quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O bem e o mal


Entre uma luta titânica,
sob um manto de esperança,
nasceu uma criança.
Vida de um ser inocente e puro,
que o tempo transfigurou.
O ciclo da vida assim o ditou,
e ele se emancipou.
Tornou-se sob o peso da vida,
um ser frio e distante …
um olhar vazio!
Um espectro de felicidade,
que parecia não alcançar.

O bem e o mal,
o afetou …
Experimentou os sentimentos,
o ódio … a repulsa!
A controvérsia entre a felicidade e a infelicidade,
uma tempestade na alma.
Momentos de amor e de dor,
Intercalados em dias que não terminavam.
Dias em que um sorriso e um carinho materno o consolavam,
mas não chegavam!

O bem e o mal,
personificados ao som do chicote que ribombava livremente.
Uma dor carnal, gutural,
cujo sangue latejava querendo sair,
Personificados num diabólico ser,
num carrasco, que havia abraçado o mal.
Nele não havia esperança ou retorno,
apenas ódio e rancor.
Ódio que passava para essa criança,
nascida da esperança!

O bem e o mal!
Quem venceu essa criança afinal?
Batalha épica e eterna,
cujas almas vai moldando à dureza da existência.
A infância desse menino,
foi uma montanha de sentimentos contraditórios.
Uma teia da qual conseguiu soltar-se.
Rejeitou o mal e venceu!


João Salvador

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sereia



Rainha dos mares,
Do meu coração.
Percorres as águas,
Da minha ilusão.

Cavalgas as ondas,
Despertas paixões,
Cativas varões,
Vendes ilusões.

Conduzes as águas,
Iluminas a vida,
Realizas os sonhos,
Destes seres tristonhos.

És um engano …
um ser profano,
Que percorre o mar,
Que afunda as naus,
Que afoga os sonhos,

Matas de dor …
Aniquilas almas!
Sangras os homens …
Destróis o amor!


João Salvador - 2011

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O teu corpo é um templo


O teu corpo é o meu templo
Deleito-me quando te vejo
Encarno o papel do pecado
Perco-me no teu olhar!

Num momento,
Em que penso em abraçar-te
Petrifico com a tua beleza
Não sou digno de ter-te

Mas no entanto,
avanço …
Hesito!
Vejo um corpo escultural
Toco-te …
que fantasia!
Mas no momento,
Dissipa-se … o pensamento!

João Salvador

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Seja um doido alegre


Seja um doido alegre,
espalhe alegria onde estiver.
O mundo dos homens anda triste.
Olhe e veja em seu redor.
Quantas tristezas, reclamações, desenganos, indiferença?
Os rostos das pessoas anda com semblantes carregados,
como se nada mais houvesse de bom sobre a terra.
Procura alegrar com a tua força interior; o teu sorriso, o ambiente em que te encontras.
Contagia o mundo com a tua alegria.
Oferece uma rosa a alguém especial,
verás uma luz a refletir-se no seu rosto, um sorriso iluminado!
Seja amigo, ou namorado, seja o teu ser iluminado.
Faz feliz e sê feliz!

João Salvador

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Ínfimo instante - Um pensamento


Todos os dias o ser supremo a quem chama-mos Deus nos olha do seu púlpito.
Dá-nos um momento em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes.
Esse ínfimo instante que muitas vezes atemoriza, perante o conforto do ter.
O medo da busca pela incerteza, do que há-de vir ...
A chama! Um hímen que clama pela chama do desejo,
O eterno pecado da mudança, um caminho para um doce abismo.
Um rumo desnorteado, mal calculado ... um caminho sem retorno.
Um pensar racional ou emocional, uma problemática do ser, do eu!
Uma ténue linha entre a cobardia ou a coragem do desejo e do sonho.
Um instante que é só meu ... um fardo pesado,
Onde não existe o TALVEZ,
O instante mágico é o momento em que um SIM ou um NÃO pode mudar toda a nossa vida.
Depois, nada será como era ...
Na certeza da mudança!

João Salvador

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O meu berço - minha terra



Num recôndito cantinho da pátria de camões, nestas terras lusas
Atrás dos montes agrestes, salpicados de sumptuosas oliveiras
Surgem no vale, os terrenos cultivados pelo suor do camponês
Na formosa aldeia de Sanfins, meu berço, minha criação
Ali, nasci eu, nessa ditosa e amada aldeia Nordestina
Ser inocente que percorreu aqueles vales, desde o raiar do Deus sol
Banhava a minha face com a sua luz, uma chama de esperança
Percorria alegremente os campos de cultivo, povoados de vida!
Polvilhados de uma imensidão de pureza, onde não entrava a maldade
Assim era a minha aldeia, um berço de gentes com faces de labuta … mas serenas!
Nos intermináveis episódios de memória, que guardo, sinto o cheiro das hortas frescas
Do suculento melão amadurecido pelo tempo, que colhia com prazer.
Aquele néctar dos deuses, com o qual me deleitava e saciava!
Tudo era pureza, apesar da rudeza das vidas das gentes do interior
As suas almas eram límpidas numa transparência que cegava
O tempo – carrasco, passou e não perdoou. A aldeia mudou … tudo mudou,
Foram gentes que se sumiram com o seu radioso sorriso, recheado de humildade!
As coisas não são agora tão clarividentes e puras aos olhos de um adulto.
Foram-no é certo, outrora aos olhos de uma criança órfã e pura
Criança … agora homem, que vê a crua realidade do agora!

