A poesia é um bálsamo para a alma. Neste cantinho eu navego por um mundo que construi e que me transmite paz. É para mim um refúgio onde o imaginário e o gosto pelas palavras me inundam e me fazem sonhar. Quem não precisa de sonhar, num mundo cada vez mais cinzento? Sejam bem-vindos! Visite ainda o meu blog: http://joaogomesalvador.blogspot.pt/
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Soldados
Nas trincheiras enlameadas
Nos buracos cavados pela morte
Na trajetória de uma bala
Ali está o soldado
Com o suor sulcado
Na face vincada de dor
O sofrimento contido
No pesar do seu espírito!
Morte que o procura
Na remissão da loucura
Tendo como última morada
Uma lápide moldada
Numa sepultura irada
Às portas de Portugal
João Salvador – 27/08/2011
Tributo ao Ranger
Caminhas pela escuridão, pé ante pé
Engolido pelas brumas, rodeado por fantasmas
Embrenhado, no mato, acariciando o tojo …
O Ranger passou cumprindo o silêncio da noite
Apesar das adversidades, a legação assim lho ditou!
Progredia o soldado no seu camuflado
Evitando o contacto, procurando máscaras
Ocultando a sua presença do inimigo
Palpitando o coração … apurando a visão
Sentia o metal gelado da espingarda
Que lhe torturava a alma!
Ofegava de emoção, sentido a pulsação
Num turbilhão de paixão que o perseguia
Nunca perdendo o rumo … evitando a morte!
Tendo como intenção: chegar; cumprir e vencer …
a perdição da desilusão, cumprindo a missão!
Norteada pela ação demoníaca do momento
Sem emoção ou medos da senhora da noite
Cuspiu rasgos de fogo latejantes
Arma fria que aqueceu e a alma enrijeceu
Gritos cortaram a noite num sofrimento atroz
Tudo acabou enfim … no silêncio
João Salvador – 26/08/2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Mãe
O frio percorreu-me o corpo
Nesse inverno absorto … em si mesmo.
Um arrepio, fez-me acordar
Fez-me sentir o que não queria sentir.
As lágrimas inundaram-me,
Alagando o meu mundo,
Transbordando de dor!
De repente
Perdi o teu calor,
O teu colo
O teu amor
Ó minha mãe …
Perco-me nas recordações
Na infância
Nas tropelias de uma criança.
Tu sorrias …
Alimentavas-me de carinho,
Ainda que envergonhado,
Pelas indelicadezas da vida!
Nos teus braços
Protegidos, sentia-me …
Amado, adorado …
uma criança feliz!
Esse teu calor que guardo
No fundo do meu ser
Nas memórias que não vou esquecer
Vivo dessas lembranças
Do teu exemplo
Desse motor que me faz viver!
Das tuas histórias de vida
Ainda que longe
Ter-te-ei presente,
Para todo o sempre!
João Salvador – 07/09/2011
Nesse inverno absorto … em si mesmo.
Um arrepio, fez-me acordar
Fez-me sentir o que não queria sentir.
As lágrimas inundaram-me,
Alagando o meu mundo,
Transbordando de dor!
De repente
Perdi o teu calor,
O teu colo
O teu amor
Ó minha mãe …
Perco-me nas recordações
Na infância
Nas tropelias de uma criança.
Tu sorrias …
Alimentavas-me de carinho,
Ainda que envergonhado,
Pelas indelicadezas da vida!
Nos teus braços
Protegidos, sentia-me …
Amado, adorado …
uma criança feliz!
Esse teu calor que guardo
No fundo do meu ser
Nas memórias que não vou esquecer
Vivo dessas lembranças
Do teu exemplo
Desse motor que me faz viver!
Das tuas histórias de vida
Ainda que longe
Ter-te-ei presente,
Para todo o sempre!
João Salvador – 07/09/2011
domingo, 4 de setembro de 2011
Pensamentos de ilusão
Sinto-te distante
Separada por pensamentos,
devaneios e encantamentos.
Quero-te mas não te tenho,
estás perdida em ti!
