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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Doces sonhos


Vive escondida no cume da montanha
Assolada pela dúvida da sua própria vida
Escalou as rochas da desilusão
Venceu obstáculos que cimentaram o coração
Corajosamente atingiu o horizonte
Expiou a sua dor que adormeceu mas não venceu!

No seu íntimo não a quis vencer
Nunca esqueceu esse amor
Aquele amor/dor que lhe habita o sono
Que lhe aquece as longas noites frias de inverno

Foram esses doces sonhos de esperança
Que dissiparam o nevoeiro,
Das dúvidas que hoje não tem!


João Salvador – 23/08/2014

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Despido de amor


Nu!
Despido …
Sentimentos caídos
Pedra fria
O que sou?
Um corpo inacabado
Inabitado …
Onde mora o amor?
Vazio …
Inócuo
Memórias perdidas!
No pantanal dos sentidos
Onde reina a dor
E a obscuridade da desilusão!


João Salvador – 21/02/2014

Triste ilusão


Nos pequenos gestos encontras o carinho
Nas palavras o afecto …
Não terás irrealidades
Nem sonhos inatingíveis
Ou momentos efémeros
Ilusórios
Que te preencham um momento
E te abandonem vazia
As pequenas coisas que possuis
São riquezas que não valorizas agora …
Até as perderes
Num remorso mortal
Que te atinja a alma
Que jaz vazia
Num sepulcro sem vida!
De que te valeu a cegueira …
Apenas a morte de uma falsa paixão?
Quem és agora?
Um fantasma de ti próprio?
Tudo tinhas …
Nada tens …
Vagueias perdido no mar da desilusão!


João Salvador – 08/02/2014

domingo, 1 de abril de 2012

Rio que sublimo


Rio que sublimo
Nasces nas alturas
Chorado pela tristeza dos céus
Engrossado pelas lágrimas
Dos tormentos humanos
Que te regam e veneram
Numa vénia, num trejeito
Com todo o seu enfeito!
Corres no teu leito
Senhoril e altaneiro
Banhas as tuas margens
Nutres as tuas flores
Sustentas quem te consome

Percorres tortuosos caminhos
Imbuído no teu ventre de vida
Numa pureza cristalina
Num esplendor sublimado

Aproximas-te do clímax
Dum horizonte de glória
Impregnado de momentos
Eternizada por tormentos …
Paixão; Morte; Ilusão; Desilusão
Regados por devaneios de amor!

Ali, perdes a tua pureza
Mas ganhas toda uma beleza
Dada pela natureza
Numa doce virgindade
Banhada pela verdade!


João Salvador – 18/10/2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ver-te chorar


Estás triste meu filho.
Choras inconsolavelmente
A realização do sonho que não o foi
A meta que não alcanças-te
A primeira amargura da vida …
Uma aflição, um aperto


A tristeza em ti mata o meu coração
Ver-te triste, uma ilusão que caiu
É uma dor que partilho … que me flagela
Que me sangra em jorros de angústia


És um fruto em formação …
Ao sabor da desilusão,
Uma realidade nua e crua!
Impiedosa ….


Ainda que criança,
Não te esqueças
Que, existe a esperança
De uma vida …
Uma herança!



João Salvador – 06/09/2011

Nota: Poema dedicado ao meu filho Rafael Salvador. Que a vida lhe sorria sempre, na esperança que os valores que lhe transmiti o façam um homem bom, com valores!

Pintura intitulada O menino que chora.
A título de curiosidade, refira-se que a autoria da pintura é atribuída a um artista chamado Bragolin e faz parte de uma colecção de 28 peças sempre com o mesmo motivo: crianças a chorar.