domingo, 15 de dezembro de 2013

A hipocrisia dos crentes


Que não se iludam os crentes
Pensadores do destino
Filósofos da vida desconhecida
Que sabeis vós?
Nem sabeis quem sois
Nem sois quem sabeis

Em ti habita um velho ser,
que em tempos foi criança
Um ser experiente, que rumou numa vida errante
Trilhador de caminhos sinuosos
Que vê além de seu umbigo,
Para lá da sua própria sombra!

Alguém que alcança para além da alma,
Afastando a carcaça vazia de quem é!
Não é crente
Não é pensador
Não é filósofo

É um ser humilde
Calejado pelo tempo
Sabedor do que não sabe
Apesar de saber que sabe
E tu?
Afinal que sabes tu,
Que divagas perdido no universo?

Um ser hipócrita que cultiva o desprezo?
Um ser altivo a quem o sentimento não alcança?
Bom se és tudo isso … então és nada!
Apenas um ser … sem alma, perdido …
Um ruminante errante, alheio ao mundo!



João Salvador – 07/12/2013

sábado, 7 de dezembro de 2013

A tua sombra

Vivo as ilusões dos sonhos perdidos
Vivencio a sombra do verdadeiro amor
Acompanho caminhos trilhados pela alma gémea
Sinto um amor que a vida em mim matou!

Observo, escuto e sofro em silêncio, por ti e por mim
Hoje resta-me apenas um trapo de retalhos
Um coração estilhaçado por sonhos quebrados
Sangrando a doçura do amor longínquo



Vejo-te contemplativa, sentada nas rochas
Esvoaçando teus cabelos, acarinhados pelo mar!
Numa cumplicidade selada pela compaixão
Libertas ao vento o perfume que outrora senti

Olhas com um olhar vazio, escondido pelas sombras
Um destino que não escolhemos, mas reservado
Pedes a paz para a tua alma agitada, mas …
Vives como vivo, alimentando um amor morto, mas doce!

Uma tumba fria foi-me reservada em vida
Ornada com um relicário onde guardo minhas cinzas
Deposito nele os sentimentos amordaçados
Na esperança de ressuscitar no além o amor que te neguei!


João Salvador – 07/12/2013

Acompanhamento:
Canção do mar - Dulce Pontes

Amigos?


Dizes-te amigo, mas não o és!
Que raio de amigo és?
Define-te …
Assume-te nas horas das trevas

Nas horas do paraíso, segues a felicidade
Bebes o mesmo vinho
Comes o mesmo pão
Usas a mesma mesa
Empanturras-te nos fáceis sorrisos

Quando surge a escuridão …
Não bebes o vinho, temes o veneno
Não comes o pão, temes engasgas-te
Não choras suas lágrimas
Temes a amargura

Que amigo é aquele que te abandona?
Que amigo é aquele que te vê triste,
Dilacerado em sentimentos que te
Rasgam a alma e nada faz?

Que amigo é aquele que te priva da sua luz?
Que amigo é aquele que te nega um sorriso?
Que amigo é aquele que te nega uma palavra de esperança?
Que amigo és tu?


João Salvador – 02/09/2013

Rugas do tempo


Observam-se os anos que passam
Rugas que surgem
Memórias que se perdem
Palavras que se esquecem

Caminha-se lentamente
Para um destino conhecido
Um ciclo que decorre
Traçado pela natureza humana

Não adianta combater
Algo que não consegues vencer
Mas não deves resignar-te ao destino!

Podem os anos vencer mas abraça-os
Com sabedoria pela experiência que te deram

Vive, dia após dia
Sabiamente
Sorvendo o sol que te ama
A chuva que te afaga as lágrimas
O vento que te acaricia

Os sorrisos premiados
Os afagos, os abraços
Os sentimentos mais belos

Usa-os, alimenta-os
Enobrece-te de amor
Ainda que te vençam os anos
Vive-os intensamente
Pois só terás uma oportunidade
Depois …
Será tarde demais!


