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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Onde estão as palavras?


Onde estão as palavras
Que outrora me alimentavam?
Onde estão os versos declamados?
Serão o passado? Terão retorno?

Sinto-me tão nu, desprovido de ti.
Lá longe, a musa dos sonhos, exala incentivo.
Busco nas profundezas de mim,
Mas nada surge … vejo-me vazio!

Choro no reflexo das sombras de outrora.
Vagueio perdido nos prados cinzentos,
Escurecidos pelas palavras que não brotam.
Pelos caminhos que percorro, mato a beleza.

Orações, aclamações, pedidos.
Nem as forças supremas abençoam o poeta,
Que caminha errante pelas suas tristezas,
Buscando na paz, a inspiração perdida!


João Salvador – 10/06/2015

domingo, 29 de junho de 2014

Texto – O poder da palavra (Ódio versus amor)




Existem palavras que ecoam pelas nossas almas inquietas. Palavras que transportam a mente para um mundo inseguro, cheio de encruzilhadas e obscuridade, mundo que afinal apenas existe nos fantasmas de um passado recente … ou talvez não!

A insegurança que sente um coração apaixonado pode dever-se ao ciúme ou simplesmente a uma doença que abala os alicerces de uma relação … a possessão!

A doença espalha-se pelo corpo como um cancro maligno, fazendo com que aqueles que padecem de tal doença, destruam com a sua loucura o amor e a transformem em ódio!

Estes dois sentimentos apesar de se encontrarem em pólos opostos, de serem antagónicos, por absurdo que possa parecer, assemelham-se a dois irmãos gémeos com personalidades distintas, metamorfoseadas em algo forte e incontrolável … são elas a alegria e a tristeza; o carinho e o repúdio, são afinal o amor e o ódio o bem e o mal!

É na verdade na palavra imponderada e lançada que nascem os mais díspares sentimentos, esses dependem desde logo de quem os sente, da sua personalidade e do seu modo de absorver a dor ou o amor!

Todo o ser humano é diferente, reagindo às suas próprias inseguranças, infundadas ou não, através de uma poderosa arma … a palavra. 

As nossas inseguranças reflectem-se nas nossas reacções, nos nossos actos, mas também na postura, no modo de estar, no modo de ser de quem profere as palavras que nos atingem como o gume de uma espada, trespassando os sentimentos. 

Nem todos estão munidos de escudos ou os conseguem construir para se protegerem da palavra lançada que se espeta no corpo e espalha a insegurança na alma dos mais incautos!

As inseguranças navegam ao sabor das ondas, galgando rochas, chicoteando as praias da nossa consciência, que se vê afogada num limbo entre o amor e o ódio!

A indiferença, ainda que de amores possessivos se trate não existe! 

Todo aquele que usar a arma mais poderosa da humanidade deve reflectir seriamente antes de a proferir, pois após lançada pode trespassar os corações mais sensíveis, podendo transformar uma dor de amor em ódio visceral!


João Salvador – 29/07/2014

sábado, 7 de dezembro de 2013

Rugas do tempo


Observam-se os anos que passam
Rugas que surgem
Memórias que se perdem
Palavras que se esquecem

Caminha-se lentamente
Para um destino conhecido
Um ciclo que decorre
Traçado pela natureza humana

Não adianta combater
Algo que não consegues vencer
Mas não deves resignar-te ao destino!

Podem os anos vencer mas abraça-os
Com sabedoria pela experiência que te deram

Vive, dia após dia
Sabiamente
Sorvendo o sol que te ama
A chuva que te afaga as lágrimas
O vento que te acaricia

Os sorrisos premiados
Os afagos, os abraços
Os sentimentos mais belos

Usa-os, alimenta-os
Enobrece-te de amor
Ainda que te vençam os anos
Vive-os intensamente
Pois só terás uma oportunidade
Depois …
Será tarde demais!


João Salvador – 01/08/2013




quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Silêncio calado


Medito o teu silêncio
Sinto tua presença ausente
Aguardando no teu olhar mudo
A resposta para as minhas preces

Olho suplicante para os teus lábios cerrados
Expectante pelas palavras que espero
Palavras que não chegam
Apenas o silêncio calado

Dilacerante olhar me perscruta
Atravessando-me a alma
Sedenta de uma promessa
Anseio pela palavra

Um som, uma magia que afague meu coração ferido
Di-la, por favor …
Não me faças enlouquecer
Diz por favor que o que sentes é AMOR!

