sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Explosão de amor

Quantas palavras guardadas?
Quantos silêncios murmurados que não dizes?
Que desejos encerra o amor na prisão da alma?
Turbilhão de sentimentos …
Jorros de vontades …
Explosão de querenças, não se contêm mais,
Enlouquece com a presença da mulher
Que se passeia aos olhos do louco!

Sente a racionalidade a consumir-se
A paixão assenhora-se de si!
Prestes a detonar, a gritar …
Não mais quer conter-se …
Busca o pecado angelical
Ama-a loucamente

Por medo não o diz
Por cobardia arrasta a dor,
Que lhe atormenta a ferida
Aberta no coração!

Sorrisos já não lhe chegam,
Contenções … consomem a alma!
O momento é chegado,
Assenhorou-se do seu destino …

Abeirou-se daquela mulher
Que lhe povoou as memórias …
Tomou-a com voracidade em seu braços,
Beijou-lhe o corpo, devorando-a com sagacidade
Explorou cada recanto sonhado
Perdidos na paixão do desejo …
E amou!

João Salvador – 03/10/2014

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Deusa lua


No alto do púlpito celestial
Olhas os escravos que rastejam a teus pés
Libertas a luz que roubas-te ao sol
Enfeitiças os homens com promessas de amor

És a sua alma
Em todas as fases dás-lhes o teu amor
Brinda-los, com a felicidade que não conheciam

Na chama da tua presença
Olhando o céu estrelado
Dás coragem às gentes
Para se libertarem das correntes
Das dores sentidas
Que os subjugavam contra a sua vontade

Deusa dos tempos
Musa de poetas
Senhora dos mares
Prometeste-lhes o perdão
Destes-lhes a redenção!

Olhas do céu a tua obra
Vês agora o homem liberto
Outrora escravo, preso às amarras
Que ele próprio criou


João Salvador – 23/08/2014

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Lábios do querer


Ah!
Esses lábios carnudos,
Lábios de desejo,
Prisão do meu sofrer,
Perdição da minh’alma
Naufrágio do meu querer
Bote da salvação
Provoca o âmago da minha perdição!

João Salvador – 29/09/2014

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Alma que baila


A luz que emanas da áurea translúcida,
ilumina a alma carente,
uma energia que baila,
perdida na saudade da palavra escrita.
Letras … quentes alimentam o coração que ama.
Um coração rendido à imagem da misteriosa musa,
A arrebatadora,
a mulher que beija a aura da vida,
Uma mulher que deixa o homem demente!

João Salvador – 29/09/2014

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Busca pela vida - Pensamentos

A vida esconde em si muitos mistérios indecifráveis, como o é a constante busca para a descoberta da luz que nos conduza à iluminação, ao desmistificar dos segredos escondidos na alma e dos sentimentos que navegam o coração!
Será uma graça divina ou do acaso que nos permite contemplar o nosso próprio ser»? Ou será através de uma busca incessante na procura da palavra que nos define, e que nos traduz quem somos, no fundo buscamos o vocábulo que personifique o universo que habita no interior do cofre onde pernoita adormecido o “eu”.
Meditam buscando respostas, os filósofos, escritores, letrados, cidadãos comuns e todos aqueles que querem respostas para a sua existência e do universo que rasga a nossa imaginação, colocando questões que apenas abrem a porta a novas interrogações, numa cadência desenfreada que apenas apoquenta os nossos pensamentos – mas não é isso que buscamos?
Mas tal não aumenta apenas a ansiedade nas almas que buscam algo tão simples como uma existência serena, pacifica e cumprindo o ciclo da sua breve existência, sorrindo, alimentando-se de pequenos gestos, carinhos, vivências que façam transbordar o seu cálice de felicidades terrenas?
Que buscam as religiões e os homens na sua generalidade? Não será que buscam também a paz interior, o bem, a corrente de harmonia que percorra todos os seres que nos rodeiam em determinados momentos, espalhando a paz e o amor indiscriminadamente, alcançando na terra o paraíso?
Nada dará mais prazer que o sentimento do bem-fazer, da entreajuda, da doação de um amor cristalino sem nada exigir … apenas saber que quem queremos bem é feliz à sua maneira, mesmo que não o seja com quem desejamos!
Busquemos as respostas, através da introspeção, da meditação, da oração (no caso de crentes – seja qual for a religião ou credo que professe), das ações … nunca devemos parar de buscar a luz que alimenta a alma dos seres que sofrem, mas desengane-se quem pensa que irá descobrir em si as respostas … somos seres muito complexos, cujos sentimentos se cruzam num puzzle com becos intermináveis, alguns solúveis outros talvez não!
Por isso amem, sejam humanos, solidários, sejam felizes, busquem mas não se percam, sabem qual é o objectivo principal? É esse mesmo … vivam sem medos, pequem quando tiverem que pecar, arrependam-se quando tiverem que o fazer, sorriam, divirtam-se, amem quando tiverem que amar. Sofram apenas se tiver que ser, quando tal ocorrer libertem as trevas que vos apoquentam a alma e aprisiona os vossos corações, gritem, chorem e depois ergam-se e busquem novamente a felicidade, mas nunca desistam de amar, mesmo que tal sentimento seja só vosso, guardado carinhosamente no recanto de uma alma adormecida!

