domingo, 18 de dezembro de 2011

O Natal na minha aldeia



Regressei à tradição, ao Natal que tanto queria.
Regressei à minha terra, numa noite muito fria
Regressei à consoada, a umas mesas recheadas
Nesse banquete faustoso, tinha filhós e rabanadas

Com o azeite cristalino, regava a refeição.
Comia Polvo e batatas; couves e nabo cozido,
Não faltava o bacalhau e todas as iguarias,
Na companhia da família, em parlatório animado.

Logo passavam as horas, numa felicidade plena,
não é engano nem tema, era mesmo alegria,
na pureza de amor, de uma família querida!

Neste quadro transmontano, na minha terra Sanfins,
no quadro que emoldurei e para sempre guardei,
nesse quadro; nessa rua, no local onde cresci.

Tinha sentido o Natal, não tinha futilidades.
Nos brinquedos que fabricava,
Nos sentimentos que buscava
Na amizade que alcançava!

Era assim o meu Natal, tão belo!
Um Natal de amor, de sorrisos e de verdade!
Tenho saudades, dos Natais que ali vivi!


João Salvador – 13/12/2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Descobri



Descobri que o amor esteve sempre aqui
Descobri que nunca fugiu de ti
Descobri que sofres-te e que choras-te
Descobri que sempre me amas-te!

Belos momentos promissores e ilusórios
Passados debaixo de uma ténue teia de palavras
Locuções belas, sentidas; marcadas e ansiadas
Saborosas, mas amargas que azedaram como fel

Um tempo de adolescência sonhadora, mas adulta,
Regredida pelo tempo, banhado por lembranças.
Esperança de um amor eterno e de uma vida …

Sumida nas vidas perdidas,
Nas vidas crescidas,
Nas dores sofridas!


João Salvador – 15/09/2010


sábado, 10 de dezembro de 2011

Felicidade? (Acróstico)



F elicidade, terás que ter
E mbalada no teu amanhecer
L ágrimas que derramas
I ndignas e me enganas
C ompreendia o teu querer
I ndecente instrumento que usas
D antes que buscavas?
A mor e felicidade
D or ou realidade?
E nfim … dou-te a verdade!


João Salvador - 06/06/2011








domingo, 4 de dezembro de 2011

Anjo do tormento



Foi nas tuas asas de anjo que o poeta se perdeu
Nos teus braços longe daqui, ele endoideceu
A tua auréola ofuscou-lhe os sentidos, entorpeceu-o
Enviou-o para um longínquo amor inalcançável


Anjo que lhe iluminou a tristeza, por momentos
Rápidos que passaram, mas acalorados e sentidos
Sonhos perdidos, recuperados por ínfimos instantes
Sonhados, sentidos e aproveitados até à exaustão

Anjo alado do tormento, que apaziguou o sofrimento
Não evitaram as lágrimas que escorreram da tua face
Lágrimas corrosivas que te apagaram a alma e te sugou a vida


De todos os sentimentos que alimentou o teu anjo
Guardas aquele miserável instante de prazer numa fantasia perdida
Um sonho dolorido, atormentado, golpeante mas desejado …



João Salvador – 01/12/2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ver-te chorar


Estás triste meu filho.
Choras inconsolavelmente
A realização do sonho que não o foi
A meta que não alcanças-te
A primeira amargura da vida …
Uma aflição, um aperto


A tristeza em ti mata o meu coração
Ver-te triste, uma ilusão que caiu
É uma dor que partilho … que me flagela
Que me sangra em jorros de angústia


És um fruto em formação …
Ao sabor da desilusão,
Uma realidade nua e crua!
Impiedosa ….


Ainda que criança,
Não te esqueças
Que, existe a esperança
De uma vida …
Uma herança!



João Salvador – 06/09/2011

Nota: Poema dedicado ao meu filho Rafael Salvador. Que a vida lhe sorria sempre, na esperança que os valores que lhe transmiti o façam um homem bom, com valores!

Pintura intitulada O menino que chora.
A título de curiosidade, refira-se que a autoria da pintura é atribuída a um artista chamado Bragolin e faz parte de uma colecção de 28 peças sempre com o mesmo motivo: crianças a chorar.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Escrevo e sinto


Escrevo prosa ou poesia
Faço rimas que purifico
Conteúdo que me toca,
Que mais me importa?

Deslizo pela minha mente
Efervescente de vida
Latejante na procura
De aventura … na loucura!

Escrevo …
Quero expressar
Melodiosas palavras que verto,
Do meu pensamento

Extravaso-as
Lanço-as
Grito-as
Dito-as,

Escrevo ...
os sentimentos!


João Salvador - 20/10/2011

domingo, 20 de novembro de 2011

Descrevo-te numa flor



Procuro descrever-te numa flor
Esquadrinho e observo o teu corpo
O teu regaço …
Observo a tua beleza, o teu íntimo ser


És um lírio branco purificador da minha alma
Um anjo alado que me enfeitiça e que cobiço
Voando num prado de céu que flutua ao vento


És a margarida … reinante num núcleo de sol e luz
Serás essa inocente e doce flor que me prende
Que dança um tango numa inocência infantil perdida
Ornada pelas tuas pétalas que irradiam de amor!


És a minha tulipa perfumada; amada e desejada
Espalhada por um manto, ornando os campos
Um cobertor de cores fulgentes e translúcidas


Podes ser qualquer flor, pela tua beleza … dada pela natureza!
Sejas tu uma violeta, num tom de primavera ou um símbolo de fertilidade.
Sejas até uma orquídea rara que representa a liberdade do amar.


Sê a flor que querias ser,
Busca sempre o teu querer
Radiosa; imponente e só minha!
Serás sempre a flor … a minha flor
Aquela que aplacará a minha dor … de amor!


João Salvador – 17/09/2011

Frases soltas (1)



- Nunca valorizes aquilo que não é valorizável.

- Na falta de argumentos o ignorante derrotado, refugia-se em delações infundadas, para justificar o seu próprio insucesso.

- A satisfação plena é uma busca inalcançável, pois o ser humano é insaciável.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Dúvida


A dúvida em ti reside
Impregnada na mente
Irrigando o pensamento
No limbo do esquecimento


São insónias, que abalam
São pesadelos que se calam
São sonhos ardentes
São delírios quentes …
Que acompanham o suplício
Numa noite sofrida de dúvida


Mas esta depressa se esfuma
Voando ao sabor da bruma
Sem direito e sem tino
Quão duro é o destino!


João Salvador – 10/10/2011

domingo, 13 de novembro de 2011

Amor desejado



Perdi-me nos teus lábios
No contacto da tua pele
Naveguei no teu olhar
Senti o amor transbordar

Um arrebatamento de dor
Um aperto almejado
Um sofrimento adocicado
Há tanto tempo esperado

Aspirei o teu perfume
E toda a tua virtude
Fiz de ti, algo de mim

Um sentimento que é belo
Cantado em harmonia
Derramado em poesia


João Salvador – 12/11/2011