quinta-feira, 21 de julho de 2011

O meu berço - minha terra



Num recôndito cantinho da pátria de camões, nestas terras lusas
Atrás dos montes agrestes, salpicados de sumptuosas oliveiras
Surgem no vale, os terrenos cultivados pelo suor do camponês
Na formosa aldeia de Sanfins, meu berço, minha criação
Ali, nasci eu, nessa ditosa e amada aldeia Nordestina
Ser inocente que percorreu aqueles vales, desde o raiar do Deus sol
Banhava a minha face com a sua luz, uma chama de esperança
Percorria alegremente os campos de cultivo, povoados de vida!
Polvilhados de uma imensidão de pureza, onde não entrava a maldade
Assim era a minha aldeia, um berço de gentes com faces de labuta … mas serenas!
Nos intermináveis episódios de memória, que guardo, sinto o cheiro das hortas frescas
Do suculento melão amadurecido pelo tempo, que colhia com prazer.
Aquele néctar dos deuses, com o qual me deleitava e saciava!
Tudo era pureza, apesar da rudeza das vidas das gentes do interior
As suas almas eram límpidas numa transparência que cegava
O tempo – carrasco, passou e não perdoou. A aldeia mudou … tudo mudou,
Foram gentes que se sumiram com o seu radioso sorriso, recheado de humildade!
As coisas não são agora tão clarividentes e puras aos olhos de um adulto.
Foram-no é certo, outrora aos olhos de uma criança órfã e pura
Criança … agora homem, que vê a crua realidade do agora!

João Salvador

terça-feira, 19 de julho de 2011

Perfeição Imperfeita - Ser mortal


Busco no eu, a imperfeição de um ser perfeito.
Busco, um elo de sabedoria e de pureza.
Algo que me guie no incompleto processo da criação.
Pois, tu deus és soberano ... mas imperfeito!
O homem à tua imagem, senhor!
Um pecador mortal ... perfeito, mas ...
Cheio de desejos de vida, de luxúria.
Alguém que busca o pecado pela carne!
Uma busca incessante do eterno feminino.
Afinal, o pecado, não é pecado ... ou será?
Sim a luxúria, mas não o desejo ...
Afinal ó deus sou um ser perfeito, ainda que imperfeito.
Sou a tua criação ...
Sou a tua obra,
Não a perfeição,
Mas a imperfeição?


João Salvador

Convite da Morte

Aproximei-me perigosamente de ti ...
Cai num vazio de paz, onde a luz se aproximou
O limbo onde me encontrei, foi momentâneo, mas forte
No entanto, não pensei, quase te abracei ...
Ó morte! Suavemente surgiste sorrateira e risonha
Convidas-me a acompanhar-te
Querias-me num mundo que desconheço
Dizes em voz jocosa, que morrer não é acabar é renascer
Vi-te no entanto, ladeada de almas suspensas nos céus
Almas que gritavam, voando rumo ao Inferno
Vinhas ornada de uma gadanha de ferro, frio e arrepiante
Vestias um manto negro a relampejar,
Emanas um odor intenso, cheiras a sofrimento e dor.
O teu olhar, ainda que apelativo é vazio
É desprovido de emoção, um olhar medonho
No entanto, resisti aos teus encantos, tenho medo ...
Resisti a um cruel mas doce destino
Impuseste um pensar que me engana,
Quase me fez esquecer de viver
Uma morte que me envolve,
Rouba-me a serenidade
O repouso alicia, mas não o quero
Preciso de alimentar a alma de vida
Serás tu, ó morte, o fim?
Talvez, mas não a finalidade da vida
Não perdi o entusiasmo de viver, por isso vivo
Afasta-te de mim ó sombra tenebrosa ...
A vida é algo que persigo ... o olhar da mulher amada
O carinho da prol, o sorriso das gentes
Os sonhos, urgem num turbilhão, quero vivê-los
Pois morrerei certamente, mas não a teu convite

João Salvador

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Inspiração


Dias cinzentos e tristonhos,
Cuja inspiração não surge, nem mesmo em sonhos.
Refugio-me no interior da mente, procuro memórias
Incessantemente busco a inspiração, procuro a glória.

