A poesia é um bálsamo para a alma. Neste cantinho eu navego por um mundo que construi e que me transmite paz. É para mim um refúgio onde o imaginário e o gosto pelas palavras me inundam e me fazem sonhar. Quem não precisa de sonhar, num mundo cada vez mais cinzento? Sejam bem-vindos! Visite ainda o meu blog: http://joaogomesalvador.blogspot.pt/
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Desejo silencioso
No silêncio da noite,
Alimentou-se o momento
Buscavas um carinho
Uma brecha de sentimento
Algo que alimentasse a esperança
De concretizar o devaneio
Duma união, no desejo …
Numa paixão animal
Mesmo que fosse irreal
Compenetrado numa vida não vivida
Tu não eras vista, mas estavas ali!
Olhando; aguardando … expectante
No íntimo, surgia o fogo do desejo
Secreto é certo! Mas tão teu.
Desejo que calas-te mulher,
Numa mordaça que te envolvia.
Não percebia o olhar
O teu menear, a tua fuga
Estava absorvido na banalidade
Era um espectro de si mesmo
Um ser amorfo sem vida!
Mas tu mulher, continuavas ali
Amordaçada a momentos de dor
Alternados por rasgos de amor!
Surgiu do nada, mas já lá estava
Na tua alma … o sentimento
Estava cego … ofuscado
Mas era tão belo e não te viu
Surgiu do nada
Empurrado por uma palavra
Que estava emperrada
Estupefação, admiração, satisfação
Sentimento que não contemplou
Mas que guardavas em ti.
Não querias falar,
mas deixaste-te voar
Afinal, era a paixão...
Uma fulminante ânsia de fogo
Que consumia as entranhas,
Atravessou duas almas sedentas
No realizar do viver … no prazer!
Afinal, que havia a perder?
João Salvador – 18/10/2011
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Incertezas do amor
Procuras
rever na mente, os episódios passados.
Queres
compreender o incompreensível,
Buscas
respostas onde não as encontras.
Agarras-te a
algo que te acalme a inquietação!
Encontras um
vazio nas respostas.
Não
compreendes a razão … porquê?
Esfumou-se o
sentimento – perdeu-se?
És agora
fantasma de um passado errante?
Dolorosas
questões que não vês respondidas
Amordaçadas
num sepulcral silêncio
Acompanhando-te
no arrastar dos tempos
Prendendo-te
às incertezas do amor!
João Salvador
– 18/04/2012
domingo, 13 de maio de 2012
Reflexão sobre a frustração e revolta
A
Frustração é um sentimento alimentado por toda a envolvente que o ladeia,
golpeando profundamente a mente de quem o sente – tornado o sentimento em
revolta.
É
um sentimento muitas vezes nutrido pela passividade de pessoas que apenas se
sabem lamentar, quando deveriam ver mais além do seu nariz, tornando-se operativas
e cooperantes.
Ao
invés vivem na sombra, despreocupados, passivos, aumentando o “monstro” da
loucura e da raiva interior, naqueles que fazem um pouco mais em prol de um
mundo melhor!
João Salvador - 13/05/2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Memórias que tendes
Vagueáveis, flutuando
pelas memórias que tendes na mente,
inquieta, impetuosa,
inundada de vida,
como se faz
quando se procura a solidão.
Rebuscáveis o
passado … recordando.
É algo
prazenteiro que faz parte do ser.
Nessa busca
incessante, encontrastes um episódio.
Um episódio
de amor puro, ternurento e belo.
Recordas-te o
beijo fugido que roubas-te … cigana,
Naquela escada
de pedra que fazia parte de vós.
Foi numa
inocência perdida, que não tendes agora.
Tempos em que
os jovens sonhadores,
com ensejos
de Dom Quixote …
Sonhavam com
projetos tresloucados,
Sonhos doces
como mel que vos deleitavam.
Enchiam de
prazer só de pensar o amor.
Ó o amor! Era
tão deslumbrante, atraente e puro!
Quando contempláveis
os adolescentes olhos vibrantes,
Cintilantes de
luz. Ali se viam e logo se perdiam!
Os olhos
brilhavam de paixão!
O corpo
tremia, só por ver o amor.
A mera presença,
um mero toque … um tremor!
O cheiro a
flor virgem que emanáveis!
Sim! Sentis
saudades desse tempo.
Uma época de
glória e de conquistas,
em que se lutava
pela pureza do amor.
Eram sublimes
esses momentos de inocência!
Foram tempos harmoniosos,
recordados com ardor.
Lembrados com
melancolia, num misto de carinho e saudade.
As meras
trocas de olhares, dos quais se vivia, ou
de um mero beijo
furtivo que vos nutria!
Sim, eram belos
esses tempos, inesquecíveis …
E dos quais vos
recordareis nesta vida …de saudade!
João Salvador
- 16/08/2010
domingo, 6 de maio de 2012
Saudades de ti mãe!
