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terça-feira, 1 de março de 2016

O amor gira hoje em torno da ilusão?



O amor gira hoje em torno da ilusão? 
Será o amor ilusão? 
Será perdição? 
Serão apenas momentos, enganos, tempos esquecidos?
Sabeis o que era outrora o amor? 
Eram verdades ditas com sentimento, com vontade, vividas, sentidas, arrancadas às profundezas das nossas almas.

Eram arrepios, intensificados pela troca de olhares, pelos toques subtis que o alimentavam.

Paixões que permaneciam.
Amores que o tempo não apagava!
Amores de perdição; loucura, um doce entorpecimento, um querer que ia além do corpo, um pairar no limbo de duas almas gémeas que partilhavam, se entrelaçavam ... se amavam verdadeiramente!
O amor, o que é hoje o amor?
É apenas uma ilusão dos sentidos daqueles que sentem, mas no fundo nada sentem. 

Acham que sabem o que o amor é, mas não sabem, julgo que não sabem, como eu talvez não saiba.
Vivem enganados, estão enganados, ludibriados pelos venenos de belezas armadilhadas, cujos corações são vazios, desprovidos do verdadeiro sentir. 

Amam a escultura, não o cinzel que a esculpiu, não a mão que o segurou, não o homem que lhe deu forma e beleza!

São indivíduos de espírito vencido, cujas plantas não regaram e cujas flores deixaram murchar.
O amor é algo maravilhoso, atingível apenas para aqueles que têm fé, para os de mente transparente, límpida, translucida, de coração puro, para aqueles que olham e sentem o desabrochar de uma pétala de rosa, perfumada, deixando-se inebriar pelo perfume que emana.
O amor é na sua essência tão simples, basta fechar os olhos e sentir. Deixar a natureza fazer o seu papel, libertar os seus mistérios, cujas mentes humanas não conseguem explorar! 


Sim, sentir quem verdadeiramente nos faz feliz, esteja aqui, ali, perto ou longe!

Divago, assimilando as palavras ditas, afinal sei ou não sei o que é hoje o amar?
Sei, mas não sei. Nem de mim sei ...
Afinal que sei eu do amor?
Talvez o saibamos quando o sentirmos pleno, sem rodeios sem conflitos, quando a nossa mente alcançar o nirvana, a paz, a harmonia, a fluidez pura e que julgo atingível, até ao tocar o verdadeiro sentido do amor ...




João Salvador - 01/02/2016

sábado, 2 de novembro de 2013

Fechado no quarto dos sonhos


Fechado no quarto dos sonhos
Preso entre quatro paredes,
Fluem pensamentos perdidos,
Outrora guiados por jovens corações!

Certeza longínqua,
Resignação,
Renúncia de um amor
Ilusórias promessas

Esfumado horizonte …
Sonegação de sonhos,
Tragados pela existência
Marcados pela crueldade da vida!

Questiona-se o poeta:
De que lhe valem os sonhos sonhados,
se não realizados?

És cruel ó realidade!
Apesar da dor que provocas
O sonho vale pelo instante
Pelo prazer da ilusão
Ou tão só pelo amor
Sonhado …
Ainda que não realizado!


João Salvador – 1/09/2013

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Pacificação da alma



Pacifico a minha alma
Emano um brilho de bem amar,
Refletido no teu olhar
Transmitido num calor humano
Aos irmãos que dele careciam
Que choravam mas logo calaram!

Transmissão de bem e gestos simples,
para muitos pequenos,
para outros … colossais,
nas suas vidas minúsculas
que deles florescem.

Um amor transfigurado nas profundezas do coração
Não na procura de ilusão,
apenas …
A Pacificação da alma que achavas perdida.

João Salvador – 17/01/2012

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Esquecimento


Finge o poeta que esquece
Foge do espírito que o enlouquece
Afasta do pensamento a memória
Sepultando o sentimento que sente!

Remete o amor para o esquecimento
Numa ténue fronteira que o assusta
Num presente já passado, que o rodeia
Ali estão as reminiscências da mente

Memórias que afloram em dias de melancolia
Desabrocham intensamente, num fogo viral e violento
Ferem intensamente o coração da gente
Ofuscam o espírito e a razão … irracionalmente!