João Salvador

terça-feira, 19 de julho de 2011

Perfeição Imperfeita - Ser mortal


Busco no eu, a imperfeição de um ser perfeito.
Busco, um elo de sabedoria e de pureza.
Algo que me guie no incompleto processo da criação.
Pois, tu deus és soberano ... mas imperfeito!
O homem à tua imagem, senhor!
Um pecador mortal ... perfeito, mas ...
Cheio de desejos de vida, de luxúria.
Alguém que busca o pecado pela carne!
Uma busca incessante do eterno feminino.
Afinal, o pecado, não é pecado ... ou será?
Sim a luxúria, mas não o desejo ...
Afinal ó deus sou um ser perfeito, ainda que imperfeito.
Sou a tua criação ...
Sou a tua obra,
Não a perfeição,
Mas a imperfeição?


João Salvador

Convite da Morte

Aproximei-me perigosamente de ti ...
Cai num vazio de paz, onde a luz se aproximou
O limbo onde me encontrei, foi momentâneo, mas forte
No entanto, não pensei, quase te abracei ...
Ó morte! Suavemente surgiste sorrateira e risonha
Convidas-me a acompanhar-te
Querias-me num mundo que desconheço
Dizes em voz jocosa, que morrer não é acabar é renascer
Vi-te no entanto, ladeada de almas suspensas nos céus
Almas que gritavam, voando rumo ao Inferno
Vinhas ornada de uma gadanha de ferro, frio e arrepiante
Vestias um manto negro a relampejar,
Emanas um odor intenso, cheiras a sofrimento e dor.
O teu olhar, ainda que apelativo é vazio
É desprovido de emoção, um olhar medonho
No entanto, resisti aos teus encantos, tenho medo ...
Resisti a um cruel mas doce destino
Impuseste um pensar que me engana,
Quase me fez esquecer de viver
Uma morte que me envolve,
Rouba-me a serenidade
O repouso alicia, mas não o quero
Preciso de alimentar a alma de vida
Serás tu, ó morte, o fim?
Talvez, mas não a finalidade da vida
Não perdi o entusiasmo de viver, por isso vivo
Afasta-te de mim ó sombra tenebrosa ...
A vida é algo que persigo ... o olhar da mulher amada
O carinho da prol, o sorriso das gentes
Os sonhos, urgem num turbilhão, quero vivê-los
Pois morrerei certamente, mas não a teu convite

João Salvador

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Inspiração


Dias cinzentos e tristonhos,
Cuja inspiração não surge, nem mesmo em sonhos.
Refugio-me no interior da mente, procuro memórias
Incessantemente busco a inspiração, procuro a glória.

Questiono o poeta luso das suas aventuras
Rebusco na história as suas desventuras
Procuro compreender a incomprensão do poeta
Grito, choro, enlouqueço! Não consigo alcançar o horizonte

Obscuridade, escuridão, trevas que me envolvem
Não se vislumbra na minha mente a desejada inspiração
Sentimento amargo este! Sensação de impotência ...
Não desisto! Caminho, olho a lua, o mar ... o luar

Uma busca que não acaba
Ela há-de chegar ... embalada num soneto de ilusão, de paixão
Deixo o que me rodeia, penetrar em mim ... no meu âmago!
Inspiração desejada, surgirás pois! Preciso de ti.

João Salvador

sábado, 16 de julho de 2011

Cigana



Buscava nesse dia um sorriso teu, minha cigana, minha chama
Vagueava pelo prado, resplandecente de vida - ocultando os sentimentos.
Num prado, cujas flores eram procuradas pelas abelhas, que voavam atarefadas
Queriam o néctar das flores, polinizando-as, fecundando-as

Assim quero eu provar o teu néctar, polinizar a tua virtude, ser teu!
Na minha busca, caminhei altivo e esperançoso, olhando sem ver, ainda que vendo
Alcançar o teu amor, é algo que alimenta a minha existência, a alma
Pois, se assim não fosse seria apenas um ser vazio, inócuo, seria nada

Seria um homem oco, sem substância, um ser insano … profano
Mesmo que não me queiras, alimentarei essa ilusão
Na certeza, de que mesmo sendo uma mera alucinação
Me darás o teu sorriso que emana dos teus lábios cristalinos

Não penso, mas penso, que não me queres, mas que me queres
Que dilema! Tu própria nas tuas dúbias incertezas de vida, que almejas?
Sim! Que almejas mulher? Queres amar-me cigana?
Ou queres perder-te num vazio de sentimentos?

Minha cigana, estou aqui! Estive sempre aqui, tu sabes.
Procura no interior dos teus sentimentos, num cantinho de luz
Ver-me-ás ali encolhido, expectante, aguardando-te, pois …
Serei teu se assim o quiseres …

João Salvador