segunda-feira, 21 de maio de 2012

Desejo silencioso




No silêncio da noite,
Alimentou-se o momento
Buscavas um carinho
Uma brecha de sentimento
Algo que alimentasse a esperança
De concretizar o devaneio
Duma união, no desejo …
Numa paixão animal
Mesmo que fosse irreal

Compenetrado numa vida não vivida
Tu não eras vista, mas estavas ali!
Olhando; aguardando … expectante
No íntimo, surgia o fogo do desejo
Secreto é certo! Mas tão teu.
Desejo que calas-te mulher,
Numa mordaça que te envolvia.

Não percebia o olhar
O teu menear, a tua fuga
Estava absorvido na banalidade
Era um espectro de si mesmo
Um ser amorfo sem vida!

Mas tu mulher, continuavas ali
Amordaçada a momentos de dor
Alternados por rasgos de amor!

Surgiu do nada, mas já lá estava
Na tua alma … o sentimento
Estava cego … ofuscado
Mas era tão belo e não te viu
Surgiu do nada
Empurrado por uma palavra
Que estava emperrada

Estupefação, admiração, satisfação
Sentimento que não contemplou
Mas que guardavas em ti.
Não querias falar,
mas deixaste-te voar

Afinal, era a paixão...
Uma fulminante ânsia de fogo
Que consumia as entranhas,
Atravessou duas almas sedentas
No realizar do viver … no prazer!
Afinal, que havia a perder?

João Salvador – 18/10/2011

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