quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Musa do poeta



Vives no recanto da mente, uma presença ausente,
Nas lembranças de grandes ensejos.
Na partilha de momentos, nos carinhos e nas mágoas.
Nas tristezas por vós choradas.
Em tudo te vêem os olhos da paixão!

Na pureza cristalina da água que rega os campos
Nas nuvens que cavalgam os céus
No sol que ilumina nosso berço
Nos subtis gestos femininos
Nos sorrisos das gentes
És a sua alma de vida

Vives nas poesias do poeta
Nutres a sua escrita
És a sua musa
És o seu céu (para ele és tudo)

És deste homem …
Que ousa pensar-te
Que ousa sonhar-te
Que ousa amar-te


João Salvador – 05/11/2012

Pacificação da alma



Pacifico a minha alma
Emano um brilho de bem amar,
Refletido no teu olhar
Transmitido num calor humano
Aos irmãos que dele careciam
Que choravam mas logo calaram!

Transmissão de bem e gestos simples,
para muitos pequenos,
para outros … colossais,
nas suas vidas minúsculas
que deles florescem.

Um amor transfigurado nas profundezas do coração
Não na procura de ilusão,
apenas …
A Pacificação da alma que achavas perdida.

João Salvador – 17/01/2012

sábado, 17 de novembro de 2012

Sentimentos em ruínas



Mundo que desmoronas em ruínas
Tudo destoa neste mundo sem cor
Ingratidão que grassa no homem
Corações que choram de dor!

Incompreensão egocêntrica …
Desprezo pelo sentimento
Feridas vivas que se abrem
Fazendo chorar as almas mais puras

Seus olhos vazios transmitem mágoa
Acompanham as deambulações errantes
De alguém que grita desalmada e perdida!

Procura-se um mundo de compreensão
Procura-se a pureza do sentimento
Procura-se a humanidade nos homens!


João Salvador – 17/11/2012

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cego pelo amor



Vives cego pelo amor
Já não vês …
O sentimento fluir selvagem, livre …
Não procures o que já encontras-te
Não escutes, o que já ouviste

Vives cego pelo amor
Acordas a imagina-la,
Deambulas, pensando-a
Adormeces, sonhando-a

Estás cego …
O teu coração palpita,
ocupado pelo amor.
Nada mais procura …

Estás cego …
Vives em simbiose com ela.
Sentes-te realizado,
vives uma existência feliz!

João Salvador – 28/07/2012

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Alegria




A legria. Nobre estado de espírito!
L igeireza, não tens com certeza.
E sperança em dias melhores.
G randioso sentimento que me ilumina,
R adioso num sorriso lento.
I mpelido pelo momento
A legria que me apaziguas o tormento!


João Salvador – 14/11/2012

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Janela vazia



Olhais por aquela janela vazia,
numa solidão de olhar gritante.
Terras que passais sem alma
Terras sem nome que sois cercadas,
pela noite que sobre vós se abate.

Dais-vos conta que o templo flui
ritmadamente numa ligeireza
onde os pormenores se perdem
e que julgais ver, mas que não vedes!

Estais sozinho!
Estais perdido no vosso rumo
Viajando no comboio da vida
Meditando-a!

Fazeis analogias do que sentistes
Dos momentos que vivestes
Da dor já sofrida
Da alegria sorrida!

Tantos pormenores,
sobre os quais buscais resposta!
Tanto detalhes ofuscados na vossa mente …
Uma visão cega e limitada!

Foge-vos a vida entre os dedos …
Olhais para ver o que não vedes
Mas vedes o que não se vê!

João Salvador – 17/10/2012

Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhLqZtKK5cwdKE0qdMJamNqEvT7SMgRsbNO_RpvH6E_TxwpVm5h_5dCewj7N0UT5I22Xe5UeLQ7z-rJHpZ5dcImvMYPkMmekLmDz8d237taWgo7p12jQ1XApitZbn1NRckyNjNofIlqpNU/s320/comboios.jpg

domingo, 4 de novembro de 2012

Olhar de cigana



Olhar de felina
Olhar de cigana
Olhar que te chama
Olhar que te inflama!

Olhar que não vês
Olhar que te mata
Olhar que não tens
Olhar que desejas!

