sexta-feira, 25 de julho de 2014

Alma do amor


O amor tem muitas formas
É mudo, perseguido pelo pulsar do coração;
Pode estar acorrentado, a pesadas correntes, mas liberta-se;
Mesmo sufocado, sente-se;
Ainda que escondido, vê-se;

Não é a forma de amar que define o poeta,
Mas a forma como o expressa (ou não).
Vive-o calado!
Um amor proibido, que lhe habita nas entranhas da alma!
Um sentimento docemente doloroso, que fala por si.

Fala nos pensamentos …
Fala nos sonhos,
Extrai-lhe sorrisos nas lembranças vividas
Nas palavras trocadas
Nas ilusões sonhadas

O amor pode ser mudo
Mas não deixa de ser belo …
O mundo pode impedir de amar
Mas não de sonhar!
Olha nos olhos e sonha também …

João Gomes Salvador, 25/07/2014

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Insatisfação

Chego à conclusão que o homem nunca estará satisfeito com aquilo que a vida o brinda. 
Não lhe basta ter saúde; não lhe basta sentir o prazer de acordar; sentir o sol a chuva; não lhe basta ser feliz ... busca sempre mais, mas afinal porque nunca se alegra com o muito ou pouco que possui?


João Salvador - 13/07/2014

domingo, 6 de julho de 2014

Corpo nu


A primavera nasce perfumada pelo aroma libertado pelo corpo nu de uma mulher deusa, orvalhado por gotículas de sedução!
O vento sopra na sua existência irregular, esvoaçando os seus cabelos sedosos, realçando a beleza dos ombros, tocando levemente o pescoço e os seios enrijecidos pela loucura!
A sua silhueta nua, é reveladora de um corpo com efeitos afrodisíacos, libertadora de desejos incontroláveis cuja paixão se torna explosiva.

E tu, bem tu … meneias as ancas, caminhando subtilmente agarrando a gaiola onde aprisionas os sentimentos dos homens por ti conquistados.
Abres apenas a porta aos pássaros esvoaçantes que te veneram, no entanto estes não desejam liberdade, apenas pretendem perde-se no teu cálice, beber da tua vontade pecaminosa.
Maliciosa, exibes os dotes de um corpo cinzelado pelos deuses até à perfeição.
Gesticulas lentamente com os teus membros, fazendo um convite apelativo ao tesão que cresce descontrolado.
Acaricias delicadamente o corpo, fazendo deslizar os dedos de veludo até ao sexo transpirado, ao mesmo tempo que olhas provocadora para os escravos, escolhendo entre eles o felizardo que há-de beber da tua fonte e matar a tua sede de loucura ensandecida!
Qual será a ave libertada por ti que irá amar-te até à exaustão, saciando os seus caprichos, matando a gula do seu tesão?


João Salvador – 06/07/2014

domingo, 29 de junho de 2014

Sou alguém …


Sou alguém...
Quem sou eu afinal?
Sou alguém que sofre,
Alguém que chora desalmado.
Alguém que cobardemente perdeu um sentimento belo e doce
Sentimento que outrora habitou neste coração carente,
Sou apenas um pecador,
Sou um penitente,
Sou aquele que se mortifica ao raiar do dia pela dor que sente!


João Salvador – 29/06/2014

Texto – O poder da palavra (Ódio versus amor)




Existem palavras que ecoam pelas nossas almas inquietas. Palavras que transportam a mente para um mundo inseguro, cheio de encruzilhadas e obscuridade, mundo que afinal apenas existe nos fantasmas de um passado recente … ou talvez não!

A insegurança que sente um coração apaixonado pode dever-se ao ciúme ou simplesmente a uma doença que abala os alicerces de uma relação … a possessão!

A doença espalha-se pelo corpo como um cancro maligno, fazendo com que aqueles que padecem de tal doença, destruam com a sua loucura o amor e a transformem em ódio!