Uma lembrança morta de chama vida,
Numa dor que reaparece intermitente
Numa ilusão que desaparece
Num pensar que não padece!


João Gomes Salvador - 20/10/2010

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Encontro sonhado



Concentras-te no limbo do vazio
Evitas olha-la
Tão próxima …
Sentes seu cheiro
Enlouquecedor!

A tentação é forte
Vês a sua imagem reflectida
no teu céu espelhado
onde vislumbras o seu olhar
a penetrar-te.
Irrompe no teu sentir!

Um olhar consentido
seduziu teus perdidos
e luxuriantes pensamentos
Olhares que agora se gladiam
apelando ao selvático desejo
Um animalesco devaneio

Um realizar …
Sonhado por duas almas desconhecidas
Viram-se apenas infinitamente
neste instante vivido que é o agora!

Perderam-se no embate dos olhares
profundos … saborosos e sentidos
Deixaram explodir a paixão!
Tudo a imaginação sonhou
numa realidade verdadeira
Amaram-se na perdição
satisfazendo uma ilusão!

Logo relaxaram …
Estava consumado
Refrearam seus olhares
Passou o momento sonhado
Por dois desconhecidos
Perdidos no tempo
Perdidos no espaço
Perdidos em si!

João Salvador – 17/10/2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Vive



Vive do amor a alma
Vive dos sonhos a ilusão
Vive do desejo a paixão
Vive da dor o sofrimento.

Vives tu num adormecer
Vives num entorpecer
Vives tu no teu querer
Vives sem nunca me ter!

João Salvador – 14/11/2010

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Desatinos da inocência perdida


O Sol banha os corpos sedentos de luz
Cujos raios absorve a inocência do colegial
Metamorfoseando-o,
Tornando-o homem
Cedente aos desejos
Apelativos
Da carne

Descobre o que não teve
Procura saciar a fome!
De amor
Na paixão

Perde-se
Nas emoções
Que lhe toldam
A visão
E lhe ofuscam a razão

Que lhe importa
Seja
Ilusão
Paixão
Ou não

Perdeu a inocência
Descobriu a paixão
Simplesmente …
Quer viver …
Antes de morrer!

João Salvador – 25/06/2012


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sonhos sepultados



Penso tristemente, nas mágoas que te perseguem
Ficas envolta em nublosas névoas que rasgam as trevas.
Sentimentos amordaçados que extravasas de ti,
em estéreis sonhos que sepultas na alma!

Palavras que não dizes, que te são vedadas.
Vives muda. Numa eternidade que não passa.
Palavras aprisionadas que vivem no pensar,
em sentimentos que não podes mostrar.

Uma dor eterna que te atormenta,
vagueando só, num coração vazio,
que não preenches do amor que desejas,
mas que te alimenta a ilusão de ser feliz!


João Salvador – 07/02/2012

domingo, 1 de abril de 2012

Rio que sublimo


Rio que sublimo
Nasces nas alturas
Chorado pela tristeza dos céus
Engrossado pelas lágrimas
Dos tormentos humanos
Que te regam e veneram
Numa vénia, num trejeito
Com todo o seu enfeito!
Corres no teu leito
Senhoril e altaneiro
Banhas as tuas margens
Nutres as tuas flores
Sustentas quem te consome

Percorres tortuosos caminhos
Imbuído no teu ventre de vida
Numa pureza cristalina
Num esplendor sublimado

Aproximas-te do clímax
Dum horizonte de glória
Impregnado de momentos
Eternizada por tormentos …
Paixão; Morte; Ilusão; Desilusão
Regados por devaneios de amor!

Ali, perdes a tua pureza
Mas ganhas toda uma beleza
Dada pela natureza
Numa doce virgindade
Banhada pela verdade!


João Salvador – 18/10/2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sereia



Rainha dos mares,
Do meu coração.
Percorres as águas,
Da minha ilusão.

Cavalgas as ondas,
Despertas paixões,
Cativas varões,
Vendes ilusões.

Conduzes as águas,
Iluminas a vida,
Realizas os sonhos,
Destes seres tristonhos.

És um engano …
um ser profano,
Que percorre o mar,
Que afunda as naus,
Que afoga os sonhos,

Matas de dor …
Aniquilas almas!
Sangras os homens …
Destróis o amor!


João Salvador - 2011