domingo, 16 de junho de 2013

Névoas


Névoas pairam nos bosques
Estrangulando a visão da floresta
Incólume à força do sol que procura dissipá-la
Enraíza-se sem pudor no coração das gentes
Torna-os inanimados … insensíveis
Mata-os para a vida
Suga-lhes o sentimento
Mergulhando o amor nas trevas!

Tentativas vãs (ténues sem convicção)
Lutam contra as medonhas névoas
Sentimentos ousam florir nos campos
Personificados nas flores da paixão,
que desabrocham envergonhadas
Irradiando luz, ofuscando por momentos a escuridão

Mas logo as trevas as tragam, consumindo-as,
lançando-as no abismo da incompreensão
Matando-as, num túmulo frio sem vida

A esperança reside na pureza do sentimento
Apenas a esperança conseguirá vencer tais névoas:
O amor incondicional,
A paixão arrebatadora

Esses sentimentos farão o sol brilhar
As névoas dissipar
Os campos brilhar
A vida brotar
O amor ganhar!
 

João Salvador – 02/01/2013

domingo, 9 de junho de 2013

Vento impiedoso


O vento passa gritante …
Corta o ar com o fio da espada
Trespassa corações incautos
Rasgando-lhes a réstia de amor

Dilacerante sofrimento,
que agoniza teu ser.
Preenche-se de mágoa
Sente-la presente,
dor que não cessa …
Apaga a alma para o amor!

João Salvador – 05/01/2013

sábado, 1 de junho de 2013

Amor sentido


Estejas onde estiveres
Vivas onde viveres
Voes para onde voares
O amor que cinzelas-te
No peito da minha alma,
Gravado a ferro e fogo
Jaz ali adormecido
Acordado pela nostalgia
Guardado no cofre da vida


João Salvador – 7/04/2013

sábado, 25 de maio de 2013

Dor da alma



Extravasais as dores da alma negra que chora calada,
Soluça pensamentos inconstantes que dilaceram o sentir!
Questões empíricas voam sem resposta, adormecidas na apatia das palavras ditas que percorrem as feridas humanas.
Trilham-se caminhos curvos, contornando destinos que se buscam, ainda que não se procurem.
As dores da alma, quem não as sente?
Que tormentos naquelas verdades que trespassam a carne já de si demente!
Uma réstia de racionalidade faz acordar esta alma adormecida, mas que sente os impulsos dos sentimentos alheios que o golpeiam de alegria ou de tristeza.
Sentis que nada tendes, sentis névoas do passado, fantasmas que rasgam o céu, inundando-vos o pensamento de devaneios loucos, memórias que quereis apagar!
Acordes de violino percorrem o horizonte, tocando melodias que arrepiam todo o ser, alimentando-o dos mais variados pensamentos … prazer, ódio, revolta, tristeza, amor … impotência em ajudar … ajudar-se!
Não procurem entender, o que não é entendível. Vós próprios, no mais recôndito e longínquo canto da vossa alma, desconheceis quem sois e o que sentis realmente … assim o sente o poeta!

João Salvador – 25/05/2013


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Luz da alma



No momento em que a alma se apaga
Apenas a luz do amor ilumina as trevas
Resgatando às turvas águas da dor
Uma vida que irrompe em esplendor!

João Gomes Salvador – 01/05/2013

domingo, 12 de maio de 2013

Amizade comprada



És meu amigo?
Tens a certeza?
Oscula o teu coração.
O meu bolso está vazio
O teu cheio e recheado

Dizes que isso não importa
Estás enganado amigo!
Olha que a amizade não cultivada
Irriga diferenças que se adensam
Num modo de vida fútil e vazia.

Então vê amigo:
Vais ao cinema, eu vejo em casa
Vais jantar fora em janto em casa
Vais fazer comprar, eu não compro nada
A tua carteira está cheia a minha vazia!

Não te acompanho
E tu afastas-te
Não vês o porquê
Nem o questionas?
Não queres saber a razão?

Amizade não se compra meu amigo
As amizades cultivam-se; sentem-se
Os sentimentos regam-se; alimenta-se
Acarinham-se, trocam-se.

Ter uma carteira cheia
Compra muitos amigos, isso é certo
Dá-te conforto nas futilidades,
Alimenta-te nas vaidades,
Mas ofusca-te nas verdades!

Mas são esses amigos que tu queres?
Cai na desgraça que logo os perdes
Cai na miséria, logo se esfumam
Perde a carteira, que logo os vês!

Mas olha amigo, apesar da carteira vazia
Tenho aquele espaço cheio de pura amizade.
Estou aqui, para te dar ânimo
Libertando-te do suplício que é o calvário da tua existência!

João Salvador – 18/12/2011

domingo, 5 de maio de 2013

Tempo para partir – Simbiose entre o espírito e a alma



Momentos de reflexão, levam à ponderação!
Momentos na vida que se agita …
Momentos que pedem paz de espírito …
Momentos em que a mudança é balsâmica

Todo o ser humano precisa de tempo …
Tempo para se conhecer
Tempo para auscultar os cantos mais obscuros da alma!
Tempo para estudar os seus devaneios …

Na verdade “Há um tempo para partir, mesmo quando não há um lugar certo para ir”.

Que importa o destino?
Importa tão só, alcançar a paz que tanto se almeja
Procurar-se a fuga ao cinismo; à ironia; à falsa amizade …
Procurar-se uma vida harmoniosa,
Procurar-se a simbiose entre a alma e o espírito
Procurar-se a tranquilidade nesta floresta da vida
Cujos ramos nos sufocam diariamente
 E tu sofredor, que procuras tu?
Não será tempo de te questionares?

João Salvador – 05/05/2013

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A inveja - Fio condutor para a destruição humana




A inveja é um sentimento ruim e destrutivo, conduzindo quem a sente ao abismo do cinismo; à hipocrisia aos falsos sorrisos; à sua própria destruição, ainda que não tenha essa consciência.

Viver num ambiente poluído por tais sentimentos desgasta a sanidade mental que habita naqueles que procuram ser puros e leais, mesmo que envenenados pela inveja ou por qualquer outro sentimento torpe e fútil.

Procure limpar a sua alma de tais sentimentos negativos, veja o que de melhor tem o ser humano, busque em cada um o melhor que deles pode tirar, humanizando-os com a sua pureza de sentimentos!



João Gomes Salvador – 01/05/2013

domingo, 28 de abril de 2013

Palavras mudas



Vislumbras seu rosto no tempo
Dissipado pelas marés do momento
Resgatado pelas mãos do poeta
Cujas memórias procura manter!

Escreve doces palavras de ti
Aquelas que cobardemente calou
E que tanto rogavas ouvir
Pronunciadas pelos lábios traídos.

Procuravas sentir os amores negados
Pela madrasta vida que os roubou …
Contrariedades que apagaram o sorriso
E te fazer agora viver paixões sem amor!

João Salvador – 27/01/2013


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Privado do teu sorriso (Poema de amizade)



Acordei de manhã
Não vi o sol brilhar
O céu estava triste
Algo mudou!

Segui os meus próprios passos
Esperançoso em encontrar-te
Ali chegado, atingiu-me a desilusão
O teu sorriso havia sido levado

A tua presença da qual fui privado
Fez-me sentir um homem triste
Não fui premiado, como o era com o teu sorriso
Uma alegria contagiante, com que brindavas a manhã
Surge agora apagada da minha visão

Saudades …
Da tua presença,
Do teu sorriso,
Da tua meiguice
Da tua amizade …

Entendo-o, vida. Continuas correndo incansável
Mas privaste-me do meu sol da manhã!

João Salvador – 26/04/2013

(Para ti amiga Sílvia Silva – Desejo-te muitas felicidades nesta nova etapa)