Estes dois sentimentos apesar de se encontrarem em pólos opostos, de serem antagónicos, por absurdo que possa parecer, assemelham-se a dois irmãos gémeos com personalidades distintas, metamorfoseadas em algo forte e incontrolável … são elas a alegria e a tristeza; o carinho e o repúdio, são afinal o amor e o ódio o bem e o mal!

É na verdade na palavra imponderada e lançada que nascem os mais díspares sentimentos, esses dependem desde logo de quem os sente, da sua personalidade e do seu modo de absorver a dor ou o amor!

Todo o ser humano é diferente, reagindo às suas próprias inseguranças, infundadas ou não, através de uma poderosa arma … a palavra. 

As nossas inseguranças reflectem-se nas nossas reacções, nos nossos actos, mas também na postura, no modo de estar, no modo de ser de quem profere as palavras que nos atingem como o gume de uma espada, trespassando os sentimentos. 

Nem todos estão munidos de escudos ou os conseguem construir para se protegerem da palavra lançada que se espeta no corpo e espalha a insegurança na alma dos mais incautos!

As inseguranças navegam ao sabor das ondas, galgando rochas, chicoteando as praias da nossa consciência, que se vê afogada num limbo entre o amor e o ódio!

A indiferença, ainda que de amores possessivos se trate não existe! 

Todo aquele que usar a arma mais poderosa da humanidade deve reflectir seriamente antes de a proferir, pois após lançada pode trespassar os corações mais sensíveis, podendo transformar uma dor de amor em ódio visceral!


João Salvador – 29/07/2014

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Dança contemplativa


Ó divindade da minha vida
és silhueta recortada no horizonte
moldada num quadro de fundo
cujo corpo torneado o vento acaricia
Mantens-te quieta, contemplativa
Venerando uma dança que outrora foi tua!

Olhais o céu,
absorta em pensamentos
que vos brinda com fantasmas
desenhados pelas nuvens
Bailam ociosas num passo de tango
Graciosos passos de liberdade,
Cujos meneios acompanhais,
maravilhada com o olhar
Faz-vos reviver os próprios passos
cuja dança findou abrupta e sem graça!

João Salvador – 18/06/2014

Respeito


terça-feira, 10 de junho de 2014

Porque o amas afinal?


Sentimentos de culpa assolam a mente
Um coração destroçado implora
Vive nas sombras daquilo que sente
Chorando tormentos de amor pungente

Vibrações que assolam a alma doente
Cabisbaixa caminha triste e demente
Pensando o que fez para sofrer
Porque o amas afinal? Que sina te deu Deus?

Lanças questões cujas respostas conheces
Desejas amá-lo uma vez que seja
Alcançar o nirvana de um amor ceifado

Falta a coragem de um passo … de uma palavra?
Que perde em tentar quem ama?
Apenas as memórias já de si esquecidas?


João Salvador – 10/06/2014

Luz de uma musa perdida



Nasceu hoje um dia belo, brilhante e promissor
Aquela penumbra triste ilusória e mortal
Essa desvaneceu-se por breves instantes
Afogada pela luz emanada pela musa

Relembrastes o sorriso de outrora
Vislumbrastes seus cabelos ondulados
Os olhos suplicantes orando pelo amor
Sentistes o contágio de um sorriso amado

Recordais a silhueta da sereia que amais
A sua pele cristaliza que ainda desejais
Seu pescoço tocado por ornamentos
Lugar que queríeis ocupar, sentir a sua pela

Chorais emocionado a sua presença ausente
Que seguis silenciosamente como um fantasma
Não apoquentais a decisão do que vos foi exigido
Viveis deambulando por uma vida errante

Tal, não impede os vossos sentidos
Que ocasionalmente afloram na mente
Pois, mirais a vida da mulher que guardais
Nos beirais dos doces sentimento de amor!


João Salvador - 10/06/2014

sábado, 7 de junho de 2014

Forma de amar



Existem muitas definições para o amor, que diferem consoante a sua intensidade, a reciprocidade e o sentimento pessoalizado de cada um, mas podem ter a certeza que existe apenas uma forma de amar, a verdadeira, a pura, a inexplicável e essa sim, é única.
  
João Salvador – 07/06/2014