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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Notas Soltas II


Porque estás cansado?
Que maleitas te apoquentam a alma?
Pensas em desistir do que te faz feliz?
Achas que não vale a pena lutar?

Cansado de tantas questões, arrastas os sentimentos, sente-los dentro de ti, apoquentando-te a alma!
Sentimentos que hoje gritam libertando o peso da eternidade, aguardando pacientemente a hora de amar!

O momento esse que tarda em chegar, o tão almejado descanso de uma alma carente, fatigada por anos de espera, de dor consentida.
Manténs-te firme não obstante as adversidades que o tempo e o espaço te impõem.

A distância (palavra mutiladora), não é obstáculo. O relógio marca os dias, as horas, os minutos … a felicidade tarda em chegar.

A morte espreita veloz e assustadora, já antes havia tentado tragar-te, mas foi derrotada, pois nem a morte venceu o desejo de amar.
Pedes clemência ao tempo que te deixe sonhar o amor real, antes que a foice te trague e te transporte para a margem obscura das trevas.

Vês clemência no barqueiro que atrasa a sua viagem … aproveita o tempo que te resta para buscar o amor que ainda não provas-te.


João Salvador – 29/10/2014

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Triste ilusão


Nos pequenos gestos encontras o carinho
Nas palavras o afecto …
Não terás irrealidades
Nem sonhos inatingíveis
Ou momentos efémeros
Ilusórios
Que te preencham um momento
E te abandonem vazia
As pequenas coisas que possuis
São riquezas que não valorizas agora …
Até as perderes
Num remorso mortal
Que te atinja a alma
Que jaz vazia
Num sepulcro sem vida!
De que te valeu a cegueira …
Apenas a morte de uma falsa paixão?
Quem és agora?
Um fantasma de ti próprio?
Tudo tinhas …
Nada tens …
Vagueias perdido no mar da desilusão!


João Salvador – 08/02/2014

sábado, 28 de dezembro de 2013

A morte também amou


A morte decidiu fazer greve, pois era incompreendida pelos seres humanos.
Da greve nasceu o caos, do caos a perdição, a desumanização a tresloucada busca pela morte além-fronteiras.
Logo se deu conta a morte (a morte singular e não a universal) que a sua missão urgia seguir.
Enviados os subscritos violetas, todos foram entregues aos malogrados padecentes.
Mas alguém teimava em não o receber, logo se pensou, não queria morrer?
A morte encarregou-se pessoalmente do violoncelista, mas caiu nas malhas do amor e a partir daquele dia mais ninguém morreu.
O caos regressou? A perdição, a tresloucada busca pela morte como pacificação da alma? O descanso eterno? A morte não se poderia render ao amor … mas fê-lo!
Até a própria morte no seu salão frio, abandonou a foice, ultrapassou o umbral da porta e revestiu o esqueleto de uma carcaça de fêmea humana para seduzir, mas acabou seduzida, perdendo o tino e a razão.
Desde esse dia no país imaginário a morte deixou de cumprir a sua missão pois a sua razão foi embriagada pelo coração!
Não se consta (nem conheço) que haja capítulos subsequentes escritos por Saramago, onde se refira que Deus exorte a morte (com letra minúscula) à razão, o que seria incompreensível, apesar da autonomia da morte sem ela não existiria ressurreição, logo não haveria religião!
A morte é uma marca que nasce já em vida, logo não pode imiscuir-se a sua missão por mais tenebrosa e aterradora que seja, assim não deveria ter-se apaixonado pelo personagem, mas ainda assim contra a sua natureza fê-lo e amou-o de corpo e alma, desconhecendo-se qual o rumo da morte e do amor que partilhou. Todos podem amar, mas não a morte que de tão fria e aterradora mata só com o seu olhar fulminante!
Se a morte amou, porque não amam aqueles seres humanos, frios, calculistas, desprovidos de sentimentos? Serão eles a encarnação em vida da morte, não do corpo mas do sentimento? Sim porque essa morte deve ser também ela preocupante ou talvez mais, já que a morte corporal é já de si uma certeza aquando da gestação.
Acredito veementemente que esses mortos-vivos para o sentimento mais belo que é o amor, também podem ressuscitá-lo da profundidade obscura da alma, onde o encerram, guardado por correntes de aço, praticamente inacessíveis.
A morte mata o amor de muitos padecentes, mas mais tenebroso é a morte do amor produzida por muitos humanos morto-vivos, que percorrem os caminhos da sua inócua vida quais fantasmas, sem sentirem o calor do amor que rejeitaram!

João Salvador – 28/12/2013

In: Visão comentada da obra as Intermitência da Morte de José Saramago 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Juntos somos caminho


Juntos somos destino num só caminho!
… somos sonho
… somos sol e somos chuva!
… somos um só, somos lua
… somos harmonia
… somos amor puro
somos uno!

Tudo o somos, mas nada o somos
Só o seremos se formos um!

O romper do elo que nos une,
Ditará o desabar do mundo perfeito
O errante caminho para a perdição
O desastre de dois corações carentes

Pois …
Quando o amor cessa, a paixão desvanece
A alma enlouquece … tudo padece!