João Salvador – 21/08/2014

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Entendimento da alma


Fazendo uma introspecção à nossa alma, concluímos que nunca a chegamos a compreender na plenitude de tão complicados são os nossos sentimentos, as nossas vontades, o nosso querer ... seria bem melhor que as coisas fossem tão simples como uma conta de somar, no qual é possível apenas um resultado final!
Por outro lado, a vida não teria tanto sabor sem as inconsistências da vida ...

João Salvador – 05/08/2014

sábado, 13 de setembro de 2014

Olhar penetrante


Olhar intenso, misterioso
Em que pensas mulher?
De que se veste a alma?
Que desejos alimentam teu ventre?

Despes as defesas do racional
Conduzes a lança do cupido
A um coração doente
Que deseja a cura no amor!

Interrogativo está o poeta
Com esse olhar que o cega
Suspende a respiração, arfando …
Avidamente de desejo …

João Salvador – 13/09/2014

sábado, 6 de setembro de 2014

Despida flutua em pensamentos


Flutuas nua em pensamentos coloridos, mergulhada em memórias temperadas por doces aromas, perfumados pelas ondas do mar.

Beijam as gotículas do oceano teu corpo ardente, sequioso de amor, acariciando a alma imponente, guardada nesse corpo quente. 

Levitas com asas de anjo, passeando a silhueta de um corpo torneado, fecundado pelo sol que te possui acalorado, exibindo a sua luz sobre teu seios curvos e rijos que apelam ao pecado!

Corpo vulcânico, quente e macio, jorras de ti o desejo da perdição à muito anunciada. Libertas a imagem da loucura, provocadora, prendes quem te olha, levando-o à doce perdição de um inferno paradisíaco. 

Campo de lava que te esquenta o ventre, inquieta-te, aumentando a ansiedade da fusão libidinosa, regada com carinho e paixão!

Perscrutas o céu rogando sentir o contacto do corpo do homem sonhado. Aprisionas em ti o sol, rendido à beleza de um corpo esculpido no olimpo, libertado apenas pelas asas do teu querer!

Gritas hoje a liberdade ao mundo, sem medos, receios ou remorsos infundados, mas apenas destinas as tuas palavras sentidas, o teu corpo, o teu ser ... ao teu amor!

Apenas esse, sentirá verdadeiramente o que o teu corpo guarda, oferenda que lhe entregarás numa bandeja onde jazem sentimentos cristalinos, mas sedentos e famintos, orando pela chegada do dia em que se renderão ao contacto corporal, abrasados pela loucura visceral, numa cópula tresloucada de amor e paixão!


João Salvador - 05/09/2014

sábado, 30 de agosto de 2014

Alimentos da alma - Os sonhos e as vontades


De que se alimenta uma mente doente, quando a angústia trespassa um coração demente?
De que se alimentam os homens atingidos pela solidão de um mundo povoado, cheio de multidões vazias … no fundo sem ninguém? Alimentam-se de sonhos? De vontades?
As vontades esvaíram-se numa colina, fustigada pela erosão dos valores, que voam descontroladas sem rumo nem horizonte.
São detidas num receptáculo vedado ao destino, castrando-o, martirizando as suas intenções de viver!
Já nem os sonhos acalentados sabem se são possíveis de concretizar, tão presos que estão à guilhotina de uma vida perdida.
Vive-se sem sentir o real sentido, são um espectros de outrora. Eram seres sequiosos de vida, de conquista, de ânsia … esperando que a luz irrompesse pela vontade humana, hoje transformada em hipocrisia.
Tentam arrancar do fundo das gargantas o grito da liberdade, libertando-se das amarras do comodismo, lutando contra a sua própria preguiça em se levantarem e serem felizes!
Questionam-se o que é afinal um sonho. Não se define, pensam, cada sonho é composto por: vontades, sentimentos, desejos … ilusões, uns realizáveis outros não, dependendo muito da determinação de cada um em levar tal empreitava a bom porto.
A realização dos sonhos depende em muito do medo de arriscar (mas sem risco a vida não é vivida é apenas um respirar), ponderando a sua própria loucura em provar o doce realizar do amor, ou o azedume das desilusões!
A melancolia, a tristeza, os estados de espíritos cavernosos, insensíveis influenciam as vontades como as influenciam o amor, o desejo a paixão … o arrebatamento!
Presas numa jaula suspensa, rodeada por trevas enraizadas num mundo obscuro, esperando a decisão do júri, jazem as almas suspensas, aguardando os ditames da sua própria alma decisória que comanda o coração!
Quando tal ocorrer serão as almas livres para sofrer ou amar?

Sentimentos hibernados


A brisa do mar
Lembra o acordar de outrora …
Dos sentimentos hibernados
Incompreendidos pelo coração

Não te chega a sua presença
Vais mais além
Questionas
Suplicas

Não obténs resposta
Gritas
Choras
Morres de dor …

Um torpor
Uma solidão visceral
Apoquentam-te a alma
Queres viver o amor!

Que pedes tu?
Que sonhas tu?
És um penitente
Desesperado!

Queres …
Uma noite de paixão
Uma fusão
O desvendar da paixão?


João Salvador – 30/08/2014