terça-feira, 7 de abril de 2015

A ilusão é um caminho para a perdição



Doces pensamentos e devaneios, socorrem-se da insatisfação mundana. 

O ser humano é em si um ser insatisfeito, procurando constantemente algo que não existe, a felicidade plena – uma utópia filosófica, cujos ancestrais procuraram compreender e cuja batalha jaz perdida nas profundidades oceânicas dos sentimentos sulcados nos corações sofridos. 

Quanto mais busca, mais sede tem de alcançar, o que sabe ser-se inalcançável. Essa busca torna-se martirizante, viciante, alarmante e destruidora de almas, outrora translúcidas!

Já se não contentam com os pequenos gestos, com o que verdadeiramente deveria importar-lhes. Vivem num mundo fantasmagórico, ilusório, teatral, enganadas pelas suas próprias visões vãs, alimentadas por realidades virtuais, que lhes envenenam a alma, conspurcando e matando todas as flores que antes colhiam e veneravam. Flores que outrora lhes perfumava a vida, a beleza, algo que hoje lhes foge por entre os dedos!

Se essa alma encontrou o verdadeiro amor, e for irrigada pelo vírus do descontentamento, chega a uma fase em que este já não lhe basta, falta sempre algo, passando a encontrar imperfeições, onde antes via perfeição, paixão. Onde antes via pureza, hoje vê fealdade, transtorno, insatisfação, ressentimento: farta-se do afecto, do equilíbrio, do amor! 

Buscam um novo príncipe, que lhes preencha os devaneios e lhes concretize os desejos, até este se tornar num ser imperfeito, cujos sonhos já não lhe preencham as medidas. 

Aí fartam-se e descartam-no, abandonando-o a sua sorte. Ironicamente esse abandono, poderá ser a salvação dessa alma devassada pela ilusão perdida das almas insatisfeitas e envenenadas. 

A ilusão conduz tais almas a um caminho de vulgaridade, perdição, perca de identidade. 

A busca tresloucada de algo que não existe, consome esses corações incautos, pobres de espírito, cuja nobreza morreu. Passam a ser meros objetos excretáveis nas mãos de alguns prevaricadores, que apenas o são por consentimento mútuo (também eles almas perdidas sem rumo, vivendo num limbo de podridão e negação), que como abutres se alimentam dessas mentes frágeis, sem amor-próprio, que por elas destroem a sua paz e a vida de mares calmos, que haviam alcançado tão sabiamente. E então porque o fazem? Também procuram a corrupção dos seus valores, a destruição das suas débeis existências? São movidas pela ilusão de uma sociedade que lhes impinge ofertas vazias, que nada possuem no interior, apenas o nada … um invólucro vazio, que nada preenche mas tudo destrói!

Em boa verdade, a experiência humana é um livro milenar, que deveria ensinar-nos a ler-nos; ensinar-nos a sermos; a estarmos; a amar-nos; a partilhar-mos; a preocupar-nos com o próximo - quer através das nossas próprias vivências, quer através das histórias de vida de terceiros. 

Buscar a auto-satisfação egoísta, centram a vida em futilidades, inutilidades, seres que mais tarde ou mais cedo se tornam repulsivos para si próprios, quando fazem mea culpa e se dão conta do ressentimento em que se tornou a existência e sentem-no. 

São patronos que vivem num púlpito de céu, reinando fracções de tempo ínfimo, que logo se esfumam. Apetecíveis momentaneamente, mas descartáveis … a ilusão é de facto um caminho alarmante e perigoso que apenas conduz à perdição da génese humana, matando as almas, levando as mentes à loucura! 


João Salvador – 07/04/2015
In divagações e dissertações

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Floresta de versos


Floresta de versos declamados,
Rompem as súplicas do teu silêncio,
Sussurrando ao vento em surdina:
Acorda coração adormecido!

Pelas orlas da floresta encantada
Caminhas tu, princesa de luz
Irradias uma paixão explosiva
Amas loucamente …

Ainda que não conheças o rumo,
O destino implacável cruza a floresta
Cujas folhas multicolores te beijam
Alimentando-te os devaneios da vida

A luz, o vento, a mãe natureza
Conduzem-te a um leito aprazível
Leito onde amarás o poeta
Que te invade os sonhos


João Salvador – 03/04/2015

sábado, 14 de março de 2015

Estátua de pedra



Naqueles dias sombrios, em que as tuas lágrimas me mataram,
O sol perdeu-se no abismo do universo, gritando com ardor,
As trevas apoderar-se do amor, cercando-o, quebrando a sua luz,
Engolindo o feitiço de um sentimento tão belo como místico,
Cujas gerações alimentou de sonhos e de vida,
Aprisionou-o num cofre, onde as almas gritam de dor!

Toda a terra fértil que havia plantado, regada pela paixão,
Desvaneceu-se, tragada pelos ventos impuros da traição!
Tornei-me hoje, uma estátua de pedra,
Um homem sem vida, petrificado num leito de morte,
Uma estatura cujos veios secaram,
Onde outrora havia amor e vida,
Onde o sangue jorrou outrora quente,
Jaz agora um ser cujo amor, morreu!


João Salvador – 14/03/2015

domingo, 1 de março de 2015

Dissertação sobre a amizade


Que palavras escrever, para expressar a amizade que atravessa o peito daquele amigo que ouve e censura, mesmo que as suas palavras firam a tua alma, como uma flecha fria que te trespassa?

Sabendo-o no fundo que tem razão, despreza-lo, abandona-lo. Tardiamente dás-te conta que foste injusto, intolerante, inflexível … talvez até manipulado por palavras doces de um diabo camuflado de anjo.

Não mais deixarás que uma amizade enraizada seja envenenada, secando as raízes daquele amor irmão, regado diariamente, pela cumplicidade e pelos sorrisos.

A pureza cristalina da amizade cabe num peito tolerante, onde mergulham várias amizades, cada uma com o seu lugar cativo, sem atropelos. Todas elas possuem as suas qualidades, e, o seu cantinho na partilha de sentimentos.

Deixa que chore, deixa que exteriorize, mas não deixes a amizade morrer!

Acolhe o amigo, ainda que te magoe, ainda que pronuncie uma palavra menos apropriada. Fê-lo num momento de impulsividade, de dor … dor essa que deves abraçar.

Abraça-o, principalmente na tristeza dos dias em que as nuvens cobrem o céu de trevas. Sê o seu raio de sol, que lhe banha a pele. Se a terra fértil, onde o seu sorriso floresce e se alimenta!

Busca o que de bom nasceu naquele sentimento que lhe brota do peito. Vive todos os seus momentos … escuta-o atentamente.

Perdoa-lhe os momentos em que é bajulado por aqueles que o procuram apenas em momentos de alegria e o abandonam em momentos de tristeza.

Esse parasitismo combate-o se tiveres forças para tal, bastando para isso seres tu próprio ainda que ele te abandone!

A amizade pura e verdadeira: não julga, para não ser julgada; não critica para não ser criticada; não bajula para não ser castrada; não exige; partilha a alegria … mas também a dor!

A amizade nada pede em troca … apenas sente, assim sentes tu, humano que chora e ri, que vê viver e morrer, sentimentos.

Oferece o templo do teu sorriso, principalmente naqueles dias tempestuosos em que te apetece gritar. Mas não o faças, o teu amigo precisa de sorrir.

Ainda que o nevoeiro te tolde a alma, ainda que chores lágrimas banhadas a sangue, força-te a abrir a boca, levantar os lábios e a mostrar um sorriso cristalino … faz isso e serás um verdadeiro amigo, pois sabes que mesmo sofrendo ele está a precisar de ti!


João Salvador – 01/03/2014

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Pensamento - Rosto angelicall



Após vislumbrar aquele rosto angelical que habita os sonhos inalcançáveis do eterno namoro, o coração repousa agora relaxado aguardando a emoção do amor libertado!


João Salvador – 18/08/2014

Angústia


mores renascidos
o calor de noites escaldantes
anham folego na paixão oculta
rge juntar os corpos suados
entir o prazer da luxúria
irar proveito da vida, matar a angústia!
Í nfimos momentos de êxtase, idealizados!
tingidos pelo limiar do prazer carnal.

João Salvador – 23/08/2014

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Palavra aprisionada


Aquelas palavras que não pronunciei
Guardo-as em mim, expectante!
Mordo os lábios suplicantes
Retendo a palavra amor

Jaz entorpecida … quase morta
Mato-a nas entranhas do meu ser
Mas apenas momentaneamente
O poder da mente, conjuga-se

Abate-se o sofrer, urge viver!
Não consigo reter tão forte sentir
Busco o amor, ele vai surgir!

Nascerá mais fulgente …
Qual fénix … poderosa, arrebatadora
Fundirá o amor
Renascerá nos corações esquecidos.


João Salvador – 12/02/2015

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Pensamentos silenciados


Moves-te no vazio dos silêncio emanados pelos teus pensamentos antagónicos, que não compreendes, ocultando em ti sentimentos atormentados que lutam entre a razão e o coração, entre a hesitação e a concretização.

Habitas as suas noites aquecidas pelas memórias luxuriantes dos desejos de dois amantes que insistem conhecer-se, lambuzar-se nos seus corpos sedentos, privados que o estão … ensandecendo-os!
Querem desabrochar, libertar-se de uma vida encarcerada por mal-entendidos e medos infundados!

Chega-se a um ponto em que os medos se tornam estupidificados, num mundo de liberdade, apenas não se vive se não se quiser. A dor deve ser castrada e não alimentada através da não concretização do desejável, da vontade, da paixão … do querer!

Grita ao vento, que espalhe as palavras silenciadas por anos de clausura. Ela que seja a mensageira da tua felicidade. Liberta-te, realiza-te, vive-te …

O tempo dos silêncios, dos medos, da dor … doce ou amarga, o tempo dessa dor apregoada por Camões já morreu com a odisseia poética do autor, que largou os sonhos no papel branco, onde pousou a caneta, procurando agora a realidade do contacto no regaço de quem ama!

João Salvador - 26/01/2014

domingo, 28 de dezembro de 2014

Racionalidade perdida


Como podes pedir racionalidade?
Não a queres nem a desejas,
Queres a loucura de poder amar.
O coração é cego, sente!
Olha, absorve o seu olhar matador
Que penetra arrebatadoramente, rasgando-te o ventre,
Libertando-te da dor que consentes.
Olhar … enfureces a vontade que explode como lava!
O corpo treme, curvando-se perante tamanha beleza
Ah! E esse lábios carentes então?
Oh meu deus!
Proferissem eles a palavra amor e perder-te-ias nos seus braços, para todo o sempre!
Render-te-ias aos seus exército de sedução, baixando o escudo da realidade, esquivando-te aos medos, mergulhando na loucura do desejo adormecido, que rugiria acordando para a paixão, aprisionada no peito de um ser moribundo.
Um ser que vive só para te amar, ainda que o não vejas, ainda que o não sintas.
Nas sombras dos teus dias, os seus pensamentos perseguem-te, protegem-te, beijam-te, amam-te!
Tu, sim tu … és o desassossego da alma, amor!
És a razão do seu viver
És o seu doce sofrer!


João Gomes Salvador – 28/12/2014

sábado, 13 de dezembro de 2014

Mudança


Não seja adverso à mudança, veja-a como um novo caminho que precisa de percorrer na complexidade das encruzilhadas tecidas pelos fios da vida.

Ainda que a mudança o bafeje com doces saudades, momentos, amizades, siga o rumo que quer destinar à sua alma, agradecendo aqueles que o premiaram com o seu sorriso, a sua bondade e a sua amizade transparente, que nada pediu em troca.


João Salvador – 13/12/2014