Questiono o poeta luso das suas aventuras
Rebusco na história as suas desventuras
Procuro compreender a incomprensão do poeta
Grito, choro, enlouqueço! Não consigo alcançar o horizonte

Obscuridade, escuridão, trevas que me envolvem
Não se vislumbra na minha mente a desejada inspiração
Sentimento amargo este! Sensação de impotência ...
Não desisto! Caminho, olho a lua, o mar ... o luar

Uma busca que não acaba
Ela há-de chegar ... embalada num soneto de ilusão, de paixão
Deixo o que me rodeia, penetrar em mim ... no meu âmago!
Inspiração desejada, surgirás pois! Preciso de ti.

João Salvador

sábado, 16 de julho de 2011

Cigana



Buscava nesse dia um sorriso teu, minha cigana, minha chama
Vagueava pelo prado, resplandecente de vida - ocultando os sentimentos.
Num prado, cujas flores eram procuradas pelas abelhas, que voavam atarefadas
Queriam o néctar das flores, polinizando-as, fecundando-as

Assim quero eu provar o teu néctar, polinizar a tua virtude, ser teu!
Na minha busca, caminhei altivo e esperançoso, olhando sem ver, ainda que vendo
Alcançar o teu amor, é algo que alimenta a minha existência, a alma
Pois, se assim não fosse seria apenas um ser vazio, inócuo, seria nada

Seria um homem oco, sem substância, um ser insano … profano
Mesmo que não me queiras, alimentarei essa ilusão
Na certeza, de que mesmo sendo uma mera alucinação
Me darás o teu sorriso que emana dos teus lábios cristalinos

Não penso, mas penso, que não me queres, mas que me queres
Que dilema! Tu própria nas tuas dúbias incertezas de vida, que almejas?
Sim! Que almejas mulher? Queres amar-me cigana?
Ou queres perder-te num vazio de sentimentos?

Minha cigana, estou aqui! Estive sempre aqui, tu sabes.
Procura no interior dos teus sentimentos, num cantinho de luz
Ver-me-ás ali encolhido, expectante, aguardando-te, pois …
Serei teu se assim o quiseres …

João Salvador

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Afinal, quem sou eu?

Existem dias que me questiono, dias eternos que não cessam.
Busco nas minhas memórias rebuscadas a solução,
Uma resposta que não chega, apenas a incerteza e a solidão!
Passo dias em busca de acalentar o encontro, de mim próprio.

Não sei quem sou, mas será importante?
Porquê, perder tempo a buscar a resposta para algo que não surge …
Quando urge, viver estes míseros minutos da nossa existência, sem prudência
Para quê, buscar respostas onde elas não existem … ou existindo, desprezo-as!

No fundo, sei o que procuro e … acho que vejo a resposta, a qual temo.
Mas procuro confundir a minha própria mente … dormente e sonhadora,
Adormecida, para não acordar, para uma resposta que afinal, prevejo,
Revejo-me noutra realidade … sou de um mundo por nascer … inexistente!
Quero esquecer quem sou, apenas sonhar e amar ...
Quero ser o vento, voar sem rumo ou direcção, sentir-me livre.
Polinizar as flores perfumadas que me cercam e procuro cativar,
Enfim … quero alimentar os momentos que passam altivos e viver …VIVER!!!

João Salvador

A minha Infância


Hoje acordei saudosista, algo me percorre o pensamento … o meu passado,
Sonhei com a minha infância, com tempos que não voltam,
Lembrei-me da minha mãe, que me alimentou e me criou,
Do tempo em que brincava nos campos, sem preocupação de vida,

Tempos áureos e duros é certo! Tempos que não esqueço, era feliz!
Era uma criança não abastada, pobre, mas preenchida de vida; de luz; de amor,
Foram tempos sublimes! Olhava a minha mãe, da sua face brotava um sorriso,
Um sorrido cristalino que me enchia o coração,

Nada mais necessitava, nem de pão nem de bens supérfluos que de nada me serviam,
Queria apenas o sorriso da minha mãe, o seu carinho ….
Existia amor e eu vivia num mundo colorido que era só meu.

