A poesia é um bálsamo para a alma. Neste cantinho eu navego por um mundo que construi e que me transmite paz. É para mim um refúgio onde o imaginário e o gosto pelas palavras me inundam e me fazem sonhar. Quem não precisa de sonhar, num mundo cada vez mais cinzento? Sejam bem-vindos! Visite ainda o meu blog: http://joaogomesalvador.blogspot.pt/
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Sente o que sente o poeta
Esqueço hoje a desilusão, quero vida!
Recordo apenas a alegria do beijo roubado
Do calor do teu corpo húmido e quente
Dos corpos enlaçados que se amaram
Busco apenas memórias fulgentes
Momentos ínfimos ou não que alimentem
Toda a alma carece de carinho e amor
Ainda que o não diga, o poeta ama e sente!
Assim o sente o leitor que se deixa absorver
Que devora cada letra, cada palavra, cada
verso
Electriza os seus sentimentos vivendo as
palavras
Sente as memórias de outrem como suas
Chora com o desalento …
Entristece-se com o tormento …
Alegra-se com o sorriso
Enche o coração com paixão!
Tudo devora quem sente
Sente o que compõe o poeta
Sê quem escreve,
Pois quem escreve sente!
João Salvador – 29/12/2014
sábado, 25 de janeiro de 2014
Amor cristalino
(Imagem retirada da Internet)
Deitado sobre as águas paradas
Deslizo, aconchegando meu corpo
Acariciado pela humidade sentida
Que me beija com mãos trémulas
Das profundezas do lago surges tu
Envolta num manto de amor cristalino
Desejosa em tocar meu corpo húmido
Banhado por águas translúcidas que fecundas
À superfície, sacias teus vícios nos meus
Lábios que se juntam em desmesurada paixão
Apadrinhada pela água que lava os pecados
Sobre o céu azul e tendo por lençol às águas
Perdem-se os amantes em subtis carícias
desejadas
Amando-se loucamente, na urgência do agora!
João Salvador – 25/01/2014
sábado, 18 de janeiro de 2014
Iniquidade na morte do amor
Inócua é a morte em vida do amor, carregada
nas almas daqueles que caminham quais fantasmas, desconhecendo o calor do
sentimento rejeitado!
João Salvador – 28/12/2013
Caminho temeroso
Temeroso é hoje o caminho que o futuro
reserva à humanidade (uma humanidade que cada vez é mais desumana), mas mais
tenebroso o é no que aos nossos filhos respeita.
Um destino que se prevê repleto de
dificuldades e de obstáculos quase intransponíveis mercê da inexperiência que a
vida hoje lhes proporciona, muito por culpa do manto protector ao qual os
subjugamos.
João Salvador – 26/12/2013
Mundo dos desejos
Sigo o caminho de um destino traçado
Escolhido pelo rumo que a vida ditou
Amargurado pelas agruras sentidas
E pelas palavras que tua boca selou
Ainda assim resignado sigo pensando
No que é e não o foi …
Se o ser não é pior do que o que seria
Viajo pelas sinuosas curvas da mente
Remeto-me para uma outra dimensão
Para um mundo imaginado, onde tu habitas!
Uma constelação onde és a estrela que brilha
Onde teu corpo é meu veneno que absorvo
Local de deleite e de luxúria onde o é deixou de ser
Ali não é o foi mas o é, o agora, o já
Nesse mundo és tão real, tão minha
Toco-te, beijo-te amo-te, és mulher real!
Uma dimensão cheia de luz e esperança
Um amor cristalino vivido por nos dois
Onde os corpos se fundem num só
Onde a paixão absorve as sensações
Lugar, onde os amantes trocam carícias sem pudor
Onde suas línguas se entrelaçam
Onde os sonhos e os desejos se realizam
Um mundo apaixonado, no qual me perco!
João Salvador – 21/10/2013
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Saberá um dia a razão?
Tu, ó mulher, não perguntas o porquê?
Despreza teu orgulho a explicação
Saberás algum dia a razão
Da frígida palavra pronunciada?
Nunca saberá ele próprio a razão
Apenas que algo levou a amar-te
Sentimento hospedeiro que não extingue
Amor … memórias, palavras e dor!
Hoje a razão impera sobre os desejos da alma
Ali, escondido pela capa da desilusão,
o coração não tem lugar,
Afinal essas mesmas palavras que vos uniram
Foram as mesmas que vos separaram!
João Salvador – 29/12/2013
domingo, 5 de janeiro de 2014
Cegueira humana – Divagação e dissertação
Com os olhos com os quais fui brindado, vi
nascer o dia, como havia visto nasceram muitos outros, este, o de hoje particularmente
cinzento, triste e sem cor.
O vento combate diabolicamente os obstáculos,
fustigando portas e janelas, debatendo-se corajosamente, invadindo os lares
através das frinchas que lhes cedem, apoquentando o descanso das gentes.
As nuvens surgem carregadas pela negridão,
prontas a desabar uma bátega tempestuosa, sobre as nossas cabeças, lembrando-nos
que a natureza também se enfurece, revoltando-se contra os maus-tratos de que é
sujeita. Rebentam repentinamente, largando os seus raios selváticos sobre a
terra, iluminando o olhar de quem os mira, intensificando-lhe o brilho.
O olhar, presenteado pela luz dos relâmpagos,
denuncia um translúcido e límpido espelho que nos transporta para a verdade
escondida nos recônditos cantos da nossa alma, onde os mistérios se confundem
com os sonhos irrealizados.
A visão, um bem precioso com o qual fomos coroados
e que nos permite saborear as perfeições e imperfeições mundanas, a natureza e
a nossa própria beleza e seus defeitos (goste-se ou não).
Através do olhar absorvemos as cores, os
movimentos subtis das curvaturas suaves da nossa amada, bebemos o seu olhar que
nos trespassa e arrepia, provocando-nos desejos carnais, inenarráveis, mas
deliciosos.
É sobre o olhar e sobre a visão que me
debruço, esse bem sensorial, que todos usamos mas nem todos o temos e utilizamos
em toda a sua plenitude, olhando e vendo verdadeiramente.
Quantos não passam diariamente pelo mesmo
local mirando o pedinte estropiado que sentado à porta do supermercado, jaz ali
esfarrapado, lançando o chapéu roçado à frente de seus pés pedindo uma moeda
para comer. Quem se preocupa em olhar nos olhos desse pedinte e lhe procura
estudar a alma, o que sente esse homem, será um pedinte ou um engodo para espoliar
umas moedas às almas mais sensíveis e caridosas? Estudam as suas mãos para
verificar se estão maceradas de sujidade, ou demasiadamente bem tratadas para
saber-se estar perante um pedinte ou um chico-esperto?
De que servem os olhos aqueles que caminham
olhando mas nada enxergam, passando-lhes os pormenores ao lado, pois olham, mas
não examinam, não pesquisam, não sentem com o olhar daquilo que deveriam ver e
não veem.
Em bom rigor todos somos cegos, olhamos cada
vez mais para o eu, para o quero, para o bem-estar pessoal. Vivemos uma espécie
de cegueira onde existe apenas o eu sobrevivente que se fecha às emoções que o
rodeiam, cerrando os olhos para não sermos atingidos pelo mal alheio, que tanto
receio provoca na sociedade atual. Apregoamos e pronunciamos aforismos;
palavras; poesias lançando belas palavras que o recetor quer ouvir, mas não aquelas
que deveria ouvir. Todos querem olhar os lábios de quem amam, ou assim o pensam
e ouvir a pronúncia de belos momentos que se avizinham, mas que não traduzem em
atos. No fundo através da sua cegueira mental, lançam as trevas na sua alma,
cegando o próprio amor que daí deveria alcançar o ser amado!
Ainda que a cegueira branca provoque o caos,
ainda não entendo como seres pensantes que somos, nos deixamos contagiar.
Qual a causa para a súbita cegueira narrada
por José Saramago e que procuro deslindar no meu entendimento? Entendo hoje que
tal cegueira se deveu com alguma certeza, ao esvaziamento da pureza de
pensamentos, dos sentimentos corrompidos, ao excesso de oferta e banalidade em
que se tornaram os sentimentos, bem como pela facilidade com que se mata o apregoado
amor – ou o que se julga ser esse sentimento que foi tão nobre.
Todos deambulamos por cidades, vilas e aldeias
imaginárias, cheia de tudo, mas onde reina o nada, desprovidas do mais básico
sentimento humano. Os pormenores, as cores, a identidade e a vida foram
enfraquecendo, apagando-se como se da chama de uma vela se trata-se. Tudo
porque vivemos olhando, mas nada vemos.
Hoje já não nos basta, para enchermos o peito
de felicidade, o deleite com o mero sorriso de uma criança, o cumprimento de um
vizinho, o abraço de um amigo, o beijo de uma mulher, isso não chega para
derrubar as barreiras de uma indiferença mental e sentimental que nos está a
cegar aos poucos sem nos darmos conta de tal.
Temo a queda do amor, cego por olhos que nada
veem e morto por corações que não sentem!
Temo a perdição da alma, cuja cegueira apagou
seus traços de humanismo, lançando-a nas trevas mais profundas dos sentimentos
perdidos.
Temo esta cegueira que persegue os
sentimentos, estamos a ficar cegos para o amor, aquele que serve como combustível
para a vida; aquele amor que faz a engrenagem do nosso corpo funcionar, que
alenta os carentes e apazigua os apaixonados.
Temo a visão de um mundo que vê hoje sem nada
ver!
sábado, 4 de janeiro de 2014
Tu és Pedro ela Inês
Pedro vives na corte,
mergulhado na obscuridade da noite
Uma vida de rebeldia num
reino que jaz à deriva
Boémio, és o homem do reino,
mas tu sentes-te vazio
Desconheces a natureza do
amor, para além do corpo
Sacias teus pecados carnais
nas damas da corte
Mas choras os pecados da
alma que não sentis
Desconheceis a chama intensa
do amor que alimenta
Viveis desnutridos do
carinho da mulher que não vês
Percorreis vosso reino
entristecido, buscando-a
Montado no cavalo vides
o sol a rasgar os céus
Iluminando o caminho com
uma presença angelical
Vistes a silhueta da mulher
que será a salvação
O alento enche o coração,
aquece o sangue, ali está Inês
A mulher que buscáveis para
salvar a alma da perdição
João Salvador – 26/12/2013
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