Aguardo a tua voz serena
Que me alimente o desejo
Que temo!
Mas que almejo!
Errada é a paixão,
mera essência da ilusão?
É um escape … uma vida?
Assim o seja!
Pois …
Não vivo por viver
Não existo por existir
Não te quero por te querer,
Quero-te por te amar!
João Salvador - 04/09/2011
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
A Ferro e Fogo
Escondo-me... do sentimento
Entro em compaixão
Busco a redenção … o perdão!
Que fuga poderei ter?
Que realidade poderei querer?
Não sei o que quero,
Mas sei o que sinto!
Cravada a ferro e fogo
Está a lembrança … no meu coração.
No meu sangue de lava,
Tu és vida … que lateja e me alimenta.
Ali vives tu!
Sim! Ali vives tu
No sangue que me aquece
Como um vulcão
Que me enlouquece
Por ti vivo e me alimento!
Esperando um novo dia,
… a salvação da minha alma!
Quase rendida, a este mundo de perdição!
01/09/2011 - João Salvador
domingo, 28 de agosto de 2011
Rosa do Desejo
Rosa pura, beijo-te num ósculo molhado
Nas tuas pétalas vermelhas, que me cegam
Com a infinita beleza do teu cheiro perfumado
Deleitam-me os perfumes de luxúria que emanas
Passo a rosa pelos meus lábios molhados
Deposito-a nos teus seios rijos de anseio
Para que sintas em jeito, o meu beijo que te deixo!
Brinco com a rosa, ondulante no teu corpo
Faço-te crescer a ânsia do pecado carnal
Para que sintas a perdição na satisfação!
Em trejeito de cópula eterna, numa loucura insana
Numa troca de fluídos puros libertados pelo amor
Dois corpos; ardentes … quentes, que se sentem
E cuja fome cedeu ao desejo … urgente
Consumimos os nossos corpos, devoramo-los …
Usamos os corpos, como alimento
Para nos libertar de um tormento.
Saciados enfim … num momento!
João Salvador
O meu pai era Moleiro - II
Meu pai era moleiro
Criava os filhos com paixão
Numa fome de existência
Procurou a redenção.
Meu pai era Moleiro,
Sofria com fervor!
Numa existência de labuta
Tendo por Deus, seu pastor!
Foste ceifado pela morte
Num adormecimento sereno
Premiado pelo amor
Do sorriso dos teus filhos
Pai, vives-te com afecto
Morres-te com devoção
No meu peito tu resides
Dentro do meu coração!
João Salvador
terça-feira, 23 de agosto de 2011
O meu pai era Moleiro - I
O Meu pai era moleiro
Homem humilde e delicado
Fazia o pão, moia o trigo
Lidava com o povo, seu amigo!
Meu pai era moleiro,
um verdadeiro cavalheiro.
Moldava a vida ao trabalho,
Era um homem obreiro.
Meu pai era moleiro,
Fazia a farinha e o pão
Para alimentar o homem,
Desta vida, seu irmão!
João Salvador
sábado, 13 de agosto de 2011
Choro de desilusão!
Hoje estou triste,
Sou homem mas sinto …
Sim! O homem sente … sofre.
O meu pensamento é incerto.
Sofro em lágrimas de silêncio!
Sinto um ardor que me atormenta,
Uma dor que não dói.
Quero afastar as ideias sombrias,
São devaneios doentios!
Divagações que não quero!
Não me revejo nas trevas,
Vejo as almas … vazias,
Salpicadas de rancor!
O ódio atormenta-os,
Não sentem,
Estão sós,
Apenas existem!
Expludo de raiva!
Não aguento
Tanta solidão.
Apesar da multidão.
Eu choro …
De desilusão!
Apesar da multidão.
Eu choro …
De desilusão!
João Salvador
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Vive do meu amor!
Ó mulher!
Sofro por ti.
Ardem-me as entranhas,
De amor.
Por favor,
Liberta-me desta dor
Sou o teu libertador!
Aclama-me com ardor,
Vive do meu amor!
João Salvador
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