Perdido em ti
Perdido na vida
Perdido no eu!

Sombra de ti
Névoas rasgadas
Vidas choradas
Choras por ti …

João Salvador – 04/11/2012

(Tributo ao povo cigano e a sua cultura)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Amor perdido



Perdes-te o rasto ao amor
Procura-lo desesperado
Segues caminhando
Perdido por ela …

Onde se encontra o teu amor?
Pensavas não a amar
Agora que a perdes-te
Chora, homem a tua desgraça!

Insano ser que não pensas
Quando a tinhas em teus braços
Não lhe sussurraste ao ouvido
Não a amas-te com todas as tuas forças

Sofre agora a dor merecida
Perdes-te o teu coração
Que bate agora sem ritmo
Murcho e morto para o amor …

João Salvador – 02/11/2012

(RONAN KEATING, WHEN YOU SAY NOTHING AT ALL)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Meditar



Fecho os olhos e medito a vida em dias de melancolia … afundando-me em pensamentos! Procuro respostas para as mágoas sentidas mas não compreendidas. 

Vivo uma existência pacífica, ainda que polvilhado por conturbados episódios de insegurança que me são alheios, plantados pela própria sociedade consumista e inerte que habita as terras lusas e o próprio berço da humanidade.

Temo já não por mim mas pela minha prol, pelo futuro que a vida lhe reserva. As contrariedades da vida a que não estão habituados, à dureza de uma realidade que ainda não sentem verdadeiramente. 

Vive-se numa época em que viver com honra e humildade se torna uma tarefa hercúlea e cujos valores passamos à próxima geração. Educação que lhes incutimos a ferros, pois é necessário combater todos os factores externos que os iludem para uma suposta vida de facilitismo em que tudo cai a seus pés sem esforço!

Diariamente olho em redor e sinto uma maior tensão social reflectida nas pessoas que se manifestam indignadas com um presente já de si comprometido. Muitas habituadas ao que nunca foi seu e que agora temem perder (e que perdem por ordem do estado da nação). 
Medito sobre tudo isso e sinto as pessoas a definhar. A sua vontade esvai-se seja a nível laboral quer por força do que lhes é retirado; seja ainda por mera desculpa para não se maçarem com os problemas de terceiros, ou finalmente, seja (que é o mais grave de tudo) por desmotivação gerada pela falta de reconhecimento do seu esforço diário, vendo premiados a inércia de outros que nada fazem em prol do próximo e como parasitas que são sugam o esforço do hospedeiro. Direi que em boa linguagem transmontana são uns parasitas de “MERDA” (desculpem o impropério – mas por vezes sabe bem o desabafo!).

Medito agora com tempo, porque as férias servem para ordenar as próprias ideias, procurando-me a mim próprio.

Medito as preocupações de amigos (pessoas de bom coração) que vejo a definhar pelas injustiças de que são alvos, por parte de chefias insensíveis ao sofrimento alheio, vendo o seu semblante carregado, com as lágrimas contidas (pois chorar não é próprio de um homem, pelo menos em público – muitos de nós ainda carregam esse estigma). Sinto dor por ver um amigo sofrer e vê-lo a caminhar rumo à não vida, abandonado por quem o deveria apoiar … temendo pela sua própria sanidade mental.

Sim, sobre tudo isso medito … procuro encontrar um rumo certo para as minhas preocupações, muitas vezes confusas que se cruzam em névoas perdidas criadas pela própria mente.

Temo pelo rumo a que a nação está votada, vendo o timoneiro a perder o Norte, levando o barco rumo a um abismo …


João Salvador – 31/10/2012

domingo, 28 de outubro de 2012

Sofrer o teu sofrer …


Teu céu
Tão meu
Tão nosso …
Choro tuas lágrimas …
Suplico, fá-las também minhas …
Quero senti-las, como uma ferida de dor …
Sofrer o teu sofrer …
Derrama-las em jorros nas cataratas perdidas
Onde me encontrarás …
Terás em mim o poder da cura …
Afoga tuas lágrimas no meu amor!

Nesse amor que nos une …
Na partilha
Nas memórias …
Nos momentos experimentados
Ali buscamos o nosso viver
Num novo renascer …

João Salvador – 07/10/2012