João Salvador – 09/10/2013 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

As palavras podem tudo


Palavras são armas poderosas
Elas podem magoar … destruir corações incautos sedentos pelo amor, por uma vida a dois ou pela eterna (inexistente?) felicidade.

Palavras são armas poderosas
Elas podem ser usadas para o arrependimento sincero, para o perdão de uma alma atormentada por palavras lançadas sem pensar!

Palavras são armas poderosas
Elas podem capturar o amor se bem usadas e sentidas. Podem trazer a felicidade eterna dos amantes, quando sussurradas no leito do prazer!

As palavras, elas podem tudo
Por isso assegura-te que quando as lançares as usas para amar e não para matar o amor de alguém!


João Salvador – 06/04/2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Quem és tu?



Seguro ternamente numa caneta de plumas.
Procuro escrever um poema que te invente.
Busco inspiração na tua beleza …
Procuro palavras que não encontro, porquê?
Será porque simplesmente não existem?

Como poderei descrever quem és se não és descritível?
Diria que és a minha realidade, a minha verdade.
Serás o meu futuro ou até o meu mundo.

Diria até que para mim és tudo (ou não serás nada?)
A minha inspiração; um bem-querer.
Aquela que acorrenta o meu coração,
Aquela que o fechou numa fortaleza,
O amordaçou e o protegeu da dor.

Escondeste-o onde ninguém o alcança,
Pois o meu amor é só teu (Assim o desejo!).

És aquela que me tira o sono
És aquela que me inquieta,
Mulher com quem sonho
E de quem me alimento.

Por mais que procure descrever-te,
As palavras soam a insatisfação
Descrever-te … não consigo!
Não encontro palavras que te façam jus

Em vez de palavras dar-te-ei,
Tudo aquilo que sinto e não descrevo,
Carinho,
Um terno beijo,
O meu leito
O meu abraço,
Enfim …
A emoção, um baque no coração
Num eternizar de paixão!

João Salvador – 18/09/2011

segunda-feira, 18 de março de 2013

Palavras incompreendidas



Belas palavras que dissestes
Reais, verdadeiramente … sentidas
Foram-no puras e verdadeiras …
Infelizmente incompreendidas

Que querias ouvir da sua boca?
Não vives num mundo de fadas
Vives num mundo real …
Neste mundo despido que buscáveis?

Questiona-lo porquê?
Suas palavras feridas!
Trespassaram teu coração …

Nunca o entenderás. Ó vida madrasta …
Os sonhos os desejos eram tantos!
Mas tais ensejos, a vida deixou-os morrer …

João Salvador – 18/03/2013

segunda-feira, 11 de março de 2013

Navegas na vida



Navegas oscilando no casco
Cujo barco ruma errante
Pela vida de suas gentes
Transportando-os ao sentimento
Que muda ao sabor do tempo!

Baixas suas velas
Que se rendem ao capricho do mar
Apagando a dor que te dilacera
Viajando vigorosas com a brisa do vento!

Segues navegando a vida
Com coragem …
Lanças as redes ao mar
Capturando o amor

Um amor ainda que errante
Ainda que não o desejado
Mas ainda assim lutas.
Lutas mulher pelo amor!

Pescas o que lançaste
Naquelas redes que teceste
Alimentadas pelas palavras
Proferidas sem retorno!

O choro soluçado te acompanha
Mas bem sabes que o porto
Se afastou, seguindo distante no horizonte
Alheado do ritmo do tempo presente

Vive agora o novo rumo …
Rende-te à vida presente
Ainda que sonâmbula
Ainda que dormente …
Mas vive mulher … VIVE!

João Salvador – 27/01/2013

domingo, 20 de janeiro de 2013

Palavras vis



Perdoa-me amor!
Palavras voaram da minha boca
Sem sentido, sem conteúdo …
Disseram o que não sentia
Palavras vazias!

Lancei-as pensando proteger-te
Ou proteger-me?
Já não sei o que dizer …
Na verdade vis palavras, amarguradas
Que te afastaram de mim!

Minha alma vive agora mutilada,
Presa ao amor sentido, guardado num cofre
Onde se buscam memórias que dão chama
Para esta vida agora demente …
Desapaixonada mas que sente …

Sente a falta do teu amor
Do teu calor
De ti!
Lancei tão madrastas palavras
Arruinei-me …
Matei-me para o amor!
Que fazer para te voltar a ter?