Resta a dor …
A morte dos sonhos … do que fomos!


João Salvador – 2/09/2013

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Combatente da vida (RANGER)




Tombas-te na batalha da vida
Mas na vida batalhas-te
Comandas-te homens pelo vale da morte
E do vale da morte voltas-te


Apagou-se a tua luz de combatente
Nesta terra mundana que deixas-te
Mas essa vontade inata guiar-te-á
Esse valor iluminar-te-á no teu ser

Passas-te apenas para o além
Ali irás zelar pelos Rangers
Guiar-nos-ás pela vida com o teu exemplo

Orgulhosamente foste um ícone para os teus
Conduziste-nos ao sucesso da missão
Por ti gritaremos orgulhosamente …RANGER

João Salvador – 05/09/2012

domingo, 8 de setembro de 2013

Amizade ceifada


Partiste amigo
Caminhas rumo à eternidade
Ao descanso almejado?
Caminhas para a glória eterna!

Pureza de coração …
Sorriso fácil …
Conversa animada …
Amizade roubada …
Por uma morte não anunciada

Morte fria!
Sem aviso
Ceifou tua luz
Que agora extinguiu

Não busco razões para tuas razões!
Afinal quem sou eu para te questionar?
Apenas sou um amigo que te vê partir
Um homem que como tu sofre
Que vive alegrias e tristezas

Um momento ditou-te o destino
Um instante de tentação
Uma insanidade ou não
Selando-te agora na morte!

As respostas …
Essas, leva-las para o túmulo
Onde frios jazem teus pensamentos
Num casulo desprovido de ti!

João Salvador – 31/08/2013


Homenagem ao amigo Fernando Sendim falecido em 26/08/2013.

domingo, 7 de abril de 2013

O olhar da morte



Escolhi viver intensamente!
Temo o fenecimento, desprezo-o.
Fujo, sem norte … da morte!

Pois …
Não sei como morrerei,
Mas sei como viverei!

Vi os teus olhos ó morte,
Personificado num cadáver sem vida.
Definhou com um sorriso,
Convidativo, mas assustador.

Onde morrerei, não sei,
Mas sei como viverei!

Vi-te atrás de uma máscara,
Vi-te tão perto e tão longe.

Não sei quando morrerei,
Mas sei como viverei!

João Salvador – 15/07/2011

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Pensamentos (Medo da morte?)



Passava despreocupado na rua olhando a indiferença dos “seres humanos” alheios ao mundo, indiferentes perante o sofrimento alheio, mortos para o sentimento.
Perguntei a mim próprio: “Tens medo da morte, assusta-te? Bom, na verdade o que verdadeiramente me assusta é morrer em vida! Sim, morrer para o sentimento; deixar de sentir e amar … deixar de ser quem sou, um ser humano com alma e coração.
Disso sim tenho muito medo!

João Salvador - 18/12/2012

domingo, 6 de maio de 2012

Saudades de ti mãe!




Uma tristeza visceral
Apodera-se de mim
A alma chora desalentada
Uma angústia possessa
Mas ao mesmo tempo saudosista
Quando penso em ti


Não te tenho mãe
Partiste suplicando
Querias viver
Não pude impedir a tua travessia
Senti-me entorpecido … impotente
Sem ti sou tão pequeno
Um invólucro vazio


Falta-me o teu sentir materno
O teu laço protetor
Que sentia com fervor
Que a morte impiedosa me roubou


Nada pude fazer
Senão guardar as memórias
Respeitar o teu ensinamento
Ser o filho que crias-te!


Que a luz te ilumine
Estejas onde estiveres
Serás sempre aquela que me dou vida
Que me limpou as lágrimas
Me deu alento nos dias de dor
Serás sempre … a minha mãe!


João Salvador – 06/05/2012

domingo, 1 de abril de 2012

Rio que sublimo


Rio que sublimo
Nasces nas alturas
Chorado pela tristeza dos céus
Engrossado pelas lágrimas
Dos tormentos humanos
Que te regam e veneram
Numa vénia, num trejeito
Com todo o seu enfeito!
Corres no teu leito
Senhoril e altaneiro
Banhas as tuas margens
Nutres as tuas flores
Sustentas quem te consome

Percorres tortuosos caminhos
Imbuído no teu ventre de vida
Numa pureza cristalina
Num esplendor sublimado

Aproximas-te do clímax
Dum horizonte de glória
Impregnado de momentos
Eternizada por tormentos …
Paixão; Morte; Ilusão; Desilusão
Regados por devaneios de amor!

Ali, perdes a tua pureza
Mas ganhas toda uma beleza
Dada pela natureza
Numa doce virgindade
Banhada pela verdade!


João Salvador – 18/10/2011

quinta-feira, 15 de março de 2012

Grito de revolta!




Por vezes levanta-se a velha questão: vale a pena ser um homem dedicado?

Tanta injustiça que se vê na vida profissional (que é o que aqui se retrata), vinda de indivíduos que apesar da alegada experiência que pavoneiam pelos corredores, (não inata nem adquirida de um verdadeiro líder) mais parecem garotos. Mostram-se ora frustrados com eles próprios ora de bem com o mundo, mudando ao sabor do estado de espírito, demonstrando uma personalidade inconstante e imatura.

