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sábado, 15 de dezembro de 2012

Para onde caminhas?



Caminhas num deserto incerto
Vives perdida num manto de areia
Vestida em sentimentos frágeis
Procuras teu rumo de vida

Buscas uma bússola
que te leve ao rumo certo
Incertezas afloram-se na mente
Ordena teus sentimentos mulher!

Para onde cavalgar?
Para onde olhar?
Que desejas tu?
Que rumo procuras?

Encontra-te em ti
Busca tuas próprias respostas
Sente intensamente
Vive perdidamente!

João Salvador – 05/12/2012

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Musa do poeta



Vives no recanto da mente, uma presença ausente,
Nas lembranças de grandes ensejos.
Na partilha de momentos, nos carinhos e nas mágoas.
Nas tristezas por vós choradas.
Em tudo te vêem os olhos da paixão!

Na pureza cristalina da água que rega os campos
Nas nuvens que cavalgam os céus
No sol que ilumina nosso berço
Nos subtis gestos femininos
Nos sorrisos das gentes
És a sua alma de vida

Vives nas poesias do poeta
Nutres a sua escrita
És a sua musa
És o seu céu (para ele és tudo)

És deste homem …
Que ousa pensar-te
Que ousa sonhar-te
Que ousa amar-te


João Salvador – 05/11/2012

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Meditar



Fecho os olhos e medito a vida em dias de melancolia … afundando-me em pensamentos! Procuro respostas para as mágoas sentidas mas não compreendidas. 

Vivo uma existência pacífica, ainda que polvilhado por conturbados episódios de insegurança que me são alheios, plantados pela própria sociedade consumista e inerte que habita as terras lusas e o próprio berço da humanidade.

Temo já não por mim mas pela minha prol, pelo futuro que a vida lhe reserva. As contrariedades da vida a que não estão habituados, à dureza de uma realidade que ainda não sentem verdadeiramente. 

Vive-se numa época em que viver com honra e humildade se torna uma tarefa hercúlea e cujos valores passamos à próxima geração. Educação que lhes incutimos a ferros, pois é necessário combater todos os factores externos que os iludem para uma suposta vida de facilitismo em que tudo cai a seus pés sem esforço!

Diariamente olho em redor e sinto uma maior tensão social reflectida nas pessoas que se manifestam indignadas com um presente já de si comprometido. Muitas habituadas ao que nunca foi seu e que agora temem perder (e que perdem por ordem do estado da nação). 
Medito sobre tudo isso e sinto as pessoas a definhar. A sua vontade esvai-se seja a nível laboral quer por força do que lhes é retirado; seja ainda por mera desculpa para não se maçarem com os problemas de terceiros, ou finalmente, seja (que é o mais grave de tudo) por desmotivação gerada pela falta de reconhecimento do seu esforço diário, vendo premiados a inércia de outros que nada fazem em prol do próximo e como parasitas que são sugam o esforço do hospedeiro. Direi que em boa linguagem transmontana são uns parasitas de “MERDA” (desculpem o impropério – mas por vezes sabe bem o desabafo!).

Medito agora com tempo, porque as férias servem para ordenar as próprias ideias, procurando-me a mim próprio.

Medito as preocupações de amigos (pessoas de bom coração) que vejo a definhar pelas injustiças de que são alvos, por parte de chefias insensíveis ao sofrimento alheio, vendo o seu semblante carregado, com as lágrimas contidas (pois chorar não é próprio de um homem, pelo menos em público – muitos de nós ainda carregam esse estigma). Sinto dor por ver um amigo sofrer e vê-lo a caminhar rumo à não vida, abandonado por quem o deveria apoiar … temendo pela sua própria sanidade mental.

Sim, sobre tudo isso medito … procuro encontrar um rumo certo para as minhas preocupações, muitas vezes confusas que se cruzam em névoas perdidas criadas pela própria mente.

