/2011

sábado, 5 de novembro de 2011

São Palavras

São palavras ...
simples palavras.
Sentidas é certo!
Mas ainda assim, meras palavras.

O ciclo completa-se,
O cerco aperta-se,
O sentimento aflora

O impulso é forte
O desejo grita
Palavras já não bastam

O corpo exige ...
O calar dos teus lábios
Quentes e molhados
O sabor da tua boca
O contacto puro
O amor divino!


João Salvador - 21/10/2011






terça-feira, 1 de novembro de 2011

Tens uma vida


Tens uma vida. A vida que escolhes-te!
Tens sentimentos que acalentas-te
Não és um ser empedrado, isento de vida
Não és um ser inanimado

Não és uma boneca sem vida
Nem tão pouco uma lágrima vertida
Não és minha, nem és tua
Nem sequer és de ti própria
Estás refém dos sentimentos
Pelos quais nunca lutas-te

Estás presa a uma existência inexistente
Agarrada a promessas verdadeiras … mas vãs
Eventuais promessas fruto de devaneios

Vês-te, num eterno combate titânico
Onde a razão e o coração esgrimem armas
São alimentos ilusórios da nossa mente

Refletidos num coração recheado de sentimento
Num esperar eterno do amor que tiveste
Mas quando acordas-te havia-lo perdido
Na desumana realidade do viver …


João Salvador – 16/09/2010

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Partiste meu amigo


Chora o céu
Gotejando lágrimas sofridas
Saraivadas ventosas de saudade
Tormentos na vida que deixas-te

Partiste meu amigo
Num final tormentoso
Na doença batalhada
Mas que te venceu

Não verto lágrimas
Pois lágrimas não tenho
As amarguras secaram o choro
A vida calejou o meu sofrer

A dor da amizade
O tempo nunca irá curar
Descansa meu irmão
Amigo do coração!


João Salvador – 26/10/2011

(Poema dedicado a um amigo, a um homem bom, com sentimentos puros e que foi vencido por uma doença do foro oncológico)

domingo, 23 de outubro de 2011

Verdadeiro amigo


Amigo não dizes palavra
Nos teus olhos vejo mágoa
Na tua voz inquietação
Uma dor no coração!

Uma apreensão desnudada
Na vida nunca descorada
Nos projectos traídos
Nos teus sonhos sofridos

Por ti sinto dor …
Sofro, num castigo partilhado
No caminho por ti trilhado
Vagueias pelo pensamento
Perdido qual ser demente
Em compromissos da mente
Na palavra dada que não teve volta

Certo é porém,
Que apesar do desdém
Dos amigos do interesse
Me terás como amigo!

Na vida, nos momentos em que tropeças
Na miséria da desonestidade
Nos amigos da falsidade
Na hipocrisia que te ladeia
No abutre que te rodeia

A mais pura amizade prevalece
Nos momentos de quem não esquece!


João Salvador – 10/10/2011

sábado, 22 de outubro de 2011

Destruidor de sonhos


Asqueroso ser de vivência ilusória
Putrefacto cheiro a vida horrenda
Abominável ser que não o é
Transpiras culpa, sem remorso


Desculpas-te através do indesculpável
Refugias-te na doença que não existe
Filosofas, lindas palavras venenosas
Enganas, atormentas e dilaceras vidas


És um ser energúmeno e nojento!
Destróis sonhos de crianças
Matas sorrisos …
Acabas com a sua pureza


Sim, tu … predador de vidas
Apagas sonhos 
Matas ilusões
Crias desilusões


O ódio grassa na minha mente
Não sou deus,
Mas afogar-te-ei na tua própria depravação
Afundar-te-ei no limbo do inferno 
Onde arderão as tuas entranhas imundas
Numa eternidade de dor
Aquela dor e angústia 
Que sentirás e te consumirá


Ser diabólico 
Não vês?
Não tens lugar neste mundo! 
És um ser imundo.



João Salvador – 27/09/2011

Nota: A luta contra a pedófilia deve ser uma luta de toda a sociedade. É um quadro muito duro ver uma criança com os seus sonhos desfeitos. Sei tratar-se de um poema muito efusivo, mas é aquilo que sinto!

sábado, 15 de outubro de 2011

Página em branco


És uma página em branco
Sem vida, triste e sem cor
Buscas uma razão
Algo que justifique o viver


Alimento-te com palavras
Escrevo-as com devoção
Liberto-as com paixão
Preencho o teu rosto de cor


Acabo por escrever sobre amor
Já tens razão de existir
Lê-te agora a ti próprio
Já não és um rosto inexpressivo


Agora tornaste-te num soneto
No qual sussurrei belas palavras
Verti para ti os sentimentos
Libertei a minha alma
O meu amor … o meu desejo
Deixei em ti um pouco de mim!


João Salvador – 15/10/2011

sábado, 8 de outubro de 2011

Amo a Vida



A mor, é um …
M omento, são
O lhares que me alimentam!

A mor é …

V ida! Existência sem tormento,
I usões, paixões, abstrações
D eleites da alma, é um …
A rdor, um alimento que acalento!


João Salvador

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Movimento adormecido


Navego pelas dubiedades da vida
Voo por pensamentos intermináveis
Caminho rumo a um horizonte que não conheço
Movo-me nessa busca que não termina


Sinto-me num vazio sem sentido, perdido …
Direi que tenho tudo e nada tenho!
Mas, que quero eu afinal?
Procuro uma resposta em mim.


Uma contestação que urge, mas que não surge
Vivo numa existência sonâmbula …
Sou um fantasma de mim mesmo
Vivo em sorrisos chorados e sonhos recalcados


Move-se o meu corpo por mover, mecanicamente
Deambulando pelos segundos do tempo
Guiado pelo tic-tac, pelo badalar de um relógio
Automatizado, mas … adormecido na vida!


João Salvador – 04/1
0/2011