segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Mar de sentimentos


Alimentas lágrimas salgadas, na vastidão de ti.
Chicoteias as rochas, que atormentas sem descanso,
desgastando sentimentos perdidos nos corações empedrados,
num ritmar tormentoso; incessante; tresloucado e irado.

Em dias tumultuosos, a ira de Posídon assola-te.
Deus que cavalga as tuas ondas em cristas altivas.
Dominador dos seres do oceano que engoles no teu ventre,
numa vastidão furiosa, tempestuosa mas bela!

Nem o tridente dos deuses controla as tuas marés.
És senhor de ti próprio, és supremo... és o adamastor,
que apenas a alma Lusa conseguiu apaziguar!

Vencido por teu próprio jeito, mas senhor de ti.
Por graça, banhas-te camões, poeta luso, herói da nação.
Que imbuíste de inspiração, na redenção da sua própria paixão!


João Gomes Salvador – 01/01/2011

domingo, 1 de janeiro de 2012

Penso, reflito mas não entendo …



Busco a felicidade … que já tenho, mas nunca estou satisfeito. Caminho em busca de mais felicidade, que afinal não o é. Sou um ser em constante interrogação!
Sou apenas uma forma camuflada e drogada de me sentir realizado, num mundo que não conheço, apesar de o olhar e ver. Na verdade vejo mas não vejo!
Tal visão é na verdade dispensável. Bom! Será mesmo ou apenas o desejo assim?


Esse caminho de dúvida, é um vai e bem como as ondas do mar. Um sentimento cheio mas ao mesmo tempo vazio onde nada se encontra. Dias tenho em que o espirito se encontra em plena paz e sereno, numa perfeita harmonia com o mundo; deus e os homens. Outros dias o espírito grita, exige … mudança. Busca satisfação, em futilidades, em instrumentos mundanos e sentimentos que não alimento, mas no fundo que acho que não desejo, mas que por ínfimos instantes me aprisionam nas suas correntes de aço.


Um remoinho de pensamentos, de sentimentos, onde estou atolado e de onde não é fácil sair. Uma satisfação ainda que insatisfeita, um querer ter algo e não poder ou um puder ter e não querer. Já mergulhei na minha mente à procura de respostas, mas apenas me surgem lembranças nublosas, que se desprendem em pequenos farrapos de felicidade e infelicidade.


Já fui escravo da minha mente … da vida! Serei agora um ser liberto mas preso ao meu próprio entendimento? Não me entendo, na verdade! Mas procuro a compreensão. Na realidade não deveria preocupar-me em entender-me, pois afinal o ser humano entende os seus próprios sentimentos e devaneios?


Afinal sou feliz ou infeliz? Pois, alguém é feliz na plenitude? Que raio de dilema, que o ser humano apresenta, ser sempre insatisfeito e inconstante.
Nunca me vou entender a mim próprio, no meu mais profundo sentir … no meu mais íntimo ser. Almejo deveras descobrir a minha essência?


Mas afinal que quero? Vivesse eu noutra realidade, numa realidade privada de condições exigíveis à minha própria vivência; à condição humana. Porque razão sou tão egoísta?
Alcancei muito do que o comum dos mortais almeja! Deveria então deixar o egoísmo ao ponto de pensar na felicidade plena? Felicidade que será apenas fantasmagórica e utópica, ou talvez não!


Uma constatação da alegria e realização que ninguém alcança na totalidade. A verdade é que não acredito que nenhum ser humano se sinta completamente feliz, por mais felicidade que possa ter. Penso estar certo no meu pensamento. Quem não acreditar que busque dentro de si próprio!


No meu eu, tenho dito, sou o que sou … mas quem sou? Afinal alguém sabe? Quem se conhece completamente? Será sempre uma busca introspetiva e incessante do eu; da felicidade … do ser!
Que me importa isso? Que centelha de pensamento!
Não sei e nunca terei resposta para tal.


João Salvador – 01/01/2010

Imagem: http://www.literal.com.br/_banco/img/1298820592_contemplandoodesfiladeiro_3231_1024x768.jpg

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Pinto o meu mundo


Pinto o meu mundo como belo
Dou-lhe pinceladas de cor
Curo-lhe as feridas que gritam
Apago os cinzentos da dor

Mergulho no azul do oceano
Extraindo-lhe todo o encanto
Enquadro-o numa tela
Rodeio-o à luz da vela
Com toda a delicadeza
Procuro a sua beleza

Busco no deserto das gentes
O sentimento acabado
Procuro nele uma réstia de amor
Para revigorar numa flor

Corro incansavelmente. Entro numa floresta de vida
Procuro a sua mestria, na magia que emana
Respiro com fulgência o seu aroma
Sinto-me livre e vivo para viver
Neste planeta de amor

Este é o meu mundo
É aqui que eu vivo
E dele eu faço parte
Foi aqui que eu cresci
E até agora vivi!

Este é o meu mundo
Belo e gracioso
Maltratado pelas gentes
Tantas vezes inconscientes!


João Salvador – 01/11/2011

domingo, 18 de dezembro de 2011

O Natal na minha aldeia



Regressei à tradição, ao Natal que tanto queria.
Regressei à minha terra, numa noite muito fria
Regressei à consoada, a umas mesas recheadas
Nesse banquete faustoso, tinha filhós e rabanadas

Com o azeite cristalino, regava a refeição.
Comia Polvo e batatas; couves e nabo cozido,
Não faltava o bacalhau e todas as iguarias,
Na companhia da família, em parlatório animado.