Temo pelo rumo a que a nação está votada, vendo o timoneiro a perder o Norte, levando o barco rumo a um abismo …


João Salvador – 31/10/2012

domingo, 7 de outubro de 2012

Profundidade da alma



Na profundidade da alma
Encontrei a transparência
Afastando o lodo dos males
Avistei finalmente quem sou

Descobri a existência duma vida
Um amor incondicional
O amor a mim próprio
Não vivo mais toldado pelas trevas
Afastado da luz que guia as almas
Não vivo mais afastado de mim

Foi nessa gruta interior
Após meditar em silêncio
Recolhido dentro do meu próprio casulo
Que a encontrei … numa fresta
Escondida num recanto remoto da mente
Ali descobri a luz que me dirigiu
Para o interior da minha consciência

João Salvador – 07/10/2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

Palavras não ditas




Passava na rua,
Sozinho, perdido
Compenetrado
Nas palavras ditas
Sussurradas pelo vento
Lembrando os ditos
Perdidos no tempo

Aqueles sentimentos renascidos
Por breves momentos
Afogados nas palavras
Que não te disse
E que ansiosamente aguardavas

As palavras não ditas
Alimentaram equívocos
Mataram sentimentos
Criaram tormentos

Sinto que escondi momentos
Que não queria apagar
Enlouqueci …
Perdi a razão
Endureci o coração!

Perdi a ilusão
De voltar a ter-te
Num leito só nosso
Em sonhos abraçados
Nos momentos sonhados …

O amor reside no peito
As marcas o tempo não apagará
Vaguearei penosamente pela vida
Buscando nos recantos da mente

Onde estiveres eu estarei
Sentirás a presença de um anjo
Mesmo não estando presente
Mesmo que ausente
O amor será eternamente teu …

João Salvador – 29/05/2012

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Incertezas do amor



Procuras rever na mente, os episódios passados.
Queres compreender o incompreensível,
Buscas respostas onde não as encontras.
Agarras-te a algo que te acalme a inquietação!

Encontras um vazio nas respostas.
Não compreendes a razão … porquê?
Esfumou-se o sentimento – perdeu-se?
És agora fantasma de um passado errante?

Dolorosas questões que não vês respondidas
Amordaçadas num sepulcral silêncio
Acompanhando-te no arrastar dos tempos
Prendendo-te às incertezas do amor!

João Salvador – 18/04/2012

domingo, 13 de maio de 2012

Reflexão sobre a frustração e revolta




A Frustração é um sentimento alimentado por toda a envolvente que o ladeia, golpeando profundamente a mente de quem o sente – tornado o sentimento em revolta.

É um sentimento muitas vezes nutrido pela passividade de pessoas que apenas se sabem lamentar, quando deveriam ver mais além do seu nariz, tornando-se operativas e cooperantes.

Ao invés vivem na sombra, despreocupados, passivos, aumentando o “monstro” da loucura e da raiva interior, naqueles que fazem um pouco mais em prol de um mundo melhor!

João Salvador - 13/05/2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Memórias que tendes




Vagueáveis, flutuando pelas memórias que tendes na mente,
inquieta, impetuosa, inundada de vida,
como se faz quando se procura a solidão.
Rebuscáveis o passado … recordando.
É algo prazenteiro que faz parte do ser.

Nessa busca incessante, encontrastes um episódio.
Um episódio de amor puro, ternurento e belo.
Recordas-te o beijo fugido que roubas-te … cigana,
Naquela escada de pedra que fazia parte de vós.
Foi numa inocência perdida, que não tendes agora.

Tempos em que os jovens sonhadores,
com ensejos de Dom Quixote …
Sonhavam com projetos tresloucados,
Sonhos doces como mel que vos deleitavam.

Enchiam de prazer só de pensar o amor.
Ó o amor! Era tão deslumbrante, atraente e puro!
Quando contempláveis os adolescentes olhos vibrantes,
Cintilantes de luz. Ali se viam e logo se perdiam!

Os olhos brilhavam de paixão!
O corpo tremia, só por ver o amor.
A mera presença, um mero toque … um tremor!
O cheiro a flor virgem que emanáveis!

Sim! Sentis saudades desse tempo.
Uma época de glória e de conquistas,
em que se lutava pela pureza do amor.
Eram sublimes esses momentos de inocência!

Foram tempos harmoniosos, recordados com ardor.
Lembrados com melancolia, num misto de carinho e saudade.
As meras trocas de olhares, dos quais se vivia, ou
de um mero beijo furtivo que vos nutria!

Sim, eram belos esses tempos, inesquecíveis …
E dos quais vos recordareis nesta vida …de saudade!

João Salvador - 16/08/2010

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Escravo dos sonhos - Reflexão


Sentes uma escravidão nos sonhos das palavras ditas, mas não sentidas …
Ficam os escritos das memórias que exalam do pensamento sonhado de um poeta …
Dos momentos que eternizam a vivência do seu ser; de alguém que busca sem cessar a felicidade e o amor, mas que esbarra numa barreira invisível de realidade!

Crueldade? 
O que visualiza nos seres cujos sentimentos aflorados se encontram esquecidos no tempo e mortos para o amor.
Adormecidos, alertados apenas para a autossustentação do eu, para uma busca prazenteira banal, desprovida de conteúdos.

Que pode querer o sonhador senão buscar o paraíso ainda que inexistente, que apenas reside no imaginário profundo da sua mente?
Divagações pontuais de amores eternizados nas idealizações de um ínfimo pensamento que aos olhos de um coração receoso parecem delírios de um qualquer demente, que se sente gente!

Louco? Sim! Sou louco e depois? 
Que graça tem a vida sem um raio de luz. Sem os seus raios o sol morre e o sonho definha.
Quem não busca o sonho tão cobiçado, morre lentamente, provando a pedra fria da sepultura ainda que em vida. 
Quem não sonha não nutre a alma, nem a liberta do limbo de uma qualquer triste realidade.
São os sonhos meras divagações?

São palavras pensadas, libertadas ao sabor de uma ventosa tempestade de sentimentos. 
São alimentadas pelo estado de espírito de todo o ser, que extravasa da boca as palavras proferidas por um mero sonhador que procura sentido para a vida … a sua!


02/03/2012 – João Salvador

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Visão do teu corpo


Olhas para o interior da alma da mulher que te cativa.
Desejas o pecado original. Assim o sabem os amantes!
Queres refugiar-te no seu leito, envolvido por lençóis de seda.
Enlouqueces com a sua visão, que te cega … de paixão!

Torneia as ancas de modo sensual, prende-te nesse enredo,
Chamando-te através do seu corpo. Queres perder-te?
Transpiras desatino e paixão desenfreada, que queres aplacar!
Uma incessante sensação de loucura, percorre-te a mente.

És possuído pela sua presença subtil, mas poderosa!
És hipnotizado pelas suas formas delineadas no horizonte,
Pelo seu corpo escultural que exala sensualidade,
O qual banhou numa fonte perfumada pelo amor!

Sentes-te impotente para combater tão intenso desejo,
Aprisionado na visão do seu corpo, enfeitiçado pela luz do luar,
Acorrentado a um olhar selvático, enérgico, vigoroso e felino.
Olhar, com o qual te brinda e te chama nessa teia de amor.

O sangue ferve; sobe descompassado e descontrolado,
Num coração palpitante, demente …um vulcão em erupção.
O pensamento já não existe … apenas a vontade de tê-la!
Um desejo intenso e diabólico que te mata de tentação.

Um desejo que não desejas apaziguar … apenas saciar!


João Salvador

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Escrevo e sinto


Escrevo prosa ou poesia
Faço rimas que purifico
Conteúdo que me toca,
Que mais me importa?

Deslizo pela minha mente
Efervescente de vida
Latejante na procura
De aventura … na loucura!

Escrevo …
Quero expressar
Melodiosas palavras que verto,
Do meu pensamento

Extravaso-as
Lanço-as
Grito-as
Dito-as,

Escrevo ...
os sentimentos!


João Salvador - 20/10/2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Dúvida


A dúvida em ti reside
Impregnada na mente
Irrigando o pensamento
No limbo do esquecimento


São insónias, que abalam
São pesadelos que se calam
São sonhos ardentes
São delírios quentes …
Que acompanham o suplício
Numa noite sofrida de dúvida


Mas esta depressa se esfuma
Voando ao sabor da bruma
Sem direito e sem tino
Quão duro é o destino!


João Salvador – 10/10/2011