Uma tristeza visceral
Apodera-se de mim
A alma chora desalentada
Uma angústia possessa
Mas ao mesmo tempo saudosista
Quando penso em ti
Não te tenho mãe
Partiste suplicando
Querias viver
Não pude impedir a tua travessia
Senti-me entorpecido … impotente
Sem ti sou tão pequeno
Um invólucro vazio
Falta-me o teu sentir materno
O teu laço protetor
Que sentia com fervor
Que a morte impiedosa me roubou
Nada pude fazer
Senão guardar as memórias
Respeitar o teu ensinamento
Ser o filho que crias-te!
Que a luz te ilumine
Estejas onde estiveres
Serás sempre aquela que me dou vida
Que me limpou as lágrimas
Me deu alento nos dias de dor
Serás sempre … a minha mãe!
João Salvador – 06/05/2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Escravo dos sonhos - Reflexão
Sentes uma escravidão nos sonhos das palavras ditas, mas não sentidas …
Ficam os escritos das memórias que exalam do pensamento sonhado de um poeta …
Dos momentos que eternizam a vivência do seu ser; de alguém que busca sem cessar a felicidade e o amor, mas que esbarra numa barreira invisível de realidade!
Crueldade?
O que visualiza nos seres cujos sentimentos aflorados se encontram esquecidos no tempo e mortos para o amor.
Adormecidos, alertados apenas para a autossustentação do eu, para uma busca prazenteira banal, desprovida de conteúdos.
Que pode querer o sonhador senão buscar o paraíso ainda que inexistente, que apenas reside no imaginário profundo da sua mente?
Divagações pontuais de amores eternizados nas idealizações de um ínfimo pensamento que aos olhos de um coração receoso parecem delírios de um qualquer demente, que se sente gente!
Louco? Sim! Sou louco e depois?
Que graça tem a vida sem um raio de luz. Sem os seus raios o sol morre e o sonho definha.
Quem não busca o sonho tão cobiçado, morre lentamente, provando a pedra fria da sepultura ainda que em vida.
Quem não sonha não nutre a alma, nem a liberta do limbo de uma qualquer triste realidade.
São os sonhos meras divagações?
São palavras pensadas, libertadas ao sabor de uma ventosa tempestade de sentimentos.
São alimentadas pelo estado de espírito de todo o ser, que extravasa da boca as palavras proferidas por um mero sonhador que procura sentido para a vida … a sua!
02/03/2012 – João Salvador
domingo, 29 de abril de 2012
Amor puro
foram demandados numa adolescência doce e vivida,
eram descobertos apenas por um olhar sincero,
de um ser alimentado por uma alma inocente;
uma visão purgada, ainda que cega pelo amor.
Uma quimera arrastada pelo desejo,
Uma ânsia de ter em si o sentimento do amor.
Tais paixões são agora uma utopia do então – ainda sonhadas.
Mas a felicidade esperada, cuja busca é incessante,
rejuvenesce no saber maduro das intempéries do tempo,
Anos que passaram;
em paixões e amores que alimentaram
nos sentimentos que ficaram!
João Salvador – 29/04/2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Minha terra
Foto: Cláudio Cunha - Sanfins
O teu seio me alimenta.
Ai, busquei o sustento,
Numa terra de dureza,
Mas de enorme beleza!
Nos sonhos que acalentei,
No amor por essa terra,
Numa meninice vivida,
Numa fantasia perdida.
Numa infância feliz,
Na altura era petiz.
Saudades são tantas que tenho,
Da minha terra, Sanfins!
João Salvador – 18/11/2011
Ai, busquei o sustento,
Numa terra de dureza,
Mas de enorme beleza!
Nos sonhos que acalentei,
No amor por essa terra,
Numa meninice vivida,
Numa fantasia perdida.
Numa infância feliz,
Na altura era petiz.
Saudades são tantas que tenho,
Da minha terra, Sanfins!
João Salvador – 18/11/2011
sábado, 21 de abril de 2012
Dor eterna
D or de amor que me consome
O lhada pelo tempo que não passa
R ecordações belas e dolorosas
E ternos instantes
T rasnparentes e puros
E squecidos por momentos
R ecordados no silêncio, num sufoco
N o meu leio eu reflito
A mor se não te tive, porque sofro?
João Salvador – 18/09/2011
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Sonhos sepultados
Penso tristemente, nas mágoas que te perseguem
Ficas envolta em nublosas névoas que rasgam as trevas.
Sentimentos amordaçados que extravasas de ti,
em estéreis sonhos que sepultas na alma!
Palavras que não dizes, que te são vedadas.
Vives muda. Numa eternidade que não passa.
Palavras aprisionadas que vivem no pensar,
em sentimentos que não podes mostrar.
Uma dor eterna que te atormenta,
vagueando só, num coração vazio,
que não preenches do amor que desejas,
mas que te alimenta a ilusão de ser feliz!
João Salvador – 07/02/2012
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