quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Alegria




A legria. Nobre estado de espírito!
L igeireza, não tens com certeza.
E sperança em dias melhores.
G randioso sentimento que me ilumina,
R adioso num sorriso lento.
I mpelido pelo momento
A legria que me apaziguas o tormento!


João Salvador – 14/11/2012

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Janela vazia



Olhais por aquela janela vazia,
numa solidão de olhar gritante.
Terras que passais sem alma
Terras sem nome que sois cercadas,
pela noite que sobre vós se abate.

Dais-vos conta que o templo flui
ritmadamente numa ligeireza
onde os pormenores se perdem
e que julgais ver, mas que não vedes!

Estais sozinho!
Estais perdido no vosso rumo
Viajando no comboio da vida
Meditando-a!

Fazeis analogias do que sentistes
Dos momentos que vivestes
Da dor já sofrida
Da alegria sorrida!

Tantos pormenores,
sobre os quais buscais resposta!
Tanto detalhes ofuscados na vossa mente …
Uma visão cega e limitada!

Foge-vos a vida entre os dedos …
Olhais para ver o que não vedes
Mas vedes o que não se vê!

João Salvador – 17/10/2012

Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhLqZtKK5cwdKE0qdMJamNqEvT7SMgRsbNO_RpvH6E_TxwpVm5h_5dCewj7N0UT5I22Xe5UeLQ7z-rJHpZ5dcImvMYPkMmekLmDz8d237taWgo7p12jQ1XApitZbn1NRckyNjNofIlqpNU/s320/comboios.jpg

domingo, 4 de novembro de 2012

Olhar de cigana



Olhar de felina
Olhar de cigana
Olhar que te chama
Olhar que te inflama!

Olhar que não vês
Olhar que te mata
Olhar que não tens
Olhar que desejas!

Perdido em ti
Perdido na vida
Perdido no eu!

Sombra de ti
Névoas rasgadas
Vidas choradas
Choras por ti …

João Salvador – 04/11/2012

(Tributo ao povo cigano e a sua cultura)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Amor perdido



Perdes-te o rasto ao amor
Procura-lo desesperado
Segues caminhando
Perdido por ela …

Onde se encontra o teu amor?
Pensavas não a amar
Agora que a perdes-te
Chora, homem a tua desgraça!

Insano ser que não pensas
Quando a tinhas em teus braços
Não lhe sussurraste ao ouvido
Não a amas-te com todas as tuas forças

Sofre agora a dor merecida
Perdes-te o teu coração
Que bate agora sem ritmo
Murcho e morto para o amor …

João Salvador – 02/11/2012

(RONAN KEATING, WHEN YOU SAY NOTHING AT ALL)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Meditar



Fecho os olhos e medito a vida em dias de melancolia … afundando-me em pensamentos! Procuro respostas para as mágoas sentidas mas não compreendidas. 

Vivo uma existência pacífica, ainda que polvilhado por conturbados episódios de insegurança que me são alheios, plantados pela própria sociedade consumista e inerte que habita as terras lusas e o próprio berço da humanidade.

Temo já não por mim mas pela minha prol, pelo futuro que a vida lhe reserva. As contrariedades da vida a que não estão habituados, à dureza de uma realidade que ainda não sentem verdadeiramente. 

Vive-se numa época em que viver com honra e humildade se torna uma tarefa hercúlea e cujos valores passamos à próxima geração. Educação que lhes incutimos a ferros, pois é necessário combater todos os factores externos que os iludem para uma suposta vida de facilitismo em que tudo cai a seus pés sem esforço!

Diariamente olho em redor e sinto uma maior tensão social reflectida nas pessoas que se manifestam indignadas com um presente já de si comprometido. Muitas habituadas ao que nunca foi seu e que agora temem perder (e que perdem por ordem do estado da nação). 
Medito sobre tudo isso e sinto as pessoas a definhar. A sua vontade esvai-se seja a nível laboral quer por força do que lhes é retirado; seja ainda por mera desculpa para não se maçarem com os problemas de terceiros, ou finalmente, seja (que é o mais grave de tudo) por desmotivação gerada pela falta de reconhecimento do seu esforço diário, vendo premiados a inércia de outros que nada fazem em prol do próximo e como parasitas que são sugam o esforço do hospedeiro. Direi que em boa linguagem transmontana são uns parasitas de “MERDA” (desculpem o impropério – mas por vezes sabe bem o desabafo!).

Medito agora com tempo, porque as férias servem para ordenar as próprias ideias, procurando-me a mim próprio.