Logo passavam as horas, numa felicidade plena,
não é engano nem tema, era mesmo alegria,
na pureza de amor, de uma família querida!

Neste quadro transmontano, na minha terra Sanfins,
no quadro que emoldurei e para sempre guardei,
nesse quadro; nessa rua, no local onde cresci.

Tinha sentido o Natal, não tinha futilidades.
Nos brinquedos que fabricava,
Nos sentimentos que buscava
Na amizade que alcançava!

Era assim o meu Natal, tão belo!
Um Natal de amor, de sorrisos e de verdade!
Tenho saudades, dos Natais que ali vivi!


João Salvador – 13/12/2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Descobri



Descobri que o amor esteve sempre aqui
Descobri que nunca fugiu de ti
Descobri que sofres-te e que choras-te
Descobri que sempre me amas-te!

Belos momentos promissores e ilusórios
Passados debaixo de uma ténue teia de palavras
Locuções belas, sentidas; marcadas e ansiadas
Saborosas, mas amargas que azedaram como fel

Um tempo de adolescência sonhadora, mas adulta,
Regredida pelo tempo, banhado por lembranças.
Esperança de um amor eterno e de uma vida …

Sumida nas vidas perdidas,
Nas vidas crescidas,
Nas dores sofridas!


João Salvador – 15/09/2010


sábado, 10 de dezembro de 2011

Felicidade? (Acróstico)



F elicidade, terás que ter
E mbalada no teu amanhecer
L ágrimas que derramas
I ndignas e me enganas
C ompreendia o teu querer
I ndecente instrumento que usas
D antes que buscavas?
A mor e felicidade
D or ou realidade?
E nfim … dou-te a verdade!


João Salvador - 06/06/2011








domingo, 4 de dezembro de 2011

Anjo do tormento



Foi nas tuas asas de anjo que o poeta se perdeu
Nos teus braços longe daqui, ele endoideceu
A tua auréola ofuscou-lhe os sentidos, entorpeceu-o
Enviou-o para um longínquo amor inalcançável


Anjo que lhe iluminou a tristeza, por momentos
Rápidos que passaram, mas acalorados e sentidos
Sonhos perdidos, recuperados por ínfimos instantes
Sonhados, sentidos e aproveitados até à exaustão

Anjo alado do tormento, que apaziguou o sofrimento
Não evitaram as lágrimas que escorreram da tua face
Lágrimas corrosivas que te apagaram a alma e te sugou a vida


De todos os sentimentos que alimentou o teu anjo
Guardas aquele miserável instante de prazer numa fantasia perdida
Um sonho dolorido, atormentado, golpeante mas desejado …



João Salvador – 01/12/2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ver-te chorar


Estás triste meu filho.
Choras inconsolavelmente
A realização do sonho que não o foi
A meta que não alcanças-te
A primeira amargura da vida …
Uma aflição, um aperto


A tristeza em ti mata o meu coração
Ver-te triste, uma ilusão que caiu
É uma dor que partilho … que me flagela
Que me sangra em jorros de angústia


És um fruto em formação …
Ao sabor da desilusão,
Uma realidade nua e crua!
Impiedosa ….


Ainda que criança,
Não te esqueças
Que, existe a esperança
De uma vida …
Uma herança!



João Salvador – 06/09/2011

Nota: Poema dedicado ao meu filho Rafael Salvador. Que a vida lhe sorria sempre, na esperança que os valores que lhe transmiti o façam um homem bom, com valores!

Pintura intitulada O menino que chora.
A título de curiosidade, refira-se que a autoria da pintura é atribuída a um artista chamado Bragolin e faz parte de uma colecção de 28 peças sempre com o mesmo motivo: crianças a chorar.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Escrevo e sinto


Escrevo prosa ou poesia
Faço rimas que purifico
Conteúdo que me toca,
Que mais me importa?

Deslizo pela minha mente
Efervescente de vida
Latejante na procura
De aventura … na loucura!

Escrevo …
Quero expressar
Melodiosas palavras que verto,
Do meu pensamento

Extravaso-as
Lanço-as
Grito-as
Dito-as,

Escrevo ...
os sentimentos!


João Salvador - 20/10/2011

domingo, 20 de novembro de 2011

Descrevo-te numa flor



Procuro descrever-te numa flor
Esquadrinho e observo o teu corpo
O teu regaço …
Observo a tua beleza, o teu íntimo ser


És um lírio branco purificador da minha alma
Um anjo alado que me enfeitiça e que cobiço
Voando num prado de céu que flutua ao vento


És a margarida … reinante num núcleo de sol e luz
Serás essa inocente e doce flor que me prende
Que dança um tango numa inocência infantil perdida
Ornada pelas tuas pétalas que irradiam de amor!


És a minha tulipa perfumada; amada e desejada
Espalhada por um manto, ornando os campos
Um cobertor de cores fulgentes e translúcidas


Podes ser qualquer flor, pela tua beleza … dada pela natureza!
Sejas tu uma violeta, num tom de primavera ou um símbolo de fertilidade.
Sejas até uma orquídea rara que representa a liberdade do amar.


Sê a flor que querias ser,
Busca sempre o teu querer
Radiosa; imponente e só minha!
Serás sempre a flor … a minha flor
Aquela que aplacará a minha dor … de amor!


João Salvador – 17/09/2011