O esforço não ser reconhecido é duro, apesar de suportável. São até anedóticas as palavras que são sonorizadas pela deslealdade de quem vê trabalho de qualidade, feito por pessoas que se esmeram e mesmo assim o não reconhece, apesar de na máscara que veste o fazer (quando tal lhe aprouver), não o fazendo.

Questiono-me, valerá a pena tanta abnegação de pessoas dedicadas? Tantas horas, tanta privação da família; dos amigos …

Merda! (desculpem o impropério) Apetece gritar de revolta, ao ver estes seres desnorteados; energúmenos com uma falta de humildade gritante, que não conseguindo impor-se pela fundamentação acabam por ser presunçosos, arrogantes e enervantes até!

Pergunto, os honorários não são os mesmos? Poder-se-ia baixar os braços e ter-se um dia-a-dia mais sadio e sem aborrecimentos. Mas o raio do profissionalismo não deixa baixar os braços a quem se pauta pela retidão e competência.

Pois, que se lixe o reconhecimento, pelo menos vale o sorriso e o agradecimento de quem vê os seus problemas resolvidos, sendo estes que alimentam a nossa auto-estima que outros procuram desvanecer.

Reconhecimento dá-lo-á Deus (assim o espera o vulgar humano que nele acreditar) se assim o achar por bem, ainda que no leito da morte!

João Salvador - 15/03/2012

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Soldados


Nas trincheiras enlameadas
Nos buracos cavados pela morte
Na trajetória de uma bala
Ali está o soldado

Com o suor sulcado
Na face vincada de dor
O sofrimento contido
No pesar do seu espírito!

Morte que o procura
Na remissão da loucura
Tendo como última morada
Uma lápide moldada

Numa sepultura irada
Às portas de Portugal


João Salvador – 27/08/2011

Tributo ao Ranger


Caminhas pela escuridão, pé ante pé
Engolido pelas brumas, rodeado por fantasmas
Embrenhado, no mato, acariciando o tojo …
O Ranger passou cumprindo o silêncio da noite
Apesar das adversidades, a legação assim lho ditou!

Progredia o soldado no seu camuflado
Evitando o contacto, procurando máscaras
Ocultando a sua presença do inimigo
Palpitando o coração … apurando a visão

Sentia o metal gelado da espingarda
Que lhe torturava a alma!
Ofegava de emoção, sentido a pulsação
Num turbilhão de paixão que o perseguia
Nunca perdendo o rumo … evitando a morte!

Tendo como intenção: chegar; cumprir e vencer …
a perdição da desilusão, cumprindo a missão!
Norteada pela ação demoníaca do momento
Sem emoção ou medos da senhora da noite

Cuspiu rasgos de fogo latejantes
Arma fria que aqueceu e a alma enrijeceu
Gritos cortaram a noite num sofrimento atroz
Tudo acabou enfim … no silêncio


João Salvador – 26/08/2011

domingo, 28 de agosto de 2011

O meu pai era Moleiro - II



Meu pai era moleiro
Criava os filhos com paixão
Numa fome de existência
Procurou a redenção.

Meu pai era Moleiro,
Sofria com fervor!
Numa existência de labuta
Tendo por Deus, seu pastor!

Foste ceifado pela morte
Num adormecimento sereno
Premiado pelo amor
Do sorriso dos teus filhos

Pai, vives-te com afecto
Morres-te com devoção
No meu peito tu resides
Dentro do meu coração!


João Salvador

terça-feira, 19 de julho de 2011

Convite da Morte

Aproximei-me perigosamente de ti ...
Cai num vazio de paz, onde a luz se aproximou
O limbo onde me encontrei, foi momentâneo, mas forte
No entanto, não pensei, quase te abracei ...
Ó morte! Suavemente surgiste sorrateira e risonha
Convidas-me a acompanhar-te
Querias-me num mundo que desconheço
Dizes em voz jocosa, que morrer não é acabar é renascer
Vi-te no entanto, ladeada de almas suspensas nos céus
Almas que gritavam, voando rumo ao Inferno
Vinhas ornada de uma gadanha de ferro, frio e arrepiante
Vestias um manto negro a relampejar,
Emanas um odor intenso, cheiras a sofrimento e dor.
O teu olhar, ainda que apelativo é vazio
É desprovido de emoção, um olhar medonho
No entanto, resisti aos teus encantos, tenho medo ...
Resisti a um cruel mas doce destino
Impuseste um pensar que me engana,
Quase me fez esquecer de viver
Uma morte que me envolve,
Rouba-me a serenidade
O repouso alicia, mas não o quero
Preciso de alimentar a alma de vida
Serás tu, ó morte, o fim?
Talvez, mas não a finalidade da vida
Não perdi o entusiasmo de viver, por isso vivo
Afasta-te de mim ó sombra tenebrosa ...
A vida é algo que persigo ... o olhar da mulher amada
O carinho da prol, o sorriso das gentes
Os sonhos, urgem num turbilhão, quero vivê-los
Pois morrerei certamente, mas não a teu convite

João Salvador