quinta-feira, 5 de maio de 2016

Silêncios da alma

Diariamente, na mente gladiam-se pensamentos diversificados, 
que apoquentam a nossa alma.

Vivemos com eles, 
no trabalho, 
na vida pessoal ... 
arrastando-os nos nossos silêncios, 
nas nossas mágoas, guardando-os.

Ferem o coração e corrompem a nossa alma. 
Mas verte-los para o conhecimento alheio é matar a nossa essência, 
pois existem pensamentos que devem ser só nossos, 
Devem viver aprisionados na nossa mente. 

Partilhar não é solução. 
O amigo, fala com o amigo.
Logo o povo conhece o que te atormenta, esvaziando-te a alma!


João Salvador - 01/05/2016





A crítica e o nada fazer

Quer evitar a crítica? 
Se tiver estômago, siga à risca as recomendações de Aristóteles: fazer NADA; dizer NADA e ser NADA. 
Evita chatices, mas será sempre um NADA.
Será apenas um inútil, um imprestável! 
Ser nada é um vazio que envenena a alma, mata a consciência e suga a essência da prestabilidade humana. 
Assim, sejamos criticados por fazermos e aprendamos com os erros!



João Salvador 05/05/2016


terça-feira, 3 de maio de 2016

Barreiras do destino e da vida


As barreiras que o destino atravessa no rumo da vida, 
são muitas vezes um fardo doloroso, pesado, intransponível!

O esforço hercúleo, inumano, digno dos deuses, 
não está ao alcance do simples mortal.

Os sentimentos que lhe ferem a carne, 
esses são só seus, indivisíveis, impartilháveis, secretos, envergonhados!

São tudo aquilo, que rejeita quem ama, quem tem chama, quem compreende, quem vive. 

Mas essa carga, alguém a tem que suportar, alguém forte mas frágil, alguém corajoso mas cobarde, alguém puro mas conspurcado ....

Já não clama por ajuda, pela salvação, vive a resignação, busca o perdão, para uma alma perdida, assombrada pelos fantasmas da indecisão de outrora!

Não invejando a miserável sorte do infortúnio, esse fardo não reclamado, não desejado, é agora daquele que o plantou. É agora seu!


João Salvador - 03/05/2016

quarta-feira, 27 de abril de 2016

O meu corpo clama pelo teu

 
Respiro com sofreguidão,
as memórias do teu corpo nu!
Busco o toque perdido no tempo,
aquele prazer que me davas,
partilhado com urgência,
com vontade!

Lembras-te da união sequiosa,
alimentada pela loucura?
A nossa loucura!
Qualquer lugar era o nosso leito,
o importante eras tu e eu!
Hoje, o meu corpo clama pelo teu,
chorando a ausência da perdição!


Imploro-te mulher. 
Unamos nossos corpos nus.
Vivamos abandonados,
à loucura da nossa paixão! 

João Salvador - 27/04/2016


quarta-feira, 20 de abril de 2016

Mia Couto, sabe do que falam os homens

Os homens, vivem batalhando pela ganância, matando em nome dela, camuflando a agiotagem, arrogando-se defensores da liberdade, da religião, da política, mas apenas para justificar as suas atrocidades e os atropelos à humanidade.

O rasto que deixam é de destruição, almas irrecuperáveis, vidas ceifadas, pobreza extrema e para uma elite, o avolumar de valores materiais, que lhes cegam a visão e lhes toldam o coração, matando a própria mãe.

Infelizmente isso vê-se desde a plebe, até aos mordomos, aqueles que vivem desafogados, pisando a base da pirâmide. 
Mas nem a base sabe viver em harmonia, trabalhando em equipa para vencer a ganância, o egoísmo. 

Não saibamos viver em harmonia e logo voltaremos ao estado de selvajaria, anarquia, sem rumo e sem lei ...

João Salvador - 20/04/2016


"Encheram a terra de fronteiras, 
carregaram o céu de bandeiras, 
mas só há duas nações – a dos vivos e dos mortos."

Mia Couto, em "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra".

terça-feira, 19 de abril de 2016

Barreira de silêncio

Vives extenuado,
cansado,
perdido,
sem rumo!

Apetece o nada,
o silêncio,
o olhar que nada diz,
a mímica,
o gesto abafado!

Olhas o silêncio,
o olhar,
mas nada vês.
Esbarras numa barreira,
que não consegues derrubar!

João Salvador - 19/04/2016


segunda-feira, 4 de abril de 2016

Preciso-te tão urgente, que padeço


Tu, sim tu! 
Tens ideia das saudades que tenho de ti?
Quando olho as tuas fotos, sugo a tua beleza,
sorvo os teus lábios, toco a tua pele,
venero as tuas coxas, 
expludo de desejo.
Penso nas horas em que rasgamos o leito,
nas horas selvagens em que nos devoramos! 
Vivo aquele dia em que te pressionei contra o meu peito,
sentindo o calor dos teus seios rijos!
A vontade, a luxúria, a paixão, 

assolam-me novamente,
enlouqueço, sou demente!
Deixa-me possuir o teu templo, 

consumir a tua glória.
Beber o elixir desse cálice molhado!
Serei besta, animal, ou serei meigo e carinhoso.
Serei amante, serei tarado!
Serei tudo que desejas,
farei tudo em ti!
Preciso-te tão urgente, que padeço.
Aí, esta vontade louca, descontrolada.
Deixa-me fundir-me em ti ...
Não resistas também o queres!


João Salvador - 04/04/2015

sábado, 2 de abril de 2016

Mundo alternativo


Não entendes! Deixa-o chora, lágrimas que inundam o coração.
Desde os primórdios de uma vida errante,
Deambula sozinho, no meio de multidões disformes,
Percorrendo os caminhos de centenas de fantasmas.

Visualizava um universo alternativo, um mundo de cores,
Um local paradisíaco, onde os passos são subtis e belos.
Ali tudo é mais fácil, a felicidade vive estampada nos rostos,
Os amantes brincam, divertem-se, conversam, amam-se …

A infelicidade não entra naquele mundo secreto!
As trevas, a negatividade, não fazem parte do nirvana.
O simples facto de existir um mundo assim, ainda que não seu,
Alimenta-lhe um sorriso, aligeirando o fado que vive.


João Salvador – 02/04/2016

sábado, 26 de março de 2016

Muro do destino

O puzzle da vida é muitas vezes uma encruzilhada que não permite saídas fáceis, nem resoluções miraculosas.
Por mais que se escolha o caminho, o rumo que se acha certo, deparamos com barreiras muitas vezes demasiado altas para serem escaladas.
Mesmo assim, com perseverança, coragem e vontade, pode construir-se uma escada que nos ajude a escalar esses muros levantados pelo destino. 
Muros que muitas vezes nós próprios erguemos, ainda que na inconsciência das nossas almas!
João Salvador - 26/03/2016

terça-feira, 22 de março de 2016

Olhares do destino (micro contos)


Como ele se sentia, assim te sentias tu. Por mais que olhasse o espelho, não se via a si própria, mas apenas a uma sombra do passado. 
Como desejava voltar a tê-lo nos seus braços. Ela sabia-o longe, mas ao mesmo tempo tão perto. Não precisava de procurar no baú das recordações, pois sabia-o logo ali. Tão à mão, tão seu! 
Sentia as suas tristezas, as suas derrotas. A vida do seu amor, decorria à distância do desejo. Bastava querer que logo o teria em si. Mas que temeria ela? Quais os seus medos? 
O passado seria para enterrar, ou para viver o que não viveu? Sabia-o pronto para amar, pois a vida pregou-lhes algumas partidas, a ambos e no entanto, miraculosamente, ou por intervenção do cúpido, continuavam apaixonados ... sem se tocarem!
Cruzavam-se com frequência em sonhos, falavam um com o outro, matavam os desejos, saciavam os seus corpos nus. Percorriam os mais misteriosos recantos de uma história de amor. 

Através desse fluxo de sentimentos, conseguiam que o sangue de ambos circulasse, mantendo o coração activo, quente, com vontade de enfrentar todos os obstáculos que se lhes deparavam.
Tudo isso ela sabia, como o sabia ele e no entanto ... que esperavam? 

Na verdade bastaria que ambos fizessem um esforço, sentando-se frente a frente e se olhassem. Tudo chegaria num turbilhão de sentimentos, uma explosão de vontades, que logo se revelaria, forte e intensamente. A lava dos seus corações preencheria os vazios que agora sentem! Tudo isso se apagaria, num amar místico e só deles. 
Que mais importa além das suas loucuras? Que mais importa além do amor puro e verdadeiro que os une. Medo de uma sociedade puritana, podre, hipócrita?
Nesse dia, quando se olhava ao espelho, tomou a decisão mais importante da sua vida. Era o agora ou nunca. Pegou numa mala, colocou o essencial para a viagem e partiu para a terra dos sonhos, com sofreguidão ...
Iria vê-lo, agora, não esperaria que o destino nunca chegasse. O destino seria de ambos. O resto era o resto ...


João Salvador - 22/03/2016