João Salvador – 13/01/2013

terça-feira, 29 de maio de 2012

Palavras não ditas




Passava na rua,
Sozinho, perdido
Compenetrado
Nas palavras ditas
Sussurradas pelo vento
Lembrando os ditos
Perdidos no tempo

Aqueles sentimentos renascidos
Por breves momentos
Afogados nas palavras
Que não te disse
E que ansiosamente aguardavas

As palavras não ditas
Alimentaram equívocos
Mataram sentimentos
Criaram tormentos

Sinto que escondi momentos
Que não queria apagar
Enlouqueci …
Perdi a razão
Endureci o coração!

Perdi a ilusão
De voltar a ter-te
Num leito só nosso
Em sonhos abraçados
Nos momentos sonhados …

O amor reside no peito
As marcas o tempo não apagará
Vaguearei penosamente pela vida
Buscando nos recantos da mente

Onde estiveres eu estarei
Sentirás a presença de um anjo
Mesmo não estando presente
Mesmo que ausente
O amor será eternamente teu …

João Salvador – 29/05/2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Escravo dos sonhos - Reflexão


Sentes uma escravidão nos sonhos das palavras ditas, mas não sentidas …
Ficam os escritos das memórias que exalam do pensamento sonhado de um poeta …
Dos momentos que eternizam a vivência do seu ser; de alguém que busca sem cessar a felicidade e o amor, mas que esbarra numa barreira invisível de realidade!

Crueldade? 
O que visualiza nos seres cujos sentimentos aflorados se encontram esquecidos no tempo e mortos para o amor.
Adormecidos, alertados apenas para a autossustentação do eu, para uma busca prazenteira banal, desprovida de conteúdos.

Que pode querer o sonhador senão buscar o paraíso ainda que inexistente, que apenas reside no imaginário profundo da sua mente?
Divagações pontuais de amores eternizados nas idealizações de um ínfimo pensamento que aos olhos de um coração receoso parecem delírios de um qualquer demente, que se sente gente!

Louco? Sim! Sou louco e depois? 
Que graça tem a vida sem um raio de luz. Sem os seus raios o sol morre e o sonho definha.
Quem não busca o sonho tão cobiçado, morre lentamente, provando a pedra fria da sepultura ainda que em vida. 
Quem não sonha não nutre a alma, nem a liberta do limbo de uma qualquer triste realidade.
São os sonhos meras divagações?

São palavras pensadas, libertadas ao sabor de uma ventosa tempestade de sentimentos. 
São alimentadas pelo estado de espírito de todo o ser, que extravasa da boca as palavras proferidas por um mero sonhador que procura sentido para a vida … a sua!


02/03/2012 – João Salvador

domingo, 4 de março de 2012

Palavras tuas


Palavras tuas que me enfeitiçam.
Sonoridades que nos transportam,
presenteando os sentidos de quem ama,
adocicando-os num sonho longínquo!


Gracejos saem da tua boca … num sorriso.
Nas palavras melosas que me fascinam,
Em promessas de amor perpétuo, que prendem,
num eterno entorpecimento que paralisa a alma!


João Salvador - 04/03/2012

Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEje1Zua-eBf4Vs1tUghiTCgK3fK0QuvatBz1iV-4U06aMVXBnR4OGv3fLkWYCCzFh0oYqwVH0Zc6-iu7BYQGx8N4zj1hnD5TzpV-2SiFRFuhs0Aa8JkEEjiMeHU4oj1tpqUPDumw2-ZrpkE/s400/palavras_nuas.jpg

sábado, 5 de novembro de 2011

São Palavras

São palavras ...
simples palavras.
Sentidas é certo!
Mas ainda assim, meras palavras.

O ciclo completa-se,
O cerco aperta-se,
O sentimento aflora

O impulso é forte
O desejo grita
Palavras já não bastam

O corpo exige ...
O calar dos teus lábios
Quentes e molhados
O sabor da tua boca
O contacto puro
O amor divino!


João Salvador - 21/10/2011






sábado, 15 de outubro de 2011

Página em branco


És uma página em branco
Sem vida, triste e sem cor
Buscas uma razão
Algo que justifique o viver


Alimento-te com palavras
Escrevo-as com devoção
Liberto-as com paixão
Preencho o teu rosto de cor


Acabo por escrever sobre amor
Já tens razão de existir
Lê-te agora a ti próprio
Já não és um rosto inexpressivo


Agora tornaste-te num soneto
No qual sussurrei belas palavras
Verti para ti os sentimentos
Libertei a minha alma
O meu amor … o meu desejo
Deixei em ti um pouco de mim!


João Salvador – 15/10/2011