sexta-feira, 13 de maio de 2016

Extenuação

Os dias sucedem-se às noites,
as noites aos dias,
a primavera ao verão, 
os anos às décadas.
A infância passa,
segue a adolescência,
a maioridade,
a idade adulta, 
as rugas,
a sabedoria ...
a morte!

O cansaço acumula,
extenua,
desgasta,
marca ...
Não somos feitos de ferro,
não somos autómatos, 
não somos bonecos,
não somos infindáveis, 
eternos ...

A paz. 
Essa não chega.
É utópica.
Vive-se o ruído.
A poluição da mente.
Uma sociedade apressada,
atolada em nada,
deturpada!

Que o cansaço não vença a mente,
Que não impeça de alcançar a meta.
O maior cansaço ... 
esse não é físico, é mental!
João Salvador 13/05/2016

domingo, 8 de maio de 2016

Olhar de silêncio

Conheço bem esse olhar.
Atrás dele,
a dor,
a inglória,
o destino errante,
a distância do amante!


Esse olhar,
mistério do silêncio,
palavras sonegadas,
castradas,
amarradas.


Esse olhar,
esconde a suplica,
a vontade,
de amar!


Escondes amor,
o que sentes,
na profundeza do olhar!
Afinal, diz-me,
o que sentes?


Porque o fazes?
Porque martirizas a paixão,
encarcerada no coração?
Porque matas o nosso viver?


João Salvador - 08/05/2016

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Sombra da inveja

O sucesso de cada um deve ser motivo de alegria, de júbilo, de partilha. 
Não inveje o sucesso dos outros, 
pois para o conseguirem, esforçaram-se, suaram, batalharam. 

Faça o mesmo e lute ... não inveje!

João Salvador - 23/04/2016



Metas imperfeitas

Nunca almeje a perfeição, 
pois se o tentar, 
nunca será a essência daquilo que é verdadeiramente, 
um ser humano!

Viva despreocupado, erre, 
seja imperfeito, mas vá corrigindo as imperfeições, 
aprendendo com elas. 

As metas do destino, 
sempre lhe colocarão novos obstáculos, 
cujas soluções serão ou não adequadas, 
perfeitas ou imperfeitas!

João Salvador - 29/04/2016



Vírus da ignorância

A ignorância espalha-se hoje como um vírus. 
É recorrente ver-se os ignorantes a rirem-se daqueles que erram,
porque estes trabalham, buscam metas, vivem e lutam!

Seguramente que aquele que faz, 
que labuta, que se esforça, saberá rir dos próprios erros, 
reconhecendo-os e corrigindo-os. 
Não necessitará do riso malicioso, 
depreciativo daqueles que o pretendem derrubar ou denegrir-lhe a imagem!

João Salvador - 30/04/2016


Silêncios da alma

Diariamente, na mente gladiam-se pensamentos diversificados, 
que apoquentam a nossa alma.

Vivemos com eles, 
no trabalho, 
na vida pessoal ... 
arrastando-os nos nossos silêncios, 
nas nossas mágoas, guardando-os.

Ferem o coração e corrompem a nossa alma. 
Mas verte-los para o conhecimento alheio é matar a nossa essência, 
pois existem pensamentos que devem ser só nossos, 
Devem viver aprisionados na nossa mente. 

Partilhar não é solução. 
O amigo, fala com o amigo.
Logo o povo conhece o que te atormenta, esvaziando-te a alma!


João Salvador - 01/05/2016





A crítica e o nada fazer

Quer evitar a crítica? 
Se tiver estômago, siga à risca as recomendações de Aristóteles: fazer NADA; dizer NADA e ser NADA. 
Evita chatices, mas será sempre um NADA.
Será apenas um inútil, um imprestável! 
Ser nada é um vazio que envenena a alma, mata a consciência e suga a essência da prestabilidade humana. 
Assim, sejamos criticados por fazermos e aprendamos com os erros!



João Salvador 05/05/2016


terça-feira, 3 de maio de 2016

Barreiras do destino e da vida


As barreiras que o destino atravessa no rumo da vida, 
são muitas vezes um fardo doloroso, pesado, intransponível!

O esforço hercúleo, inumano, digno dos deuses, 
não está ao alcance do simples mortal.

Os sentimentos que lhe ferem a carne, 
esses são só seus, indivisíveis, impartilháveis, secretos, envergonhados!

São tudo aquilo, que rejeita quem ama, quem tem chama, quem compreende, quem vive. 

Mas essa carga, alguém a tem que suportar, alguém forte mas frágil, alguém corajoso mas cobarde, alguém puro mas conspurcado ....

Já não clama por ajuda, pela salvação, vive a resignação, busca o perdão, para uma alma perdida, assombrada pelos fantasmas da indecisão de outrora!

Não invejando a miserável sorte do infortúnio, esse fardo não reclamado, não desejado, é agora daquele que o plantou. É agora seu!


João Salvador - 03/05/2016

quarta-feira, 27 de abril de 2016

O meu corpo clama pelo teu

 
Respiro com sofreguidão,
as memórias do teu corpo nu!
Busco o toque perdido no tempo,
aquele prazer que me davas,
partilhado com urgência,
com vontade!

Lembras-te da união sequiosa,
alimentada pela loucura?
A nossa loucura!
Qualquer lugar era o nosso leito,
o importante eras tu e eu!
Hoje, o meu corpo clama pelo teu,
chorando a ausência da perdição!


Imploro-te mulher. 
Unamos nossos corpos nus.
Vivamos abandonados,
à loucura da nossa paixão! 

João Salvador - 27/04/2016


quarta-feira, 20 de abril de 2016

Mia Couto, sabe do que falam os homens

Os homens, vivem batalhando pela ganância, matando em nome dela, camuflando a agiotagem, arrogando-se defensores da liberdade, da religião, da política, mas apenas para justificar as suas atrocidades e os atropelos à humanidade.

O rasto que deixam é de destruição, almas irrecuperáveis, vidas ceifadas, pobreza extrema e para uma elite, o avolumar de valores materiais, que lhes cegam a visão e lhes toldam o coração, matando a própria mãe.

Infelizmente isso vê-se desde a plebe, até aos mordomos, aqueles que vivem desafogados, pisando a base da pirâmide. 
Mas nem a base sabe viver em harmonia, trabalhando em equipa para vencer a ganância, o egoísmo. 

Não saibamos viver em harmonia e logo voltaremos ao estado de selvajaria, anarquia, sem rumo e sem lei ...

João Salvador - 20/04/2016


"Encheram a terra de fronteiras, 
carregaram o céu de bandeiras, 
mas só há duas nações – a dos vivos e dos mortos."

Mia Couto, em "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra".