sábado, 14 de março de 2015

Estátua de pedra



Naqueles dias sombrios, em que as tuas lágrimas me mataram,
O sol perdeu-se no abismo do universo, gritando com ardor,
As trevas apoderar-se do amor, cercando-o, quebrando a sua luz,
Engolindo o feitiço de um sentimento tão belo como místico,
Cujas gerações alimentou de sonhos e de vida,
Aprisionou-o num cofre, onde as almas gritam de dor!

Toda a terra fértil que havia plantado, regada pela paixão,
Desvaneceu-se, tragada pelos ventos impuros da traição!
Tornei-me hoje, uma estátua de pedra,
Um homem sem vida, petrificado num leito de morte,
Uma estatura cujos veios secaram,
Onde outrora havia amor e vida,
Onde o sangue jorrou outrora quente,
Jaz agora um ser cujo amor, morreu!


João Salvador – 14/03/2015

domingo, 1 de março de 2015

Dissertação sobre a amizade


Que palavras escrever, para expressar a amizade que atravessa o peito daquele amigo que ouve e censura, mesmo que as suas palavras firam a tua alma, como uma flecha fria que te trespassa?

Sabendo-o no fundo que tem razão, despreza-lo, abandona-lo. Tardiamente dás-te conta que foste injusto, intolerante, inflexível … talvez até manipulado por palavras doces de um diabo camuflado de anjo.

Não mais deixarás que uma amizade enraizada seja envenenada, secando as raízes daquele amor irmão, regado diariamente, pela cumplicidade e pelos sorrisos.

A pureza cristalina da amizade cabe num peito tolerante, onde mergulham várias amizades, cada uma com o seu lugar cativo, sem atropelos. Todas elas possuem as suas qualidades, e, o seu cantinho na partilha de sentimentos.

Deixa que chore, deixa que exteriorize, mas não deixes a amizade morrer!

Acolhe o amigo, ainda que te magoe, ainda que pronuncie uma palavra menos apropriada. Fê-lo num momento de impulsividade, de dor … dor essa que deves abraçar.

Abraça-o, principalmente na tristeza dos dias em que as nuvens cobrem o céu de trevas. Sê o seu raio de sol, que lhe banha a pele. Se a terra fértil, onde o seu sorriso floresce e se alimenta!

Busca o que de bom nasceu naquele sentimento que lhe brota do peito. Vive todos os seus momentos … escuta-o atentamente.

Perdoa-lhe os momentos em que é bajulado por aqueles que o procuram apenas em momentos de alegria e o abandonam em momentos de tristeza.

Esse parasitismo combate-o se tiveres forças para tal, bastando para isso seres tu próprio ainda que ele te abandone!

A amizade pura e verdadeira: não julga, para não ser julgada; não critica para não ser criticada; não bajula para não ser castrada; não exige; partilha a alegria … mas também a dor!

A amizade nada pede em troca … apenas sente, assim sentes tu, humano que chora e ri, que vê viver e morrer, sentimentos.

Oferece o templo do teu sorriso, principalmente naqueles dias tempestuosos em que te apetece gritar. Mas não o faças, o teu amigo precisa de sorrir.

Ainda que o nevoeiro te tolde a alma, ainda que chores lágrimas banhadas a sangue, força-te a abrir a boca, levantar os lábios e a mostrar um sorriso cristalino … faz isso e serás um verdadeiro amigo, pois sabes que mesmo sofrendo ele está a precisar de ti!


João Salvador – 01/03/2014

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Pensamento - Rosto angelicall



Após vislumbrar aquele rosto angelical que habita os sonhos inalcançáveis do eterno namoro, o coração repousa agora relaxado aguardando a emoção do amor libertado!


João Salvador – 18/08/2014

Angústia


mores renascidos
o calor de noites escaldantes
anham folego na paixão oculta
rge juntar os corpos suados
entir o prazer da luxúria
irar proveito da vida, matar a angústia!
Í nfimos momentos de êxtase, idealizados!
tingidos pelo limiar do prazer carnal.

João Salvador – 23/08/2014

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Palavra aprisionada


Aquelas palavras que não pronunciei
Guardo-as em mim, expectante!
Mordo os lábios suplicantes
Retendo a palavra amor

Jaz entorpecida … quase morta
Mato-a nas entranhas do meu ser
Mas apenas momentaneamente
O poder da mente, conjuga-se

Abate-se o sofrer, urge viver!
Não consigo reter tão forte sentir
Busco o amor, ele vai surgir!

Nascerá mais fulgente …
Qual fénix … poderosa, arrebatadora
Fundirá o amor
Renascerá nos corações esquecidos.


João Salvador – 12/02/2015

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Pensamentos silenciados


Moves-te no vazio dos silêncio emanados pelos teus pensamentos antagónicos, que não compreendes, ocultando em ti sentimentos atormentados que lutam entre a razão e o coração, entre a hesitação e a concretização.

Habitas as suas noites aquecidas pelas memórias luxuriantes dos desejos de dois amantes que insistem conhecer-se, lambuzar-se nos seus corpos sedentos, privados que o estão … ensandecendo-os!
Querem desabrochar, libertar-se de uma vida encarcerada por mal-entendidos e medos infundados!

Chega-se a um ponto em que os medos se tornam estupidificados, num mundo de liberdade, apenas não se vive se não se quiser. A dor deve ser castrada e não alimentada através da não concretização do desejável, da vontade, da paixão … do querer!

Grita ao vento, que espalhe as palavras silenciadas por anos de clausura. Ela que seja a mensageira da tua felicidade. Liberta-te, realiza-te, vive-te …

O tempo dos silêncios, dos medos, da dor … doce ou amarga, o tempo dessa dor apregoada por Camões já morreu com a odisseia poética do autor, que largou os sonhos no papel branco, onde pousou a caneta, procurando agora a realidade do contacto no regaço de quem ama!

João Salvador - 26/01/2014

domingo, 28 de dezembro de 2014

Racionalidade perdida


Como podes pedir racionalidade?
Não a queres nem a desejas,
Queres a loucura de poder amar.
O coração é cego, sente!
Olha, absorve o seu olhar matador
Que penetra arrebatadoramente, rasgando-te o ventre,
Libertando-te da dor que consentes.
Olhar … enfureces a vontade que explode como lava!
O corpo treme, curvando-se perante tamanha beleza
Ah! E esse lábios carentes então?
Oh meu deus!
Proferissem eles a palavra amor e perder-te-ias nos seus braços, para todo o sempre!
Render-te-ias aos seus exército de sedução, baixando o escudo da realidade, esquivando-te aos medos, mergulhando na loucura do desejo adormecido, que rugiria acordando para a paixão, aprisionada no peito de um ser moribundo.
Um ser que vive só para te amar, ainda que o não vejas, ainda que o não sintas.
Nas sombras dos teus dias, os seus pensamentos perseguem-te, protegem-te, beijam-te, amam-te!
Tu, sim tu … és o desassossego da alma, amor!
És a razão do seu viver
És o seu doce sofrer!


João Gomes Salvador – 28/12/2014

sábado, 13 de dezembro de 2014

Mudança


Não seja adverso à mudança, veja-a como um novo caminho que precisa de percorrer na complexidade das encruzilhadas tecidas pelos fios da vida.

Ainda que a mudança o bafeje com doces saudades, momentos, amizades, siga o rumo que quer destinar à sua alma, agradecendo aqueles que o premiaram com o seu sorriso, a sua bondade e a sua amizade transparente, que nada pediu em troca.


João Salvador – 13/12/2014

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Purga da Alma


Nesse rosto de lágrimas choradas
Lavado pela loucura da saudade
Vislumbra-se o cintilar tímido de um olhar solícito
Orando pelo regresso do amar!

Naquele rosto de face rosada
Habita um sorriso puro e inocente
O sorriso de uma alma acalentada
Pela esperança do reviver o amor!

Naquele rosto de anjo habita uma menina
Resplandece um anjo-mulher
Mulher que sente, que ambiciona
Busca o encantamento adormecido

Sonha o despertar
Sonha o acordar
Sonha consolar o coração ferido
Das desilusões de um amor, outrora proibido!


João Salvador – 23/08/2014

domingo, 16 de novembro de 2014

Encruzilhada


O pensamento mergulha na encruzilhada
Debatendo-se entre escolhas óbvias
Ou na loucura de caminhos,
Cujas histórias não foram escritas

Lança-se em percursos povoados,
Por sensações que flutuam na alma.
Errante, esquece a realidade, lança-se
Cego pela vontade de amar!

Esbarra na dúvida, na hesitação
Sente nas palavras não ditas
Uma dor no coração …

Estanca na encruzilhada, meditativo
Presente-lhe o medo no rosto indecifrável
Chora a indecisão, sangra de paixão …


João Salvador – 16/11/2014