João Salvador – 01/08/2013




Virgindade na dor!


Dilacera o coração
Do pai que ama
Da mãe que chora
Da família que entristece

Quando a notícia surge
O corpo gela
A respiração abranda
Tudo fica suspenso … na dor!

Finalmente, a dor apazigua
Do pai que ama
Da mãe que chora
Da família que entristece

Um susto,
Que gela as almas
Daqueles que amam
Dor sentida
Agora adormecida

Ver-te ferido
Ceifou o coração
Mas o sofrer esse matou
A inocência da tua juventude

Sentes agora dor
A realidade dos gritos
As queixas do corpo
Dores que sentem
Também aqueles que amas

Impotência …
Pequenez …
Desorientação …
Dor de amor …

Assim sentem os pais
Perante as dores
Dos filhos que amam!

João Salvador – 07/08/2013



sábado, 23 de novembro de 2013

Palavras de revolta


Nasceu num dia cinzento
Parido pela indignação
Alimentado pela frustração
A ideia da revolta!

Garbosos seres caminharam
Lado a lado pela nação
Olhando para os céus orando
Aguardando a revolução!

Seus filhos clamavam
Suas mulheres choravam
Seus pais finavam

Seres que lutam pl’a sua prol
Contra a hipocrisia que reina
Num reino sem salvação!

Erguei-vos filhos lusos
Arregaçais as mangas
Suai a indignação

Arrancai os biltres do pedestal
Os hipócritas e os corruptos
Purgai com urgência a terra de vossos pais!


João Salvador – 23/11/2013

Espectativas


Expectante estava o poeta
Ansiava sua chegada
Sonhava o pecado
Horas a idealizar
Buscava a perfeição
Num encontro procurado

Afinal, nada foi o desejado
Desilusão …
Talvez sim, talvez não!
Desfecho previsível
No íntimo do sonhador!


João Salvador – 02/09/2013

sábado, 2 de novembro de 2013

Fechado no quarto dos sonhos


Fechado no quarto dos sonhos
Preso entre quatro paredes,
Fluem pensamentos perdidos,
Outrora guiados por jovens corações!

Certeza longínqua,
Resignação,
Renúncia de um amor
Ilusórias promessas

Esfumado horizonte …
Sonegação de sonhos,
Tragados pela existência
Marcados pela crueldade da vida!

Questiona-se o poeta:
De que lhe valem os sonhos sonhados,
se não realizados?

És cruel ó realidade!
Apesar da dor que provocas
O sonho vale pelo instante
Pelo prazer da ilusão
Ou tão só pelo amor
Sonhado …
Ainda que não realizado!


João Salvador – 1/09/2013

sábado, 26 de outubro de 2013

Verdade existencial


No horizonte longínquo,
Alcanças a verdade existencial.
Uma verdade gravada na silhueta de ti
Uma verdade que emanas através do amor dos seres que dominas e amas!
Nutre-te o sol …
Nutre-te o amor …
Sejas eles de seres irracionalmente racionais que não pensam,
Sejam eles de seres racionais e inconstantes,
Todos espelham emoções,
Emanam vibrações de luz que indicam o rumo a tomar.
É algures no meio dessa luz que vagueia a verdade.
É ali que buscas as soluções para as perguntas formuladas e para os desígnios universais para os quais a tua existência procura obter resposta!


João Salvador – 07/08/2013

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Juntos somos caminho


Juntos somos destino num só caminho!
… somos sonho
… somos sol e somos chuva!
… somos um só, somos lua
… somos harmonia
… somos amor puro
somos uno!

Tudo o somos, mas nada o somos
Só o seremos se formos um!

O romper do elo que nos une,
Ditará o desabar do mundo perfeito
O errante caminho para a perdição
O desastre de dois corações carentes

Pois …
Quando o amor cessa, a paixão desvanece
A alma enlouquece … tudo padece!

Resta a dor …
A morte dos sonhos … do que fomos!


João Salvador – 2/09/2013