Medito as preocupações de amigos (pessoas de bom coração) que vejo a definhar pelas injustiças de que são alvos, por parte de chefias insensíveis ao sofrimento alheio, vendo o seu semblante carregado, com as lágrimas contidas (pois chorar não é próprio de um homem, pelo menos em público – muitos de nós ainda carregam esse estigma). Sinto dor por ver um amigo sofrer e vê-lo a caminhar rumo à não vida, abandonado por quem o deveria apoiar … temendo pela sua própria sanidade mental.

Sim, sobre tudo isso medito … procuro encontrar um rumo certo para as minhas preocupações, muitas vezes confusas que se cruzam em névoas perdidas criadas pela própria mente.

Temo pelo rumo a que a nação está votada, vendo o timoneiro a perder o Norte, levando o barco rumo a um abismo …


João Salvador – 31/10/2012

domingo, 28 de outubro de 2012

Sofrer o teu sofrer …


Teu céu
Tão meu
Tão nosso …
Choro tuas lágrimas …
Suplico, fá-las também minhas …
Quero senti-las, como uma ferida de dor …
Sofrer o teu sofrer …
Derrama-las em jorros nas cataratas perdidas
Onde me encontrarás …
Terás em mim o poder da cura …
Afoga tuas lágrimas no meu amor!

Nesse amor que nos une …
Na partilha
Nas memórias …
Nos momentos experimentados
Ali buscamos o nosso viver
Num novo renascer …

João Salvador – 07/10/2012

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Frases (vida de sabedoria)



As palavras que derramas da mente, fluem através da escuridão, derrubando a resistência da ignorância, iluminando-a, abrindo-te caminho para uma vida de sabedoria.

João Salvador – 26/10/2012

domingo, 21 de outubro de 2012

Miro o tejo



Miro o tejo contemplativo
Olhares curiosos
Penetram os seus mistérios
Indagam sobre suas águas
Cujas histórias nele guarda

Tejo que banhas Lisboa
Devassada pelo desmazelo das gentes
Nem assim abandonas os homens
Alimenta-los de vida
Indiferente à sua incúria

Barcos rasgam teu ser
Lambendo-te os cascos frios
Que te ferem a alma
em chicotadas agrestes
Maus Tratos diários,
insensíveis a teus desígnios
destroem a tua beleza.

És acalentado pelo amor
Pelo romantismo de jovens casais
Que se acariciam e se amam junto a ti!
Alimentas-te desse amor que extravasa

Ó Tejo!
Tanto de ti que revejo em mim!
A profundeza de teus mistérios
Que guardas nas tuas águas
E eu nos recantos da minha alma!


João Salvador – 17/10/2012

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Esquecimento


Finge o poeta que esquece
Foge do espírito que o enlouquece
Afasta do pensamento a memória
Sepultando o sentimento que sente!

Remete o amor para o esquecimento
Numa ténue fronteira que o assusta
Num presente já passado, que o rodeia
Ali estão as reminiscências da mente

Memórias que afloram em dias de melancolia
Desabrocham intensamente, num fogo viral e violento
Ferem intensamente o coração da gente
Ofuscam o espírito e a razão … irracionalmente!

Uma lembrança morta de chama vida,
Numa dor que reaparece intermitente
Numa ilusão que desaparece
Num pensar que não padece!


João Gomes Salvador - 20/10/2010

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Encontro sonhado



Concentras-te no limbo do vazio
Evitas olha-la
Tão próxima …
Sentes seu cheiro
Enlouquecedor!

A tentação é forte
Vês a sua imagem reflectida
no teu céu espelhado
onde vislumbras o seu olhar
a penetrar-te.
Irrompe no teu sentir!

Um olhar consentido
seduziu teus perdidos
e luxuriantes pensamentos
Olhares que agora se gladiam
apelando ao selvático desejo
Um animalesco devaneio

Um realizar …
Sonhado por duas almas desconhecidas
Viram-se apenas infinitamente
neste instante vivido que é o agora!

Perderam-se no embate dos olhares
profundos … saborosos e sentidos
Deixaram explodir a paixão!
Tudo a imaginação sonhou
numa realidade verdadeira
Amaram-se na perdição
satisfazendo uma ilusão!

Logo relaxaram …
Estava consumado
Refrearam seus olhares
Passou o momento sonhado
Por dois desconhecidos
Perdidos no tempo
Perdidos no espaço
Perdidos em si!

João Salvador – 17/10/2012