Onde está esse amor agora? Vivo num mundo decadente e podre!
Vivo num mundo que não conheço, bolorento e sem sonhos,
Num mundo sem fulgência, rodeado pelas trevas, onde o amor pelo próximo se esfumou,

Vejo apenas a escuridão. Onde estão os sentimentos? Onde está o amor?
Já não vejo, o brilho da minha mãe, do seu amor, do seu carinho. Perdi-te!
Ai que saudades do meu tempo de criança, onde o mundo era colorido e belo!

João Salvador

És o meu Sol



Brilhas lá no alto, num mundo que é só teu, és o meu sol,
Procuro alcançar-te, mas apenas sinto o teu ténue calor, que me foge sem saber,
A tua luz irradia uma beleza, indecifrável mas tão tua,
Embate no meu corpo numa mistura de calor e luz, que penetra em mim,


Desejava mais, mas não posso … contento-me com o que me dás, com o que posso ter,
Sei que tenho metas definidas, obstáculos que não trasponho.
Não tenho a ilusão de alcançar o teu mundo, sentir o clímax do pecado,
Assim, apenas sonho com um mundo inalcançável, mas ainda assim nosso!


Brilhas lá no alto, sumptuosa e harmoniosa, subjugando em teu redor todos os seres,
Seres que te desejam, que te veneram e que sorvem de ti a vida.
Alimentam-se do teu calor e veem da tua luz!


És única no universo alguém a quem chamo “omeu sol”,
Aquela que alimenta a minha existência, apesar de saber quem és,
Não te posso ter é certo, mas posso alimentar o sonho, ali és minha …

João Salvador 15/07/2011

Encontros


Abeirei-me de ti, expectante mas maravilhado com a tua luz.
Senti um baque, uma enorme atração, que quase não controlei.
O meu corpo tremeu de desejo, esperando um sinal teu.

Esse sinal não chegou, ou tendo chegado, temi ter sonhado ou ser repudiado!
Perdi-me nos teus olhos, em pensamentos de pecado.
Naveguei por um mundo e por um turbilhão de paixão.

O tempo passou descontrolado, descompassado e belo!
O Chilrear dos pássaros, passaram em surdina, não apreciados.
As árvores belas, eram apenas meros espectadores, do momento.
Nada ofuscava a minha atenção, centrada em ti.

Senti a tua pele perfumada, cujo aroma absorvi sofregamente.
Sensações de prazer, rebuscaram-me e eletrizaram-me.
Pequenos gestos, pequenos contactos que se tornaram grandiosos.
Momentos de sonho, que terminaram num semi-beijo roubado, que guardo.


João Salvador

Loucura



Procuro o teu corpo ardente, quente … fico louco,
Quase padeço de dor ... de vontade, não me controlo.
Perco-me em pensamentos, que não devia ter, mas que não afasto.
Não consigo deixar de sentir, cada vez que te olho, imploro … olhas e não vês!
Os meus pensamentos, tornam-se um turbilhão de paixão
Quero possuir-te, tu sabes que sim, não to digo, pois enlouqueço.
O teu corpo, torneado deixa-me louco de ardor …
Um calor infernal, apodera-se do meu corpo, perco-me em ti.
Tu, atormentas-me o pensamento, és um encantamento que não passa.
Ter-te, seria o realizar de um pecado, a satisfação de um desejo.
Sei que esse pecado te cativa, apesar de altiva, olhas-me com olhos de gula!
Ter-me-ás, se o quiseres, pois assim o desejas.
Quero sentir o teu corpo, fundir-se no meu …
O meu no teu, numa paixão desenfreada, que não acaba …
Uma fusão, uma paixão, uma ilusão ….
A fusão de dois corpos que se querem.

João Salvador